quarta-feira, 28 de maio de 2008

Sobre o Palácio do Marquês de Valle Flor II ( A Marquesa de Valle Flor)

E agora, ainda antes de falar acerca do palácio propriamente dito, irei dizer umas palavrinhas sobre a Marquesa de Valle Flor uma vez que se destacou com acções que prevalecem até hoje.

A Marquesa de Valle Flor, D. Maria do Carmo Constantino Ferreira Pinto, nasceu em 1872 e morreu em Lisboa em 1952 tendo sobrevivido quer ao marido quer aos filhos: José Luíz, 2º Marquês de Valle Flor e Jenny de Valle Flor . Residia habitualmente no seu palacete em Paris e era amiga dedicadíssima da Rainha D. Amélia tendo-a acompanhado mesmo no exílio.

Em homenagem aos seus dois filhos falecidos, cria a Fundação Valle Flor que se destinava a agraciar jovens pobres que se distingam quer pelo seu carácter quer pelos seus gestos de bondade ou coragem. A Fundação, que era gerida pelo Montepio Geral, atribuía a esses jovens prémios financeiros numa cerimónia que, durante o Estado Novo, era de grande pompa sendo os prémios mesmo entregues pelo Presidente da República.

Fundou também, em Agosto de 1951, o Instituto Marquês de Valle Flor o qual se destinava (e destina ainda) a desenvolver estudos e trabalhos científicos sobre as nossas ex-possessões ultramarinas que visavam melhorar as condições de vida das suas populações (com um ênfase especial, naturalmente, para a população de S. Tomé).

O Instituto foi dotado com dez mil contos e com a cedência do Tal palacete, residência dos marqueses em Portugal na Rua de Jau em Lisboa.

Este instituto, que actualmente é uma organização não governamental para o desenvolvimento (ONGD) continua muito activo tendo iniciado em 1985, com a entrada de Portugal para a CEE, uma nova etapa de actuação.

Estabelece parcerias alargando as suas actividades a áreas como a educação e a ajuda humanitária de emergência, consideradas actualmente as suas actividades principais. Actua, presentemente, em todos os países de língua oficial portuguesa.

3 comentários:

A.Teixeira disse...

Posso deduzir que a Marquesa era substancialmente mais nova que o Marquês (quando nasceu - 1872 - já o marido partira para São Tomé - 1871) e especular que pertenceria de origem à classe social onde o Marquês só chegou depois de bastantes anos de estadia na colónia?...

Donagata disse...

Sim, a marquesa era, de acordo com as fontes que consultei, 17 anos mais nova do que o marido. Quando casaram, ele não era ainda possuidor de nenhum título de nobreza mas já se destacava como produtor de cacau e aliado da monarquia.
Tal como tu, apenas consigo especular em relação ao seu estatuto social (da marquesa). Sei que era filha de Elias do Carmo Constantino Ferreira Pinto e de Jenny Dias Constantino. Nasceu em Lisboa, mas não consegui apurar mais nada em relação ao pai ou à mãe.
Em boa verdade a minha intenção não era fazer uma investigação intensiva em relação às origens da senhora, mas o certo é que também eu tive curiosidade só que não encontrei mais nada.

O Arquitecto Mór João Frederico Ludovice disse...

Leopoldo Ludovice

Ao passar por aqui descobri este artigo que me chamou a atenção. Pois o meu pai (arquitecto e músico, José Frederico Bravo de Drummond Ludovice, era um grande amigo do Marquês Vall Flor o Guilherme, mais conhecido pelo Guy. Os dois faziam um dueto na Emissora Nacional, no programa da manhã do lucotor Mario Moutinho, Guy tocava gaita de beiços e ´Ludovice piano, transformando-se mais tarde no grupo musical de Lurdes e Lina. Guy não gostava de usar o seu nome, aparecendo com um nome artístico de Jonassing, rivalizando com o grande artísta norte americano na época Lary Adler..
o meu email, é:
ludovice7ser@gmail.com