segunda-feira, 30 de março de 2009

“Como o Soldado Conserta o Gramofone” de Sasa Stanisic


Adorei o livro.

Livro auto-biográfico, muitíssimo bem escrito, que recorre a Alexander (que na minha opinião protagoniza o próprio autor), uma criança invulgar, para recuperar as memórias de uma guerra com todos os seus horrores.

Natural de uma pequena cidade Bósnia onde vivia quando estalaram os conflitos com a Sérvia, Alexander assiste a alguns momentos da guerra que se instala antes de fugir com a sua família para o sul da Alemanha.

São as suas memórias que aqui podemos ler. Simplesmente, essas memórias são-nos transmitidas de uma forma tão pueril, tão poética e por vezes até tão cómica que torna o que é narrado absolutamente hediondo; um murro no estômago. Torna-se dificílimo suportar o relato das atrocidades inerentes à guerra, contadas da forma ligeira com que normalmente nos surgem as recordações de infância.

Nem o facto de Alexander, um rapaz que, tal como o seu avô, adora contar histórias e, como tal, vai salpicando as suas memórias de fantasia, torna o relato menos avassalador.

É talvez esse o segredo do livro; contar-nos a guerra sem nos sovar com as enormidades nela cometidas tornando-a assim mais insuportável.

Irei estar atenta a esta nova vaga de escritores que surge de Leste. A amostra promete.

domingo, 29 de março de 2009

Tempo para um pouco de música clássica

Depois de ter assistido a uma surpreendente interpretação do conto de José Régio "Menina Olímpia e a sua criada Belarmina", cheguei a casa e achei que era tempo de música clássica.

Deixem-me compartilhar convosco este "Duet des chats" de Rossini que não pode ser mais a propósito; ou não seja eu a Donagata!



sexta-feira, 27 de março de 2009

Esse fio delicado...

(Imagem daqui)

Sinto-me presa, agarrada,

por um fio delicado,

que não me deixa voar.

Sinto que quero soltar-me.

Não sei de quem nem de quê…

Pretendo apenas sonhar.

Mas esse fio delgado,

quase invisível, disfarçado,

não desiste de me laçar.

É indestrutível, pertinaz,

tem uma força brutal.

E dessa forma me segura,

de modo tão eficaz,

que não é sonho, é amargura,

o sentir que eu sou capaz.


Donagata em 2009-03-27

quinta-feira, 26 de março de 2009

What a Wonderful World




De facto que mundo maravilhoso poderíamos ter se tomássemos como exemplo os animais.
Os tais! Os supostamente irracionais...

Deliciem-se já que raramente o podemos fazer com pessoas.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Desafio com muita pinta.

(Imagem: "Gatos desafiando-se" de Goya, Museu do Prado)

Mais um desafio a que eu não posso deixar de corresponder pois é dos mais engraçados que me propuseram.

Desta vez foi a BlueVelvet que me meteu nestes assados.

Então é assim:

Terei de escrever nove coisas aleatórias acerca de mim. Dessas nove, seis serão verdadeiras e três serão rematadas mentiras.

Depois reenvio o desafio a outros eleitos.

Quem receber o meme, deverá postar primeiro as três coisas que lhe pareceram mentira de entre as que escrevi e depois, cumprir os restantes requisitos. Ou seja escrever as nove coisas a seu respeito e reencaminhar para os tais eleitos os quais devem proceder da mesma forma.

Em relação ao que a Bluevelvet escreveu achei mentira o seguinte: *

· O país onde gostaria de viver era o Brasil pois julgo que é Estados Unidos mais propriamente Nova Yorque.

· Foi recebida em audiência pelo Papa João Paulo II

· E jantou e passou uma noite com o Alain Delon no Hotel Ritz

Cumprida a primeira parte passo agora às minhas habilidades:

· Fui ameaçada de prisão numa viagem de avião.


· Numa ocasião respondi ao Sr. General Ramalho Eanes algo parecido com isto: _ “o meu filho tem uma máxima que diz que as palavras «demasiado» e «chocolate» não devem nunca ser usadas juntas, não combinam. Eu estou inteiramente de acordo com ele. Apenas substituo apalavra «chocolate» por «boa disposição».


· Adoro conduzir mas tenho imensa falta de orientação.


· Enquanto conduzia uma auto-caravana, fiquei sem o rodado traseiro direito (duplo), tendo sido ultrapassada pelos 2 pneus.


· Numa viagem também de avião, arrombaram a porta da casa de banho enquanto eu me encontrava lá dentro a meio de cumprir os meus mais prosaicos propósitos.


· Consigo ler dois livros ao mesmo tempo sem problemas.


· Já obriguei uma funcionária de um estabelecimento comercial a tirar um fato da montra sob ameaça de chamar a polícia, avisando-a, contudo, que não iria levar o referido fato, apenas porque era a sua obrigação.


· Adoro chá.


· Adoro passar férias em países tropicais, bem quentes e, contudo, não suporto expor-me a temperaturas elevadas.

Agora passo a palavra aos seguintes blogs:

Defender o Quadrado , Petit déjeuner à Paris, Water Dreams in My Sleep, Caixa de Costura e Miluzinha.

*Esta parte, no meu caso já não faz muito sentido pois a Blue Velvet já me fez este desafio há imenso tempo e, por isso, eu até já sei o que acertei e o que errei. Contudo, coloquei aquilo que realmente, na ocasião achei que era aldrabice.

No dia 6 de Abril, revelarei aqui quais as afirmações verdadeiras e quais as falsas. Obviamente que todos os visitantes podem e devem deixar em comentário os seus palpites.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Cosmos. mais um episódio



Como prometido, neste ano dedicado à Astronomia, um pouco mais de Carl Sagan na série "Cosmos" que, embora muito antiga (tem 29 anos, se não estou em erro), continua a ser muito boa e bastante actual na maioria dos conceitos que de uma forma tão simples nos transmite.

“Para a minha irmã” de Jodi Picoult


Confesso que tenho alguns preconceitos! Creio que nada de muito grave, mas que os tenho, tenho.

Um dos maiores de que me dou conta é a dificuldade que tenho em comprar livros daqueles autores que produzem best-sellers todos os dois meses…

Devo dizer que é o caso de autores como Nora Roberts, Nicholas Sparks, e outros de que agora não me recordo. Todos eles com romances de fazerem chorar as pedras, alguns já adaptados ao cinema, mas que, sinceramente, mesmo lendo cuidadosamente as sinopses, não me convencem. Volto a confessar: sou preconceituosa!

Contudo deu-se o caso de uma amiga minha me ter emprestado um livro de Jodi Picoult (mais uma no saco dos estigmatizados) e eu resolvi lê-lo de imediato. Além de preconceituosa sou ainda mais curiosa… (estou, nitidamente, em dia de confissões).

Pois bem. Aqui vai, como habitualmente, a minha modestíssima opinião sobre o que li.

Comecei a ler o livro e, de imediato me apercebi que, em termos de qualidade literária não era nada de espantar. Um livro de leitura leve, sem pretensões. Contudo, devo dizer que fiquei prontamente apanhada pela história. Como já esperava continha todos os ingredientes para nos bulir com o sentimento mais à flor da pele.

Quando dei por ela estava já a transportar os problemas que se iam desenrolando para o plano pessoal. E se fosse eu?

Ora cá está. A receita muito bem aplicada.

Contudo, apesar de se encontrar dentro dos parâmetros que já esperava, este livro foi um pouco além das minhas (baixas) expectativas. Em quê? Podereis perguntar. No tema abordado.

É um tema que embora cumpra perfeitamente os requisitos para este tipo de livro, ir directo à emoção, aborda um problema ético grave, de difícil solução e que, em qualquer momento, pode vir a abalar uma família. Muito difícil de gerir, leva-nos a pensar. Por vezes até a contestar decisões, atitudes, omissões… sei lá!

Gostei do fim que, esse sim, foge aos tradicionais finais felizes que sempre encontramos neste género de livro.