quarta-feira, 29 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

Noite de Poemia no Labirinto


Mais uma Noite de Poemia, no Labirintho, a não perder!


No Labirintho, a "Noite de Poemia" da próxima quarta-feira, dia 29, horas, terá em destaque a apresentação poética do livro "O Céu sobre Berlin", de Danyel Guerra.

Durante a sessão, que se inicia às 22h00, serão lidos, por Celeste Pereira e José Carlos Tinoco, trechos da obra e poemas de Sophia de Mello, Ana Cristina César, Hilda Hilst, João Cabral de Melo Neto, Jorge Luís Borges, Olavo Bilac e Danyel Guerra.

Em "O Céu sobre Berlin", Danyel Guerra evoca o derrube do Muro de Berlin, sensações e perplexidades expressas numcroniconto fantasista, misturando uma realidade pungente com uma fabulação luminosa. O livro integra ainda mais nove "estórias de estrada", crónicas encenadas nas cidades espanholas de Bilbao, San Sebastián, Vitoria, Getaria, Barcelona, Oviedo e La Manga del Mar Menor. E ainda uma ode pícara, inspirada na obra da escritora Hilda Hilst.

No final do evento, Danyel Guerra estará disponível para uma sessão de autógrafos de "O Céu sobre Berlin".

domingo, 26 de junho de 2011

“Auto dos Danados” de António Lobo Antunes

Mais um livro de ALA que ainda não havia lido. E mais uma leitura interessante e estimulante como já me habituaram as leituras dos muitos outros livros que li do autor.

Este passa-se no ano de 1975. Ano conturbado em termos sociais e políticos, ainda no rescaldo do 25 de Abril.

Fala-nos de uma família decadente, de antigos latifundiários, algures no Alentejo. Família onde reinam o desamor, a ganância, o rancor, a raiva, a cobiça entre os seus elementos. Uma família completamente disfuncional (não é novidade nos livros de ALA) em que os elementos que a constituem se encontram ligados por sentimentos sórdidos que os empurram uns contra os outros mas que, ao mesmo tempo, os impelem uns para os outros prendendo-os numa teia dificilmente compreensível. Pelo menos dificilmente explicável.

Embora a história vá sendo narrada em diferentes tempos e por diferentes personagens dando, de cada uma, o seu ponto de vista de uma mesma realidade, esta passa-se, como já disse, no ano de 1975 durante a agonia e morte do chefe do clã, Diogo.

Diogo, o patriarca duro, prepotente, violento, mulherengo, licencioso, distante, está prostrado, agonizante, no leito de morte enquanto os seus sucessores de digladiam surdamente na mesma casa. A filha e o genro procuram afanosa e desrespeitosamente o testamento, numa tentativa de espoliar os outros membros dos respectivos direitos sucessórios. Tudo isto enquanto a festa da localidade prossegue com os foguetes, a música, as vendas de rua e…a morte do touro pela populaça. Este acontecimento, o auge da festa, altura em que todo o povo se encontra inebriado pelo sangue e pela crueldade gratuita, é também o fim do velho morgado.

Com uma escrita intensa sobretudo sob o ponto de vista de riqueza psicológica das personagens, ALA vai-nos conduzindo através dos sentires de todas as personagens, mas também dos seus mais recônditos podres, dando-nos os instrumentos para compormos o retrato desta família que, sem dúvida, será o retrato muito próximo de tantas famílias burguesas dessa época em que as mudanças sociais se davam com extrema rapidez e a burguesia se sentiu acossada e amedrontada pelo proletariado e campesinato em ascensão.

Não é um livro de leitura linear. Não o são os livros de Lobo Antunes. Não tem como característica, todos sabemos, facilitar a vida ao leitor. Contudo, apesar de não haver sequência temporal nem factual nas diegeses feitas pelos diferentes narradores (neste livro o autor demite-se do papel simultâneo de narrador), não é dos livros mais trabalhosos de ler.

Recomendo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Hoje não há tripas no Rivoli!!!!


- Oh Sr. Siva, Sr. Silva!!!! Largue-me as orelhas, carago, que ainda mas arranca!!! Assim gritava o pobre Joaquim, aprendiz de cozinheiro, enquanto o Chefe Andrade, com ganas nunca imaginadas, lhe puxava, torcia e rolava os apêndices auditivos, já de tamanho considerável mesmo sem estas inesperadas ajudas. E, enquanto ia puxando, torcendo e rolando vociferava cada vez mais encarniçado, lançando impropérios ao rapaz e a toda a sua família (sobretudo à mãe, a D. Adozinda , por acaso senhora de muito respeito). Enquanto isso, ia ainda tecendo conjecturas acerca de todos os acessórios que gostaria ainda de lhe arrancar além das já citadas orelhas.

Mas vamos lá ver a que se deve tamanho rebuliço na normalmente calma cozinha do Chefe Andrade.

Pois bem, era sexta-feira, 10, do mês de Junho, dia programado para a tão badalada e esperada abertura do restaurante do Café-Teatro Rivoli. Ora, como se trata de um ícone portuense nada melhor para constar no cardápio, com honras de prato principal, do que umas tripinhas à moda do Porto. Iguaria que desde os tempos em que as donas de casa, desesperadas com a falta de carne que haviam enviado para os marinheiros que se faziam a Ceuta, se tinham agarrado às miudezas, se tornou de comer e chorar por mais. É verdade. Sempre criativas estas gentes do norte. Ainda por cima num dia tão importante como o “Dia de Portugal”… Há lá coisa mais portuguesa do que umas tripas à moda do Porto????

- E estava tudo a correr tão bem!!!! Gemia o Sr. Andrade, agora sem pose de chefe, abatido e desgostoso, enquanto o Joaquim o olhava de uma distância segura e com a grande mesa da cozinha de premeio não fosse o diabo tecê-las…

- O feijão já cozido e tão tenrinho, as restantes carnes… um luxo. E as tripas? Ai as tripas!

Será melhor ser eu a explicar o imbróglio. Até porque, na verdade, nem o Sr. Andrade nem o Joaquim estão capazes de o fazer.

Coube ao Joaquim, como habitualmente, a tarefa de ir buscar as tripas. E lá foi muito satisfeito por poder arejar.

O talho fica ali para os lados do Largo de S. Domingos, bem perto da Ribeira, local onde vive o Joaquim. Já na posse do saco das tripas não resistiu e foi dar uns toques na bola com alguns dos seus amigos que, supostamente fora do horário lectivo, por ali andavam a treinar para Ronaldo. Pousou as tripas em cima de um pilar e toca a dar na bola como se não houvesse amanhã. Tinha jeito o ganapo. E, mesmo quando estava em pleno Estádio do Dragão pronto a mandar um limpinho, sem resposta, ao guarda-redes do Benfica (Roberto nem ia perceber o que lhe tinha acontecido, como habitualmente, aliás…) é interrompido por uma cacofonia de latidos rosnidos e ganidos… E, quando olhou, ainda vislumbrou as tripas a escorregar pelo saco e uma matilha de cães a disputá-las… Foi aí que também as suas quase cederam tal foi o medo da reacção do Chefe Andrade, homem habitualmente calmo, é certo, mas capaz de actos imprevisíveis quando fora de si.

Lá ganhou coragem (foi necessário muita…) e regressou à cozinha onde tudo se passou como descrevi depois de o Joaquim entrar e, quase da porta declarar:

- Bom, chefe… Ah… Uh… Ah… Hoje não há tripas no Rivoli!!!!! Dei-as aos cães…


Este texto foi escrito para um "Clube de Escritores" que não chegou a realizar-se. O mote tinha de ser este. Não fui eu, obviamente, que escolhi...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sessão de autógrafos


Pois bem, é já amanhã.

Estarei a partir das 17 h no stand do Clube Literário do Porto para dar autógrafos e conversar com os amigos que queiram estar comigo.

Ah, é verdade, há uns miminhos...

Apareçam. É o stand com os autores mais supermaravilhosos. Digo-vos eu que sou absolutamente isenta...

Senão vejamos. Comigo
irão estar, pelo menos, a Maria Sofia Magalhães e o Albino Santos.


Quando terminarmos seremos rendidos pelo Danyel Guerra.

Querem melhor???
Impossível.

"Bordar a Vida" 2ª Edição

Como tenho andado distraída!!!!

E logo uma notícia tão importante!
Valham-me lá os santinhos mais adequados à situação. É que nem parece meu, perder uma oportunidade de me exibir!!!
Bom, mais vale tarde do que nunca.

Ora aqui vai. Esgotou a 1ª Edição do "Bordar a Vida", este:


já está na minha posse a 2ª Edição. Tão lindinho, não é???? Estou muito babada de orgulho.

quarta-feira, 1 de junho de 2011


No dia que lhes dedicamos (não deveriam ser todos?) aqui vai um texto que nos revela como são MARAVILHOSAS as CRIANÇAS.

Ei-las a dissertar sobre as Avós...


Uma avó é uma mulher que não tem filhos; por isso gosta dos filhos dos outros.

As avós não têm nada que fazer, é só estarem ali.

Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as folhas bonitas nem as lagartas.

Nunca dizem: despacha-te. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem atar-nos os sapatos.

Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo, ou uma fatia maior.

Uma avó de verdade nunca bate numa criança; zanga-se, mas a rir.

As avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes.

Quando nos lêem histórias nunca saltam bocados e não se importam de contar a mesma história várias vezes.

As avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.

Não são tão fracas como elas dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós.

Toda a gente deve fazer o possível por ter uma avó, sobretudo se não tiver televisão.


(in "Enfants de Partout" - Composição de crianças de 8 anos - Genebra)