sábado, 17 de maio de 2014

Maio


Flores de Maio "Chez moi"
Ainda tão moço este Maio,
Mal sacudiu o aroma dourado das giestas que lhe adoçaram a madrugada e já se adivinha aquele calor feito de cores muito novas e muito frescas e muito macias das flores; de todas as pétalas muito lavadas pelas neblinas fininhas das manhãs.

Tão moço este Maio…
sem sombras, de primaveras maduras, de dias muito definidos, muito grandes, muito bonitos que antecipam entardeceres de perfumes rosados e muito doces, de vozes amolecidas, de cantos cálidos que se dissolvem nas arestas das cores e nos emocionam pelo deslumbre.

Este Maio
gordo de mães, de Marias, de Marias que são também mães, de cerejas túrgidas e macias e muito doces, de raios de sol envaidecidos que tropeçam nas cortinas, que são as folhas muito verdes e muito frescas, e nos roçam como carícias.

Maio
sem remorsos, todo feito de amanhãs urgentes, de vozes paralelas, de passados curtos, quase sem vincos em que se emendem memórias.

E o feitiço dos amanheceres maiores do que o mundo, das horas que se enrolam em sonhos brandos, dos espaços que se confundem, dos silêncios do tamanho de todos os silêncios…

E o sortilégio das palavras que podem ser belas, e são, e que fazem de cada ser
um poeta.


2014-05-11