quarta-feira, 30 de julho de 2008

"A Fenda" de Doris Lessing


Excelente livro. Apresenta-nos, de forma efabulada, belíssima e incrivelmente imaginativa, o desenvolvimento da espécie humana a partir da mulher. Esta, confinada e acomodada ao seu reduto, dominado pela “Fenda” e pelo mar, era única. Ela própria uma “fenda”. Vai-se reproduzindo por partenogénese, controlada pelos ciclos da lua, nascendo sempre fendas.

Vê o seu mundo vacilar quando, contrariando tudo o que conhecem, começam a nascer os “monstros”…

Escrito de uma forma muito original, a narrativa vai-se desenvolvendo através do testemunho de um patriarca romano, historiador, que tem consigo documentos baseados nos testemunhos orais dos primevos.

Muitíssimo bom. Um verdadeiro bombom literário. Confirma a opinião com que já havia ficado da autora quando li “O Sonho mais Doce”.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Sonho?

(Imagem: Widowmaker by Thomas Hoyne)

Já anoitece! Caminho só pela orla do mar.
Imprimo marcas fundas, de pés irados.
E logo uma língua de água as vem apagar
com longos beijos frios e molhados.

Desenho na areia sulcos ao acaso
movendo os pés como se bailasse!
Deslizante, prossigo e até a onda atraso
que avança e recua, como se me afagasse.

E agora, quieta, beijada pela espuma,
que fervilha em torno dos meus dedos,
imagino, ao longe uma velha escuna
que ergue as velas entre ondas e rochedos.

E acreditem que até consigo distinguir.
Iluminados por um raio de luar
tristes fantasmas que teimam em surgir
no velho barco que também teima em vogar.

domingo, 27 de julho de 2008

"O cais das merendas" de Lídia Jorge


Romance de formato original que nos conta, com grande perícia, algumas mudanças que se verificaram na sociedade rural portuguesa após as circunstâncias históricas que as determinaram ( o “25 de Abril”), bem como os problemas causados por essa nova dicotomia com que se confrontavam as pessoas: tradições/novos costumes.

A história centra-se num hotel que vai explorar um qualquer paraíso turístico até aí ignoto e vai provocar o confronto dos costumes dos locais, que aí se empregam, com novos hábitos, novas línguas, novos costumes, num processo penoso de aculturação (ou de colonização cultural) em que as personagens vão perdendo a sua ancestral identidade sem que, todavia, se identifiquem com a outra, mais mundana, com que são confrontados.

Assim, é nos momentos em que o hotel fica vazio que sentem necessidade de recorrer às parties, aos barbecues e às nocturnas, que substituem as ultrapassadas merendas, onde se embriagam e dão largas aos sentimentos mais profundos fazendo desfilar os seus medos, as suas inseguranças, os seus desamores, as suas desilusões. Enfim, o seu desenraizamento.

Mais um que vale a pena ler.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

1º Aniversário

(Imagem: Durante as comemorações...)

E não é que este “bloguinho”, o meu “Ponto de cruz” está de parabéns!
Pois é, faz hoje um aninho.

Quem diria?! Ainda há pouco dava os primeiros passos na blogosfera. Hesitantes, inseguros na sua ignorância; maravilhado com o mundo de possibilidades que se abria à sua frente, indeciso quanto aos conteúdos…
E agora? Agora é vê-lo: hesitante, inseguro maravilhado e tão indeciso como no primeiro dia. Mas uma coisa é certa, tem-me permitido muito bons momentos.

Na verdade o blogue é o reflexo de tudo aquilo que eu sou: das minhas indecisões, das variações de humor, dos dias de parvoíce, de outros mais sérios, daqueles em que pretendo dissimular um estado de espírito, dos desabafos, das irritações… até do ponto de cruz!
Enfim, sou uma generalista!

Tenham paciência, mas tem sido uma actividade tão gratificante para mim, tem-me trazido tão boas surpresas e proporcionado tanto prazer que, aqui fica a ameaça:
- Vou continuar!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Eu fui à Academia das Ciências!

(Imagem: O belíssimo Salão Nobre da Academia das Ciências)


Pois bem, embora com alguma falta de tempo para escrever (devido à minha intensa vida social!!!), não posso deixar de partilhar convosco aquilo que foi, para mim, uma experiência deveras interessante.

Assisti, pela primeira vez, a uma sessão na Academia das Ciências de Lisboa. É verdade. Aí fui eu, trezentos e tal quilómetros para lá (e, claro, outros trezentos e tal para cá), para assistir à primeira intervenção do General Loureiro dos Santos como membro de tão vetusta Academia.

Pela primeira vez, após mais de trinta anos, está presente na Academia um militar. O General Loureiro dos Santos vem assim suprir uma lacuna e perpetuar uma tradição: a existência de académicos militares, substituindo o lugar deixado em aberto pelo também General Câmara Pina (1904-1980).

A intervenção intitulada “O coração da Eurásia contra o resto do mundo” insere-se num tema mais abrangente; A geopolítica e as relações internacionais.
Foi, na minha opinião de leiga, de grande interesse e exposta de forma muito clara, sendo a sua compreensão acessível a todos mesmo aqueles que, tal como eu, não são especialistas nestes assuntos mas apenas curiosos acerca deles.
Obviamente que não irei tecer comentários à apresentação. Apenas poderei dizer que gostei da forma lógica como foram sendo referidas as diversas teorias existentes acerca da localização dos centros estratégicos de poder (político, económico, militar), das suas evoluções, das suas consequências e das suas causas, até chegar a uma visão própria, muito clara e muito lógica, quanto a mim, dos novos equilíbrios das forças geoestratégicas tais como se apresentam ou tendem a apresentar na actualidade.

Esses centros, a que o General chama de “Ilhas de Poder Global” (“Ilhéus de Poder Global”, “Semi-ilhas de Poder Global” e “Quase-ilhas de poder Global” conforme tenham já uma grande expressão de poder regional com tendência a aumentar; possuam grande potencial para se tornarem Ilhas de poder mas também grandes vulnerabilidades que o inviabilizam; contenham atributos de irradiação de poder com expressão mundial e estejam a caminhar por uma estratégia política tal que as poderá levar de facto ao exercício de poder local), serão aqueles espaços geoestratégicos com características tais, em termos de atributos e condições de poder, que lhes permitem exercer globalmente a sua vontade tornando-se preponderantes.
Esses atributos e factores de poder repousarão não só na localização geográfica, na demografia, no poderio militar mas, sobretudo, na importância vital de que se revestem actualmente alguns recursos como os energéticos, os hídricos, os alimentares, as matérias-primas industriais, os quais influenciam também os sistemas financeiros mundiais (muitas vezes especulando em relação aos valores reais), criando fortes tensões entre países que possuem os recursos e aqueles que os não possuem.

Afinal, ao contrário do que havia dito de início, já me alarguei em explanações muito mais do que deveria, sujeitando-me, naturalmente, a alguma interpretação incorrecta em relação àquilo que foram os propósitos do General Loureiro dos Santos na sua intervenção.
Desde já aqui ficam as minhas desculpas mas, como o povo diz e bem, “a conversa é como as cerejas” e eu, para mal dos meus pecados, sou uma muito frondosa e produtiva cerejeira (de palavras).

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Rejubilem! O problema não está na genética!


Continuamos num momento em que os olhares de muitos estão ainda inclinados para a análise crítica do grau de proficiência dos nossos alunos sobretudo na área, sempre delicada, da Matemática. Assim, após um estudo cuidadoso dos resultados do PISA (Programme International for Student Assessment)2006 cujo enfoque se centra sobretudo na área das ciências e depois de relembrados os de2000, mais virados para a literacia na língua materna e os de 2003 centrados sobretudo no estudo da Matemática, concluí o que era já, mais ou menos, do conhecimento geral:
A situação média dos resultados dos estudantes portugueses, sobretudo no que concerne à literacia matemática, continua a ser preocupante se comparada com os alunos dos países da OCDE e alguns outros que também aderiram ao estudo.

Nota: No estudo de 2003, exactamente aquele cujo enfoque se centrou na Matemática, não foram publicados os resultados do Reino Unido uma vez que não estavam compatíveis com as taxas mínimas de resposta acordadas pelos países da OCDE para que os resultados deste estudo fossem fiáveis e internacionalmente comparáveis.

Várias estratégias estão a procurar ser desenvolvidas nas escolas tentando ultrapassar este estado indesejável (algumas começam, aparentemente, a dar os seus frutos), mas, há sempre a tendência de ficar com a ideia que nós, portugueses, sofremos de algum problema genético que faz com que os professores sejam incapazes de ensinar, de motivar os alunos e estes, por sua vez, se apresentem totalmente desprovidos “daqueles neuroniozinhos” que lhes possibilitariam adquirir tão preciosas competências.

Rejubilem, meus amigos. Não é bem assim. Afinal há incompetentes em todas as línguas!
Aqui vão alguns exemplos. Imaginativos, sem dúvida, mas denotando uma total falta de competências matemáticas e científicas
.

domingo, 20 de julho de 2008

Quase não vi o mar...

(Imagem: Fotografia de Joana Almeida - Bodrun)

Estou perto do fim de Julho e quase não vi o mar!
Que saudades do seu mistério, da sua espuma, da sua cor,
das algas, do seu cheiro, dos seus lamentos, do seu fragor,
do seu frio toque, da vastidão, do seu lascivo ondear.


Estou quase no fim de Julho e tão distante do mar!
Será preguiça? Temor? É um medo que sinto ter,
que em fitando o seu azul, ao meu olhar estender,
me surjam recordações que prefiro deslembrar!

"O Silêncio" de Teolinda Gersão


Considero o livro de mais difícil leitura dos que já li da autora.

Um romance de amor em que as personagens vagueiam e se amam em mundos que não se tocam, gerando o silêncio.
A narrativa vai entrecruzando diálogos e silêncios. Estes, os diálogos, ora são exposições, confissões de sentimentos que nem sempre estão colados à personagem que os exprime, ora são absolutamente imaginários e irreverentes, formando círculos, espirais que tendem a ser rectificados (conduzidos a uma linha recta) por Afonso criando o inevitável silêncio.

Tecnicamente muito bem escrito, muito próximo da desconstrução, expõe a grande complexidade das relações dos pólos masculino e feminino.

sábado, 19 de julho de 2008

Manhã

Estar contigo ao acordar, ver como
se abrem as tuas pálpebras, cortinas
corridas sobre o sonho, sacudir dos
teus lábios o silêncio da noite para
que um primeiro riso me traga o dia:

assim, amor, reconheço a vida que
entra contigo pela casa, escancara
janelas e portas, deixa ouvir os pássaros
e o vento fresco da manhã, até que voltas
para junto de mim, e tudo recomeça.

Nuno Júdice de "Pedro lembrando Inês"
Imagem da net


"Tudo é Fatal" de Stephen King

Título do livro de Stephen King que reúne alguns dos seus últimos contos e título, também, de um deles.
Curioso o significado da palavra “fatal” no conto. Segundo Pug, amigo da personagem principal do referido conto, “fatal” seria o mesmo que “uma coisa mesmo muito boa”, uma coisa “bestial”…

Aqui voltei a encontrar, em cada conto (nuns mais do que noutros), o Stephen King que eu esperava, o mestre do seu estilo. O autor que domina na perfeição as técnicas e truques do thriller, do suspense, do terror. O autor que descreve com sabedoria um ambiente, que caracteriza com aparente simplicidade as personagens, que faz evoluir as suas histórias num crescente dramático até ao seu clímax na maioria das vezes inesperado e singular.

Talvez porque seja um profundo conhecedor da natureza humana consiga, de uma forma tão eficaz, criar situações que, sob a aparência de um quotidiano simples, normalíssimo, acabam por se tornar bastante assustadoras.
Conduz-nos, quase sem nos darmos conta, através de arrepiantes momentos de leitura que podem oscilar entre, a ternura, o medo, a expectativa e o inesperado.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Quem disse que não seria possível?







Porque não podemos nós agir assim?
Porque teimamos em não respeitar as diferenças?
Porque não conseguimos agir como humanos?

domingo, 13 de julho de 2008

"Carta de uma desconhecida" de Stefan Zweig


Simplesmente a mais bela carta de amor escrita por uma mulher não amada, algum dia por mim lida!

A linguagem simples, porém bela, o seu estilo fluido, a delicadeza na abordagem dos sentimentos, a forma de emocionar, tudo conduz à concretização de um livro absolutamente sedutor.

Sessenta e três páginas de puro fascínio.

"Fantasia para dois coronéis e uma piscina" de Mário de Carvalho


Como já nos habituou, o autor mais uma vez desenvolve uma crítica social jocosa: aos costumes, ao pensar do novo-riquismo (a piscina será um dos símbolos), ao hábito, muito nosso, de falar incessantemente embora escasseie o assunto e, portanto, não se diga nada.

Escrito em bom e rico português (também como habitualmente), embora simples e bem-humorado. A “acutilância” que também caracteriza Mário de Carvalho, junto à sua perícia na escrita, tornam o livro “viciante”.

O real cruza-se com o mais improvável imaginário, constituindo um todo coeso e complementar.

As personagens, sobretudo as cinco principais, vão entrelaçando as suas vidas, deliciosamente reais, concebendo uma trama onde assenta, além da crítica social já abordada, um sentimento de declínio do qual sobressai o ridículo das acções humanas e dos costumes de uma determinada sociedade.

O autor coloca-se por diversas vezes na qualidade de personagem de forma a realçar alguns aspectos, chegando até a “dialogar” com o leitor.

Gostei muito.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Não sei porque não sei escrever poemas de amor!

(Imagem: "Reading love poems" autor desconhecido)

Não sei porque não sei escrever poemas de amor!
Não sei porque se me escapam as palavras necessárias
E se vão desvanecendo, lentamente, com pudor.

Não sei porque não sei escrever poemas de amor!
Porque se embrulham embotados estes dedos no teclado
Tocando em letras, à sorte, para apenas as descompor?

Não sei porque não sei escrever poemas de amor,
Se o que sinto é tão presente, tão intenso, tão pungente,
Que me verga, me aniquila, num mando avassalador!

Se escrevo mesmo o que não sinto, de modo arrebatador
Burilando as palavras, versejando com fervor,
Porque será que não sei, escrever poemas de amor?

domingo, 6 de julho de 2008

Tertúlia

Lá concluímos, com sucesso, a nossa espécie de tertúlia no Solmaia. Não foi uma sessão com um número exagerado de pessoas o que a tornou muito agradável porque mais intimista e informal. Éramos um grupo de amigos que se deliciava a ouvir e a dizer poesia, muito bem acompanhados à viola pelo Luís e pelo Chico.

Foi uma sessão ecléctica até porque a ideia era cada participante dizer o poema ou poemas que mais o tocasse; o poema da sua vida.

Assim, passámos pelos incontornáveis Fernando Pessoa, Pablo Neruda, Garcia Lorca, Florbela Espanca, Sophia de Mello Breyner e Andressen, Vinícius de Morais, Chico Buarque, Miguel Torga, Mário Quintana, José Carlos Ary dos Santos, António Gedeão e por outros que, estou certa, o virão também a ser como Maria Sofia Magalhães.
Lemos também poemas de poetas ainda não tão conhecidos mas, nem por isso, menos interessantes e promissores. O caso de Inês Torres, Ana Grama, Ruth Ministro, Pedro Branco e, pasme-se, até tiveram o desplante de ler alguns meus.

A tarde acabou da melhor forma com a maravilhosa interpretação, cantada, da Ana Sofia (que tem uma voz surpreendentemente bela) do poema de Carlos Tê, “Porto Sentido”, acompanhado à viola pelo Chico. Claro que todos fizemos coro o que nos deu um gozo imenso mas não beneficiou lá muito a canção.

Os momentos só de viola, todos improvisados, foram também deliciosos.

Enfim, na minha opinião, uma belíssima forma de passar uma tarde de domingo!
(Imagem: "Poetry reading" by Shery)

"A rapariga que inventou um sonho" de Haruki Murakami

Terminei-o ontem e, como já havia acontecido com os que tinha lido anteriormente deste autor, foi de leitura um pouco viciante.

Confesso que de início fiquei um tanto desconcertada pois se trata de um livro de contos e comecei por achá-los muito curtos para apreciar o que Murakami tem de muito bom: a forma como consegue aliar a fantasia à mais prosaica das realidades; o jeito que tem de transformar o acto humano mais natural e comezinho em algo de absolutamente fantástico, por vezes a roçar o surreal, deixando-nos atónitos pelo inesperado desfecho e, por vezes até, pela falta dele.

Todavia, à medida que ia avançando, fui-me familiarizando com este novo formato, tendo tirado dele o mesmo partido que dos romances que li.
Composto por 24 contos escritos entre 1981 e 2005, que patenteiam a qualidade do autor.
Escrita fluida, atraente, clara, reúne os temas que, na minha opinião, lhe são mais caros: a junção de acontecimentos inexplicáveis, fantásticos, aos pássaros, aos gatos, ao jazz, a uma certa melancolia das personagens, às coincidências…

Sem dúvida, a ler.

sábado, 5 de julho de 2008

Espécie de Tertúlia



É amanhã, nas instalações do Solmaia. Se gostas de ouvir ou dizer poesia e música em companhia de gente muito fixe, aparece.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

"Poesia in Progress"

Mais uma sessão de “Poesia in Progress”e mais uma participação minha.
Desta vez destinava-se a divulgar novos talentos (e há tantos!) que andam por aí perdidos, esquecidos, guardados em gavetas, sem que lhes seja dada a oportunidade de se mostrarem.
Como sempre, a Poetria (leia-se Dina), com a sua extraordinária sensibilidade e amor pela poesia, lembrou-se de lhes abrir uma janela (a esses poetas escondidos).

E lá fui eu. Desta vez coube-me dizer poemas de Ruth Ministro. Uma jovem, e passo a citá-la, “Apaixonada por todas as formas de cristalização da arte, sempre usou a escrita como meio de eternização dos estados de alma. Os sentimentos são a sua matéria-prima, a poesia a obra final”.
Mais conhecida no meio bloguístico por Nuvem, por ter sido através do seu blog, “A minha nuvem”, que começou a partilhar com todos as suas palavras. Desenvolve-as concretizando sentimentos, emoções, estados de alma, de uma forma simples, sem floreados desnecessários, profundamente sentida, mas de efeito belíssimo e tremendamente envolvente.

Tive sorte, portanto, com os poemas que me couberam. Espero que a Nuvem tenha sentido que teve a mesma sorte com a forma como foram ditos.
Terminei a minha participação dizendo um poema diferente. Repleto de paixão, muito forte, mas mais hermético, mais enigmático, pejado de mensagem, um hino à saudade… Portanto, muito mais delicado de dizer. Nestes casos é sempre difícil para quem diz saber se entrou no espírito do poema, se lhe descobriu totalmente a alma.

O poema é de César Augusto e trata-se de uma homenagem a Garcia Lorca.
Espero, muito sinceramente, que não tenha sido para o César uma desilusão a forma como procurei interpretá-lo…