sábado, 28 de agosto de 2010

I'll Be Back!


Estou ainda algo incrédula. Já me belisquei umas quantas vezes e fui outras tantas verificar os vouchers.

Mas, afinal, parece ser verdade:

-VOU A BANHOS!!!!!!!


Vá lá, não fiquem tristes. Além de ser por pouco tempo, I'll be back!

Aproveitem o intervalinho.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Noite de Poemia no Labirintho

Porque o Labirintho é o Labirintho.;
Porque precisamos urgentemente de muitos "Labirinthos" que nos alimentem a alma à medida que podemos regalar os palatos e conviver com amigos;
Porque irão ser apresentados belíssimos poetas naquele ambiente que podia muito bem ser a nossa casa;

Eu estarei lá...


Quarta-feira, dia 25, às 21h30



“NOITE DE POEMIA”



BRASÍLIA...POUSO A MÃO NO TEU PEITO –

OS POEMAS QUE A NOVA CAPITAL INSPIROU








Clarice Lispector, Ana Cristina César, Ruy Belo e Vinicius de Moraes

são alguns dos poetas que participam na "Noite de Poemia" dedicada

a Brasília, que se realiza quarta-feira, dia 25, às 21h30 no Bar Labirintho, Porto.

Assinalando a passagem dos 50 anos da capital do Brasil, esta sessão de poesia

revelará outras criações literárias, entre poemas e crónicas, inspiradas pela cidade

construída de raiz, em quatro anos, no Planalto Central brasileiro.


Manaíra Athayde, Carlos Jorge Mota, Celeste Pereira, Danyel Guerra e Inêz Mota

farão as leituras desta sessão que interage com a exposição

"Brasília 50 anos: Nas Raízes do Futuro", patente na galeria do Labirintho.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

“Niassa” de Francisco Camacho


Gosto, sempre que posso, de ler os novos autores que vão surgindo pois estou em crer que é neles que irá assentar o futuro da nossa escrita (obviamente) e tenho curiosidade em imaginar o seu rumo.

Por isso, mantenho-me normalmente atenta aos prémios literários que todos os anos são atribuídos. Devo dizer que, por regra, tenho tido surpresas deveras agradáveis com o que vejo surgir.

Desta feita foi a vez do romance “Niassa” de Francisco Camacho, vencedor do Prémio P.E.N. Clube Português para a categoria “Primeira Obra” em 2007.

Já o tinha cá em casa há muito para ler mas, tal como acontece a tantos outros, ia ficando em detrimento de alguns que, por uma razão ou por outra, naquele momento, se tornaram mais apelativos ou mais necessários.

Pois bem, o livro trata-se de um romance de estrutura extremamente simples; um indivíduo na casa dos trinta, residente em Cascais com um tio, com uma vida fácil e sem grande sentido que, a dada altura, decide ir em busca do seu irmão mais velho que havia ficado em Moçambique, tal como o seu pai e um outro irmão, aquando do processo de independência do país. Ele, muito jovem, (o mais jovem dos três)foi o único que ficou em Portugal não se podendo dizer, por isso, que tinha verdadeiras raízes em Moçambique.

Não se trata, por isso, de alguém que vai em busca das suas memórias. Não. Ele vai descobrindo o país ondenasceu à medida que o vai dando a conhecer ao leitor.

Bom, mas não me vou alongar na história. Deixo isso para quem for ler o livro. Apenas acrescento que o romance descreve uma viagem através de Moçambique até ao lago Niassa em que o personagem, sempre na primeira pessoa, nos vai descrevendo as pessoas, os locais, os horrores vividos por muitos, as suas histórias, a situação mais actual (que não deixa de ter os seus horrores), à medida que vai em busca do seu irmão desaparecido.

Utiliza uma linguagem simples, directa, talvez um tanto jornalística. Por vezes parece uma crónica de viagem mas outras vai muito mais além. Sem floreados estruturais sem planos justapostos ou contrapostos embora com alguns (poucos) recuos no tempo, torna-se um livro agradável de ler, ligeiro mas cativante. Quanto a mim, não tanto pelo enredo mas pela curiosidade em relação a um país que se mantém na nossa memória coberto de um véu de mistério.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Os Garamantes


Todas as imagens são de Garama a cidade antiga


Pois bem. Hoje, porque está mais um dia de calor acordei a pensar como seria viver no Sahara. É verdade. Dá-me assim para estas coisas vá-se lá saber porquê.
Ora, nada melhor para explorar um assunto do que falar com ou dos seus especialistas. Por isso hoje decidi falar acerca dos Garamantes.

E quem eram os Garamantes? Perguntarão os mais distraídos.

Aparentemente e juntando umas coisitas de que ainda me lembrava com outras que procurei para não sair uma grande asneirada uma vez que apenas pretendo efabular ligeiramente e não permitir-me a grandes desvios, tratou-se de um povo descrito quer por historiadores (Heródoto, por exemplo) quer por viajantes (Alexandre e os seus emissários…), que , há muuuuuiiito tempo (foram atacados pelo proconsul de África, Cornélio Balbo nos anos 21 e 20 a.C. a mando de Caius Iulius Caesar, vulgo Júlio César, ou teria sido Marco António? Bom, não interessa! Muito tempo, portanto.) habitou a África sahariana.


De origem berbere o povo Garamante estabeleceu-se, desde tempos imemoriais (diz-se que durante o primeiro milénio antes da era cristã) na área de Fezan e construiu, apesar das condições climatéricas adversas, um reino que constituiu a única entidade política sólida, reconhecida e prestigiada, no deserto sahariano entre o Egipto e a costa atlântica.
A sua capital era Garama e, daí, o rei controlava um extenso número de tribos que se espalhavam por um também extenso, se bem que desértico território salpicado de alguns oásis.

Embora considerado pelos romanos um povo de guerreiros do deserto, as evidências arqueológicas mostram-nos algo diferente.
Revelam-nos um povo adaptável às condições que se lhe ofereciam, próspero, que dependia, essencialmente, da agricultura.
Diz-se que também do comércio de bens que transportavam entre a Líbia e o Mediterrâneo. Contudo esta teoria não tem grande suporte em termos de documentação histórica ou de vestígios arqueológicos. Baseia-se apenas naquilo que, séculos mais tarde, aconteceu com os povos muçulmanos que aí se instalaram.

Sabe-se, porém, que cultivavam quase todo o tipo de cereais, vinha, oliveira, palma, algodão e vegetais. Desenvolveram também capacidades como o fabrico de cerâmica, metalurgia, vidro, extracção de sal e de pedras semi-preciosas.

Se é certo que esta zona, agora tão árida, o seria bastante menos no dealbar da era cristã, a verdade é que este povo construiu um sistema de irrigação, baseado em poços e condutas subterrâneas digno da mais moderna engenharia.


Procuravam lençóis de água subterrâneos e, a partir deles, canalizavam a água por um elaborado sistema de túneis, até onde necessitassem dela. Neste sistema conhecido por foggara os túneis iam tendo uma cota cada vez mais baixa do que a do lençol de onde provinham e a água era “empurrada” pelo próprio desnível.
Gente esperta! É que nem aquele sol todo a queimar a moleirinha lhe retirou ou afectou os neurónios…
Com este sistema, apesar da terra à sua volta ir secando cada vez mais, conseguiram aguentar uma evidente prosperidade julga-se que, pelo menos por mais um milénio…

Mas, tudo tem um mas, como os recursos hídricos não são eternos, também estes lençóis de água acabaram por esgotar e, com eles, a prosperidade evidenciada por este povo.


É até provável que, quando os romanos lá chegaram e, com dificuldades, acabaram por conquistar este povo, ele já não fosse mais do que uma pálida sombra do que tinha sido séculos atrás. Julga-se que os recursos hídricos terão esgotado próximo do final da era a.C. e, assim, serem descritos apenas como povos guerreiros do deserto…

E, tenho dito embora muito mais houvesse a dizer sobre este povo. E outros, claro. Só que agora não me apetece.

sábado, 14 de agosto de 2010

Até um dia...


Foi-nos ainda concedida mais uma noite contigo. Embora o não quiséssemos admitir sabíamos que seria a última. Sabia-lo tu, estava bem patente no teu olhar e sabíamo-lo nós.

Fizemos uma cama no chão, ao lado da tua, para te acompanhar neste momento difícil. Passámos a noite ao teu lado. Mais a Ana do que eu que, sem mesmo saber porquê, me senti completamente derrubada e incapaz de manter os olhos abertos. Merecias mais do que isso Carlota! Tu, a mais atenta das minhas gatas. A mais presente, a mais comunicativa, a mais senhora da sua vontade que era, na maior parte das vezes, a nossa…

Quando, já de manhã, vim para o teu lado, sofrias. Devias ter dores atrozes, porém, arrastavas-te ainda para a minha almofada para te encostares a mim enquanto eu não parava de te acariciar esse pêlo belíssimo até há tão pouco. E ronronavas… E eu chorava…E tu fitavas-me com esse olhar pungente. E eu decidia o que fazer. E chorava. E já me doía a saudade.

E a manhã foi crescendo e com ela crescia a angústia e a urgência.

Agora, ao meu colo, adormecida para sempre enquanto me olhavas (será que sentiste traição? alívio? medo? saudade? gratidão? nada?) e ronronavas e me olhavas e ronronavas até esse som ser apenas mera ilusão, não és mais que um corpo que faz lembrar a minha Carlota. A minha diva. A minha musa. Seguramente uma das gatas mais especiais que conheci.

Até um dia Carlota.

“O Manual dos Inquisidores” de António Lobo Antunes


Terminei hoje.
Já lhe sinto a falta. Sinto a falta, creio, da intensidade das personagens. Da forma como irremediavelmente sou agarrada e conduzida ao âmago de si (por vezes de mim também). Da forma como me vão revelando os seus segredos mais obscuros, os seus medos, os seus desamores, as suas perversões, também as suas alegrias, os amores… Mas a verdade é que ALA é magistral na construção de personagens de cariz mais obscuro. Conhece e explora, literariamente, os meandros da mente humana de uma forma inacreditável.

Mais uma vez a “história” nos vai surgindo fragmentada em tempo e espaço. Mais uma vez se entrelaçam, nos relatos das personagens (curiosamente o livro está estruturado em capítulos que tomam o nome de “relato” e/ou “comentário”) os vários presentes e os vários passados nos diferentes espaços. Mais uma vez vamos sendo conduzidos na construção do enredo final. Mais uma vez me encantam as nuances de uma escrita que percorre toda uma escala de registos do mais poético, quase musical, ao mais prosaico, mais popular, mais simples.

Como disse, já tenho saudades o que evidencia o prazer que tirei do livro. É redundante dizer que gostei.

Porém, neste “Manual dos Inquisidores”impressionaram-me sobretudo dois aspectos.
Por um lado o sarcasmo desmedido, cáustico, que encontrei nos relatos mais “naif” do livro. Rescendendo ingenuidade, são demolidoras as conversas acerca da “caridade” para com os pobrezinhos, os empregados, todos aqueles que se encontram numa escala social menos favorecida;
A indiferença,… Não! A naturalidade com que é abordada a tortura mais cruel nas mais cruéis prisões. Como tudo era fruto de humores de seres sem escrúpulos que exerciam arbitrariamente os poderes do Poder. E, mormente, lembrar-me, saber, que muito se passou assim…
O outro aspecto é recorrente. É a dificuldade imensa que todas as personagens têm em soltar as suas emoções sem as mascarar, sem as rodear, sem as disfarçar, sem as corromper. Isto mesmo até ao final…
Fantástico!
2010-08-10

sábado, 7 de agosto de 2010

A textura da tristeza


Talvez se fosse à praia,
talvez se ficasse a olhar a vastidão do mar,
talvez se admirasse as estrelas
reflectidas nas águas calmas
(porque assim as fantasio hoje),
conseguisse tornar menos espessa
a textura da tristeza que hoje me assola
e respirar.
Talvez que, se experimentasse dançar na areia,
embeber os pés na sua tristeza,
conseguisse encontrar a ponta dessa teia,
puxar devagarinho, puxar,
e torná-la bem fina,
com a consistência do sentir
de quem está a sonhar…

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Se os meus óculos falassem.

Este texto surgiu como resposta muito rápida ao repto que me foi feito pela minha amiga Branca, no Facebook.

Aqui fica, Branca, e espero não te defraudar...muito. Espero mais respostas, claro.





O que diriam os meus óculos se falassem

Se os meus óculos falassem… Ah! se os meus óculos falassem!

Bom, para o fazerem com a dignidade que possuem, disfarçariam o melhor possível aquela pequena corcunda na haste esquerda fruto das constantes viagens dos olhos para a cabeça, da cabeça para o decote, deste para o chão… para logo a correr se encarrapitarem novamente no nariz.
Esfregariam as lentes, disfarçadamente, no tecido da blusa, aquela sedosa, que não fere. E, só depois, a medo, falariam.

Eu sei que seria assim dada a sua nobreza, o seu saber o seu decoro.

E depois…

Depois falariam do amor que conhecem através das muitas histórias em que me acompanham noite e dia.

Falariam também de saudade, de tristeza, de solidão, sentires que andam sempre de mãos dadas com o amor.
Da amizade, da alegria, dos gatos, dos cães, do sol, do mar, das gaivotas, do rir, da chuva, da montanha, das flores, da neve, da noite, das estrelas…

Falariam ainda, já a querer embaciar, da sordidez das coisas e das pessoas, da maldade, do breu, do abandono, da velhice esquecida, da guerra, do desamor, do ódio, da miséria…

E, embora cansados, diriam ainda do pouco que conhecem, da ânsia enorme de, com os meus olhos como fundo, se fixarem, sem mais delongas, nas páginas do livro que tive de pousar.

domingo, 1 de agosto de 2010

“A Ordem Natural das Coisas” de António Lobo Antunes


Terminei a leitura deste livro há, seguramente, uma semana. Entendi necessário um tempo de reflexão sobre o mesmo antes de escrever a minha opinião.

Gostei muitíssimo do livro. Foi, talvez, dos de mais difícil compreensão mas também dos que mais me impressionou até agora.
Considero-me bastante ignorante no que diz respeito à obra de ALA sobretudo pelo muito que ainda me falta ler. Contudo, mesmo considerando os erros de opinião que possa cometer pela falha apontada (a qual estou a tentar colmatar lendo os livros que não li e relendo outros que já li há demasiado tempo, procurando fazê-lo numa lógica de cronologia de publicação), pareceu-me sentir neste livro um ponto de viragem. Pareceu-me mais aproximado das publicações mais recentes e, consequentemente, um pouco mais distante da quase linearidade dos primeiros.

Mesmo a mim me parece estranho, paradoxal até, chegar ao fim da leitura de um livro, completamente agarrada e com pena de ter terminado sem, contudo, ter a certeza absoluta de o ter compreendido inteiramente; de ter construído a história que o autor me desenhou…

Se alguém me contasse que tal lhe havia sucedido, provavelmente o meu conselho seria: - não percas tempo com isso. Parte para outra…

Pois, mas a verdade é que sucedeu comigo exactamente o contrário. A vontade de não me desligar daquela forma de escrita, do imenso volume que cada personagem ocupa valendo por si, pela sua riqueza, pela forma como o autor lhe desenha e redesenha (quase sempre) os passados atormentados, sórdidos até, como, no presente, lhes esmiúça o consciente e o subconsciente…

A força da escrita de ALA é para mim um desafio tal que me deixa quase impossibilitada não só de largar como de apreciar a calidez de outras (boas) formas de escrita. A maneira peculiar como organiza o seu discurso passando da mais bela ternura, da poesia, da análise profunda da mente humana, à mais prosaica linguagem do quotidiano, raiando a rudeza, o decadente, o grotesco e, sobretudo, o cáustico é, para mim, arrebatador.

Depois há o desafio de encontrar o fio condutor da história (existe?) e de tentar montar o puzzle com as peças que o autor nos deixa. Também, neste caso, difícil, reconheço. É que a sua narrativa é pejada de cortes, interrupções, saltos no tempo e no espaço que a tornam um entrecruzado de vidas difícil de desenredar e de acomodar.

Neste caso, apenas nas páginas finais do livro julgo ter conseguido organizar minimamente as tais peças do intrincado puzzle e montá-lo da forma que, julgo eu, o autor me indicava. Confesso, todavia, que há pormenores em relação aos quais não tenho bem a certeza… *

Porém, aquilo que para alguns poderá ser desencorajador para mim é, de facto, estimulante como desafio. E é de tal forma estimulante que, tão depressa terminei a leitura deste, dei de imediato início à leitura de “O Manual dos Inquisidores” tal era o receio de não me ajeitar a outro registo.

É assim Lobo Antunes…


*Depois de terminada a escrita desta “opinião” tive curiosidade e fui ler outras opiniões, recensões e críticas que surgiram nos meios de comunicação acerca deste livro e, curiosamente (mas não surpreendentemente), apercebi-me de leituras diferentes para o mesmo livro.
Apenas a título de exemplo; se para uns “o livro conta a história de duas famílias assoladas pelos passados de várias gerações”, para outros é a história “de uma família rica, residente na Lisboa dos anos sessenta, numa casa apalaçada na zona de Benfica…” Uma família? Duas famílias? E isso interessa muito?