sábado, 26 de junho de 2010

Lançamento do livro "Bordar a Vida"

(Uma folha do livro... trabalho de Miguel Ministro)

E não é que consegui passar uma semana inteirinha sem ser capaz de escrever coisa nenhuma acerca do lançamento do “Bordar a Vida”! É quem nem uma palavrinha sequer. Será isto o tão falado “bloqueio de escritor”? (Era uma piada, não esteja para aí algum distraído a pensar que julgo ser escritora…).

Por um lado não posso deixar de considerar que tive uma festa maravilhosa. Por outro corro o risco de parecer imodesta.

É que foram TANTAS as pessoas que quiseram estar comigo neste momento único!

Conseguiram torná-lo irrepetível, estou certa.

Dizer que constituiu uma surpresa completa, não posso, seria uma mentira. Tinha a certeza absoluta da presença de muitos. A amizade que nos une não permitiria a ausência a não ser que algo de muito grave acontecesse.

Mas foram tantos aqueles cuja vida passou pela minha de forma fugaz, ligeira mesmo e que quiseram estar…

Não tive na ocasião, nem tenho agora, palavras para expressar o prazer e a comoção de ver aquela sala, belíssima, aliás, completamente a abarrotar de pessoas que estavam ali por mim.

Não tive, nem tenho agora, palavras para agradecer as imensas surpresas fantásticas que tive: o carinho que senti em todos, o cuidado que o editor colocou na apresentação, as belíssimas leituras dos meus poemas, emocionantes mesmo (foi a primeira vez que os ouvi), as músicas que cuidadosamente foram escolhidas para me agradar e que foram tão bem interpretadas, as montanhas de flores, and, last, but not the least, a apresentação fantástica que o meu tio fez do livro.

Eu sabia que ia ser bom. Só não sabia que, ao ouvir as suas palavras, iria até conseguir convencer-me, por instantes, que as minhas faziam absoluto sentido e poderiam até interessar a outros…

Ah, já agora, descobri no meu tio, ainda, qualidades que lhe desconhecia: Como ele diz bem poesia!!!

Enfim, não me vou estender mais pois para escrever este bocadinho foi o cabo dos trabalhos.

Termino apenas com um OBRIGADO do tamanho do mundo a todos quantos estiveram, bem como àqueles que gostariam de ter estado e não puderam e que, com as suas mensagens, me deram também força e alento.

Um bem-hajam!

Do livro, se calhar, falarei depois. Merece. É um “objecto” lindo!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

“As três vidas” de João Tordo


“As três vidas” de João Tordo

Li, há já uns tempos o livro citado e devo dizer que gostei.

Nada conhecia do autor e escolhi este livro por, habitualmente, ler as obras que, em cada ano, são ganhadoras do “Prémio Saramago”. Foi o caso deste em 2009.

Julgo, mais uma vez, estarmos em presença de um nome promissor na moderna ficção portuguesa.

De escrita simples, sem artifícios nem de linguagem nem outros que o tornem “distinto”, distingue-se, porém, na forma agradável e sábia como estrutura a trama/enredo.

O personagem, sempre anónimo, tal como um funâmbulo (excelente metáfora), vai percorrendo de forma bastante periclitante, sempre entre dúvidas, mistérios, amores, desamores, procuras, ausências… três momentos distintos da sua vida ditados pela indelével influência de um patrão e de um trabalho enigmáticos.

Um, passado no Alentejo que o autor muito bem descreve, sem artifícios exagerados. Outro em Nova Iorque, mais negro, mais sombrio e, o final, no “presente”, novamente em Lisboa, provavelmente o mais real, o menos envolto em névoa sem , contudo, deixar de manter a dose necessária de mistério e de bruma..

Julgo que o leitor nunca chega a ficar verdadeiramente esclarecido (eu creio não ter ficado…) acerca de todo aquele intrincado de mistérios e de personagens obscuras que vão desfilando à nossa frente. Porém, penso ser também esse um dos trunfos do enredo.

Uma agradável surpresa.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ainda o Convite

O que se segue é o que recebi na Newsletter da Editora.

Uma grande parte do que está anunciado é uma completa surpresa para mim.

Agora sou eu que aguardo ainda mais ansiosamente o evento que, sem toda esta riqueza de meios, já me trazia em pulgas...


Sab 19/Jun

Lançamento do livro "Bordar a Vida" de Celeste Pereira


Depois de nos deliciar nos eventos da Edita-Me com o seu talento nas leituras, eis que chega a vez de Celeste Pereira nos brindar com as suas palavras.

Assim, é com imenso prazer que editora Edita-Me e a autora Celeste Pereira, convidam para estar presente na sessão de lançamento do livro

"Bordar a Vida"


que decorrerá no dia 19/Jun, pelas 21h30 no Palacete Viscondes de Balsemão
(Praça de Carlos Alberto, 71 * 4050-157 Porto)

Com apresentação a cargo do Gen. Loureiro dos Santos, neste evento, marcado por diversos momentos musicais, participarão:

Musicalmente:
Pedro Lopes (piano)
Inês Oliveira (voz)
Daniel Pina (acordeão)
Nuno Ildefonso (guitarra portuguesa)
Pedro Paixão (violino)

Nas leituras:
Ana Pereira
Carlos Lopes
Miguel Ministro
Olga Oliveira
Ruth Ministro

Venha conhecer as palavras da Celeste Pereira e partilhar connosco momentos que certamente serão únicos.


segunda-feira, 14 de junho de 2010

Convite "Bordar A Vida"


Amigas, amigos, familiares, companheiros de tantos “carnavais” e meros leitores completamente desprevenidos!

Já tinha ouvido falar do assunto. Já o tinha debatido com pessoas de alto gabarito ao nível da psicologia. Tinha até assistido a atitudes que se poderiam inserir nesse fenómeno estranho se bem que, aparentemente, explicável e estudado que vai crescendo na razão directa do aumento da idade.

Pois agora chegou a minha vez de não controlar a minha capacidade da auto-censura e de me atirar de cabeça para campos que nunca achei serem os meus.

Ninguém me empurrou, ameaçou ou intimidou. Nada disso. Foi no pleno uso das minhas restantes capacidades (na verdade nem sei muito bem quais) que decidi apresentar um conjunto de escritos meus para publicação.
A Editora aceitou o projecto (não vou explicar como) e cá estou eu a convidar-vos (leia-se intimar-vos) a TODOS a viverem comigo este momento que julgo ser único na minha vida: a apresentação do MEU próprio livro, com as minhas palavras ( que, por acaso, são também as dos outros todos), expressando os meus sentimentos, os meus estados de espírito, as minhas emoções.

Julgo que não é difícil de compreender a enorme vontade, necessidade até, que sinto de vos ter a todos comigo.
Bem sei que já vos azucrinei o juízo umas quantas vezes mas, enfim, também é só mais um bocadinho… E, depois, também é no meu dia de aniversário… Haverá um champanhezito…

Enfim, estão todos convidados para estar comigo no dia 19 de Junho, pelas 21.30h, no Palacete Balsemão (Praça Carlos Alberto, Porto) e comigo viverem este momento em que divulgarei o livro “Bordar a vida”

sábado, 12 de junho de 2010

Términos


Términos de auto-estrada.

Em frente, espraia-se uma fita cinzenta, desbotada
em que o asfalto, gasto, se abre em feridas pungentes.
E torce-se, e vira-se e arrasta-se num subir sem fim
para depois, pela encosta, tombar desanimada.
Fugazes memórias se acendem em mim.
Cheiros subtis, cores feéricas, sons dolentes
acordam sensibilidades esquecidas, atiçam a chama apagada.

Términos da estrada amarga.

Espera-nos uma sala oprimente,
triste, embora repleta de gente.
Um odor forte que se escapa dos corpos,
dos xailes negros, dos cabelos molhados.
Um lamento contínuo que se ouve e se sente.
E, no meio, rodeado de flores de caules mortos,
um corpo repousa num esquife.

Términos da vida.

domingo, 6 de junho de 2010

A Feira

(Imagem: "O sonho de Poeta" de Tchalé Figueira)

Ontem assisti a uma feira.
Não uma feira comum,
não dessas que acontecem num qualquer espaço
com um qualquer género de mercadoria.
Não.
Nesta exibia-se um tipo de fazenda fina.
Não posso dizer que rara, mas nobre pela sua essência.
A feira era de … poetas.
Havia para todos os gostos:
o exibicionista, o discreto, o filósofo,
o de aspecto incomum, o vaidoso,
aquele cujo topete excedia, inevitavelmente, o valor da obra
e, obviamente, o poeta comum, o normal,
o que apenas escreve porque gosta , porque sabe, porque sim…
e não se torna, na sua condição de poeta, uma casta maldita…

Ontem, assisti também a uma boa apresentação de poemas.
Porém, diminuíram, os pobres, sem culpas,
com a estéril exibição dos seus progenitores.
Salvemos o poema!
“Alguns gostam de poesia”!


Nota: que me desculpem os que tentaram...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Os Nabateus


Hoje acordei com uma vontade incrível de escrever um daqueles textos muito parvos que já não escrevo há bastante tempo mesmo. Refiro-me aos mesmo muito, muito parvos porque dos outros lá vou escrevendo.

Ora como ontem comprei uma revista, a National Geographic, que vinha acompanhada de um DVD sobre Petra (que ainda não vi), achei por bem falar sobre… os NABATEUS.

Ora os Nabateus, segundo ouvi dizer, eram um povo semítico. Isto porque, tal como outros, se diz descenderem de Sem filho de Noé, o tal da Arca, lembram-se?

Mas vou começar pelo princípio que me parece ser sempre uma táctica apropriada nestas coisas.

Isaac, filho de Abraão, tinha dois filhos gémeos. Esaú e Jacob. Ora, como é do conhecimento geral, Esaú zangou-se com Jacob por uma niquice de nada, coisas de irmãos, a progenitura, que Jacob açambarcou para si.

Mesmo assim, Esaú não esteve para modas e pôs-se a andar tendo fundado uma cidade só para si a qual, mais tarde virou reino (era normal naquele tempo. Os reinos pululavam por cada canto e esquina), neste caso o dos Edonitas.
Como vêem estes desacatos entre irmãos ocorrem mesmo nas melhores famílias!!! Vejam só a linhagem desta!!!!
Às vezes não têm um resultado tão feliz, é verdade. Mas, paciência, não se pode ter tudo!
Os Edonitas eram ricos em costumes e rituais religiosos. O seu deus principal era, segundo parece, Dhu Shara que, de acordo com as más línguas, era uma cópia fiel de Yaweh (e deste não me digam que nunca ouviram falar…) adorado em Israel, reino (outro…) governado por Jacob, hã!!!! Fabulosa coincidência.

Bom, continuando.
Meus amigos, o amor faz coisas que nem a progenitura consegue! É verdade. Dizem, que eu cá não gosto de contos, que Esaú se apaixonou por uma das irmãs de Nebaiote (outro príncipe de Israel…) com quem veio a casar (que era tudo gente muito séria,e nesta época não havia cá "ajuntamentos", vá!) acabando o seu reino por se vir a fundir, ao longo dos anos (muitos, que isto da história é uma coisa que avança muito devagarinho) com o dos Nabateus.

Por volta do ano 312 a. C instalam-se no privilegiado enclave de Petra estabelecendo aí a sua capital.

Enquanto os povos (reinos) que os circundavam andavam à chapada entre si sempre à procura da hegemonia, os Nabateus, pelo sereninho, ganham o controlo do comércio entre a Arábia e a Síria.

Petra, a sua capital, torna-se assim o principal eixo do comércio de especiarias (essas mesmo que mais tarde nós também andámos por lá à procura…).

Entretanto, ricos e sem muito que fazer (há coisas piores do que o comércio), foram-se dedicando à construção tendo criado uma cidade magnífica.
De inspiração quer oriental quer greco-romana, a arquitectura dos edifícios revelava o cunho cosmopolita que caracterizava a cidade.

Olhem e foram muito espertos, porque se o não tivessem feito não tinham podido candidatar-se, dois mil e não sei quantos anos depois ao concurso das “Sete novas maravilhas do mundo” uma vez que as outras, as antigas já estavam muito usadas ou até estragadas de vez.

Pois é. Candidataram-se e foram um dos sete ganhadores.
E foi aqui, em Portugal, mais propriamente em Lisboa, no Estádio da Luz (isso é que era dispensável até porque o dragão é uma figura muito mais mítica…) que receberam o cobiçado galardão.

E mais não digo pois já estou bastante melhor depois de expurgados uns quantos estados de ansiedade na forma de disparate.

Fica a promessa: Depois de ver o DVD procederei às respectivas correcções.