quinta-feira, 29 de julho de 2010

"Poesia in Progress"


Poetisa, romancista, dramaturga e tradutora Fernanda de Castro estreou-se aos 19 anos com o livro de poesia Ante-Manhã. Vence nesse ano (1919) o Primeiro Prémio no concurso de originais do Teatro Nacional, com a peça Náufragos. Com o romance Maria da Lua (1945) foi a primeira mulher a obter o prémio Ricardo Malheiros da Academia de Ciências de Lisboa. Em 1969 é-lhe atribuido o Prémio Nacional de Poesia. Fernanda de Castro foi ainda tradutora de Rainer Maria Rilke (Cartas a um Poeta), de Katherine Mansfield (Diário), de Pirandello (Uma verdade para cada um) e Ionesco (O novo inquilino).


Mais sobre Fernanda de Castro aqui

domingo, 25 de julho de 2010

(In)Decisão

(Imagem de :William Kurelek)

Detesto o desamparo das indecisões.
Detesto mais ainda o que me trazem as decisões tomadas.
Detesto a convicção necessária para decidir.
Busco a coragem, essencial para poder ser indeciso.
Decido não decidir e tal decisão deixa-me frágil.
Detesto a fragilidade que me traz a decisão de não decidir.
Decidir é absolutamente detestável!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A Musa ao Espelho

Apenas porque hoje estive à conversa com Zé Carlos Tinoco, apeteceu-me recordar algo do muito que realmente de bom ele tem feito. Neste caso, na companhia do também amigo Juca que já não está entre nós a não ser pela sua obra.

Recordemos então e um bem -hajam!




(Espectáculo na Casa da Música)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Jubilada!!!!!


(Imagem daqui)


Acordei hoje com a necessidade premente de pensar!!!! É verdade.
E sim, dói.
Comecei por reagir à dita compulsão mas, a verdade, é que não tive outra alternativa senão fazer a vontade ao quinto andar ou não teria mais sossego.

E eis-me, então, a reflectir!

Sobre o quê?!

Pois, esse é o segundo passo. Sobre o quê…
Depois de aturado momento de introspecção ( e, sem querer, vejam só, já estava a pensar…) decidi-me por efabular sobre a minha condição de aposentada, jubilada, reformada (whatever) e as diversas situações associadas à condição referida.

A verdade é que isto de uma mulher (quanto ao sexo oposto, não sei, falta-me o “saber de experiência feito”) ser aposentada tem muito que se lhe diga. É uma condição algo ingrata pela enorme trabalheira que dá.

É verdade que já não exercemos a actividade profissional que nos absorveu uma boa parte da vida (nunca menos de 35 anos). Levou-nos tempo, pensamentos, energia. Trouxe-nos preocupações, tristezas, alegrias, sucessos, fracassos…

É verdade também que podemos organizar os nossos horários da forma que melhor nos convém não estando amarradas a relógios de ponto, livros trancados e outras coisas simpáticas que nos podem acontecer quando obrigadas a um horário que não se compadece com atrasos de transportes, furos de pneus, febres de filhos, dores de barriga medonhas, enjoos matinais, preguicinhas inesperadas e inconvenientes, compras inadiáveis no supermercado porque a família exige refeições (o desplante!) e sei lá que mais.

Nada disso. Somos livres! Finalmente!

E é aí que então alguém (todos) pensa: - Ai são livres?! Oh p’ra elas ainda cheias de genica e sem nada para fazer!

Portanto há que lhes arranjar ocupação. Passar todo o tempo possível com os familiares idosos ou/e, nem que apenas hipoteticamente, doentes (que passa a ser uma obrigação e uma vergonha se incumprida), tratar com rigor de todos os assuntos domésticos dado que já não há justificação para esquecer nada, acompanhar, educar e obviar outras necessidades dos netos caso existam, ajudar os filhos em início de vida providenciando refeições, roupa passada e o que for necessário...

Parece-me bem referir aqui que a aposentação não inclui as actividades de dona de casa, mãe, esposa e outras afins. Essas, depois de adquiridas, acompanhar-nos-ão, tal como uma tatuagem, até ao leito de morte.

Ora bem, se a aposentada tiver ímpetos de escrita, de leitura, de dança, de se divertir até cair para o lado (tadinha! Já não sabe bem o que faz!), de ir beber uns copos com outras amigas aposentadas, está bem. Aceita-se (desde que cumpridas as tarefas atribuídas...). Afinal têm de fazer alguma coisinha ou não tarda nada é vê-la numa corrida ao Prozac…

Até inventaram umas instituições muito apelativas “Universidades Sénior”, locais onde aposentadas, juntamente com outras ainda mais aposentadas do que elas, podem concluir, complementar ou até iniciar estudos em diversas áreas (pintura, dança, teatro…) ou, somente divertir-se matando tempo antes que esse, o tempo, as mate a elas (sempre, nunca é demais referir, no intervalo das atribuições inerentes).

Há ainda aquelas que são excêntricas, desalinhadas e se colocam fora de todo esse circuito decidindo-se por actividades que sejam do seu agrado, com gente com quem lhes apraza estar, colaborando, (à maluca tantas vezes) com pessoas que trabalham e necessitam de apoio, procurando utilizar as suas ainda razoáveis competências de forma produtiva (não necessariamente remunerada), desenvolvendo outras que nem suspeitavam ter (ou suspeitavam mas faltava a coragem )…

Estas, de uma forma geral estão-se nas tintas para aquelas ocupações que outros acham tão importantes e lhes imputam.

Enfim, essas são as que gerem sozinhas (!!!!) a sua vida e, por vezes, tendem a dar um passo maior do que a perna e ficam atoladas de trabalho até ao pescoço.

Devo dizer que me insiro nesta estranha categoria. E, dou por mim com o tempo de tal modo ocupado que nem dá para acreditar.

Pois é. Lá se vão, por vezes, as obrigações domésticas que se colam a nós que nem carraças e todas as outras que já enunciei que nos vão acrescentando dada a nossa situação de aposentadas (afinal estamos ali sem nada fazer, é até uma obrinha de misericórdia dar-nos uma ocupação).

Pois meus amigos. Digo-vos eu que sei:
- Entre o que fazemos porque queremos e o que nos atribuem como função pelo facto de estarmos desobrigadas (?!),

não há nada mais cansativo do que ser jubilada….

quinta-feira, 15 de julho de 2010

“Comboio nocturno para Lisboa” de Pascal Mercier


Não conhecia o autor, nunca tinha manuseado o livro numa das minhas frequentes e intermináveis visitas às livrarias nem tampouco tinha ouvido falar dele.

Foi-me oferecido por um amigo muito querido que, aparentemente, lê muito bem os meus gostos, os meus interesses e necessidades intelectuais. Em boa hora, diga-se, pois constituiu para mim uma muito agradável surpresa.

O livro é um tratado de argumentos de cariz filosófico que nos vão obrigando, através das razões de outros, a completar as nossas próprias reflexões acerca da vida, da sua lógica, dos seus paradoxos, dos seus constrangimentos (impostos por nós na maioria das vezes).

Na forma de romance, temos um professor suíço, de línguas mortas (latim e grego) que, de um dia para o outro, decide dar uma volta de 180º à sua vida.
Tudo é despoletado pelo seu encontro numa ponte de Berna, onde ele passa, como habitualmente, todos os dia àquela hora, com uma mulher que, aparentemente vai tentar o suicídio. A mulher é portuguesa e ele entabula uma “conversa” com ela a qual acaba por vir a segui-lo até à faculdade, até à sua aula.

Gregorius encanta-se com a sonoridade da língua dessa estranha pedindo-lhe até para repetir a palavra “Português” vezes sem conta apenas para que lhe pudesse saborear o som:
o ó que ela surpreendentemente pronunciara como um u, a claridade crescente e estranhamente abafada do ê e o suave che final soaram-lhe como uma melodia que aos seus ouvidos perdurou muito mais tempo do que na realidade e que ele simplesmente gostaria de ter escutado durante todo o resto do dia”

Nesse mesmo dia, Raimund Gregorius depara-se com um livro de um escritor português (Amadeu do Prado, ficcionado), médico que é a gota que determina toda a mudança de rumo na sua vida. A quebra da sua rotina de tantos anos e o salto para o absoluto desconhecido.

Decide partir para Lisboa, local de origem do autor português e seguir-lhe o rasto encontrando-se com as personagens que o seu livro refere.

E assim nos vamos deixando transportar.
Entre excertos do “livro “ de Prado, autênticos mimos de cariz poético-filosófico, impressionantes na sua urgência, coragem e sinceridade e as palavras de Raimund, vamos percorrendo toda a vida de um e, talvez o período mais importante da vida do outro, tendo como pano de fundo uma Lisboa maravilhosa, de uma luminosidade única, beijada pelo Tejo com ternura. Porém, apesar da sua impressionante beleza, podem-se notar ainda as marcas, quiçá indeléveis, da sua herança fascista.

Recomendo vivamente.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Quarta-feira, dia 14, às 21h30

“BORDAR A VIDA” APRESENTADO NO LABIRINTHO BAR

Porque a vida é composta de um conjunto de imponderáveis,

devemos procurar tecer os pontos e os nós com que a vivemos,

aqueles a que nos é dado intervir, com toda a sensibilidade e mestria.”


Celeste Pereira


O Labirintho Bar apresenta, esta quarta-feira, dia 14, pelas 21h30, em mais uma “Noite de Poemia”, o livro “Bordar a Vida”, da autoria de Celeste Pereira, uma edição do selo edita-me.


Danyel Guerra fará a apresentação do livro bem como da autora.

As leituras estarão a cargo de José Carlos Tinoco, de Ruth Ministro, e da própria Celeste Pereira.


A sessão será musicalmente animada pela actuação do pianista Pedro Lopes.


No final, a autora (eu) estará disponível para autógrafos.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

História de Amor


Sentada no banco comprido de madeira escura,

igual aqueles em que na infância assistia à eucaristia,

estava.

À minha volta uma nave comprida, sóbria, fria,

estende os seus granitos.

E eu estou.

Apenas estou.

De súbito o arrepio começa e cresce.

Cresce como crescem os acordes dos violinos

ao introduzirem uma belíssima “Ave Maria”.

E permaneço.

Arrepiada, atónita, pareço acordar de um torpor.

E atento na causalidade dos sentimentos

(ou na sua casualidade, talvez).

Já não estou apenas, exulto,

sinto que tropeço numa intensa história de amor.

Um homem, uma mulher,

dois pares de olhos brilhantes,

cinquenta anos de magia e um sopro de eternidade.

Como gosto de histórias com final feliz!

domingo, 4 de julho de 2010


(Imagem de Anger)

Assim

Aquele dia, creio,
estava destinado a ser assim.
Ia-me amedrontar, ia reagir,
ia tentar ser eu, ia sorrir,
ia brincar, ia aligeirar,
ia ressacar, ia partir.
E, quando tudo acabasse,
Ia, sabia-o bem, ter pena de mim.

Como me detesto assim!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Tempos de desassossego estes...


Terminado que está o período de ressaca, (a tal provocada pelo lançamento do livro que, digo-vos eu, nem imaginava que pudesse acontecer), passei a outro muito menos interessante, é certo, de mais cuidado, seguramente, mas nem por isso menos incapacitante e muito mais exigente: o de enfermeira a tempo inteiro.

É que, imaginem, a minha filha, criança para os seus vinte e sete aninhos, está com varicela!

Pois, é doença de infância é certo, mas não tenho culpa que, aqui por casa, as infâncias se prolonguem até idades tão serôdias.

É uma doença benigna, eu sei. Mas quando dá nestas infâncias tardias, também é certo que pode ser muito agressiva nos sintomas, bem como pode também transportar um “pacote” de problemas subsidiários dispensáveis por preocupantes.

E “esta praça”, em vez de se sentar aqui em frente ao seu portátil, a responder, toda babada, às muitas mensagens de simpatia de que tem vindo a ser alvo, não…

Ora controla a temperatura da criança (não vá o diabo tecê-las), ora fiscaliza a tosse e eventual falta de ar, ora pincela borbulhas com betadine (artisticamente, diga-se. Provavelmente a minha vocação verdadeira, mesmo a sério, está ainda por descobrir. Virei a ser body painter???), ora inventa apetites de refeições para a menina não enfraquecer mais ainda e, reparem só, ainda antes de tudo isto, providenciou com todo o seu saber o serviço de catering para uma semana de filmagens que a produtora de que a cachopa faz parte, está a concretizar lá para as bandas do Gerês e do Soajo.

E olhem que foi comidinha para os restantes sócios, actores, maquilhadores, técnicos de som e sei lá que mais…

E a menina…na cama. E mal que é ainda o pior…

E eu aqui. Preocupada, sem saber muito bem o que fazer, sem vontade (se não considerar esta de trepar pelas paredes…) para coisíssima nenhuma.

E “prontos”. Sai isto!