quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Poesia

(Imagem: "Pink Foam" de Roderic o'Conor)
Sempre um prazer ler!

Esta vida
que nos parece tanto,
é feita de infinitas
gotas de acaso,
num dia mar,
no outro espuma.


Maria Sofia Magalhães em “A luz que se esconde

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

"Convenção Europeia para a Protecção de Animais de Estimação e de Animais Errantes"

(Imagem recebida por e-mail)

"Subject: Allow a European Convention To Protect Pets and Stray Animals

A member of the European Parliament, Mr. Alain Hutchinson, is committed to cooperate with animal welfare and to get a "European Convention Protecting Pets and Stray Animals" passed as soon as possible.
He needs 1 million signatures in order to present the project to the Parliament. That means we need to get hard at work and collect those signatures.
Can you please help by signing this petition? It's easy and won't take much time. To go to the petition click here:

É necessário recolher um milhão de assinaturas. Vá lá, vão ver que não custa nada! Vamos dar uma ajudinha a este senhor belga, deputado socialista do Parlamento europeu e, em contrapartida, poderemos ter o orgulho de termos dado um contributo para um mundo bem melhor.
Manifestemos sem pudores a nossa sensibilidade!

EU, COBAIA (Capítulo VI)

(Imagem: Cobaia em testes)
Capítulo VI


Finalmente! Dia de testes a sério!
Dito assim, pode até parecer que estava esfuziante com o facto. Mas não, estava bastante amedrontada.
Em primeiro lugar preocupada com a minha integridade física, é claro, e depois era também o peso da responsabilidade. A verdade é que não podia deixar de me esmifrar até à exaustão não fosse falsear ou inviabilizar os dados que era suposto serem recolhidos.
Então punha-se a questão: quando é que a exaustão era já mesmo exaustão e não deveria continuar?... Pois é, é difícil saber...

Bom, mas lá fui. Chego à piscina e deparo-me com um aparato enorme de instrumentos, objectos, mesas, câmaras de filmar dentro e fora de água e gente com ar de muito entendida na matéria; enfermeiras, técnicos de som e de imagem, outros técnicos não sei bem de quê, a professora, colegas...

As “vítimas”, nós as cobaias, “actuávamos” duas a duas, devidamente armadilhadas e depois de sermos pesadas (exigi confidência, claro), medidas, encontrado o índice de massa corporal, picadas para analisarem não sei o quê, medidas as tensões, verificadas as frequências cardíacas em repouso (e já estou cansada só de dizer o que me analisaram) e depois de termos assinado qualquer coisa que eu acho que devia ser o testamento, sei lá, fomos finalmente para a água. A Inês deu então início à sessão.

E que sessão! Foi curtinha, é certo, mas foi de deitar, literalmente, os bofes pela boca.
A Inês diz que o “pico” foi de sete minutos e entenda-se que só se considera “pico” quando estamos já num nível intenssíssimo de esforço, agora imaginem o que é aguentar isto sete minutos. Parecem setenta!
No final, como já vos disse antes, não tinha a mais pequena noção se abria as pernas, se as fechava, se saltava muito ou pouco, se abanava os braços a arrastar a água para dentro ou para fora... Enfim, só queria ver se conseguia continuar a respirar.

E consegui! Terminei o teste sem estragar, julgo eu, o trabalho da menina, e aqui estou para o comprovar. Portei-me muito bem. Pelo menos não estriquinei (já não usava esta palavrinha há tanto tempo! Mas aqui é mais do que adequada).

No final, enquanto estávamos ainda a tentar ver se respirávamos, foi-nos novamente medida a tensão, os índices de ácido láctico no sangue e não sei mais o quê. É que não estava lá muito consciente. Eu só via as duas enfermeiras a olhar para as duas “vítimas”, nós, com um ar que não percebi bem se era compassivo se preocupado...

Para a semana há mais, mas este já passou. Devo dizer que estou agora muito mais descontraída do que estava de manhã.

Depois conto. Está a acabar.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Saudade

(Imagem: "Saudade" de Nicoletta Ceccoli)

Quando me sento aqui
Sozinha,
Embrulhada em sonhos,
Enrolada em gatos,
Esquecida dos outros
E distante de mim,
Sinto um friozinho,
Apenas uma sugestão
De algo
Que se insinua devagar,
De mansinho,
Que se instala,
Que me preenche,
Que me entristece.
Um desânimo,
Uma dor,
Uma inquietação.
A Saudade, talvez…

Donagata em 29/12/2007

sábado, 26 de janeiro de 2008

EU, COBAIA (Capítulo V)

(Imagem: recebida por e-mail, "cobaia em descanso")
CapítuloV
Depois de ter entendido, mais ou menos, o que se esperava dos treinos ou seja, que se soubesse em cada momento da aula em que nível da escala me encontrava, lá continuei esforçadamente a comparecer aos que se seguiram.
E, para minha surpresa, foram ainda alguns.

Num dos dias verifiquei que um dos rapazinhos mais jovens, uma cobaiazita imberbe e tímida, estava “armadilhado” qual elemento das hostes de Ossan Bin Laden, infiltrado no meio daquele mulherio, dando a sua vida, para acabar com o nosso lento definhar. Mas não, estava apenas equipado com um frequencímetro que iria ajudar, também, a melhor entendermos a intensidade do esforço despendido. Pelo menos ele entenderia melhor o seu esforço.
Eu, fiquei a pensar com os meus botões (ou outra coisa qualquer uma vez que os fatos de banho não têm botões): - Quando ele estiver com 170 pulsações, por exemplo, eu, que quase podia ser sua avó, estarei mesmo naquele pontinho de “bater as botas”...

Além de apurar a sensibilidade para nos situarmos no ponto correcto da escala, os diversos treinos destinavam-se ainda a criar em nós, cobaias, a endurance necessária para aguentar os “picos” de esforço imprescindíveis para o estudo sem haver riscos excessivos de morte ou invalidez permanente. E acreditem que se tratam de picos que podem orgulhosamente concorrer, em grau de dificuldade, com o Everest... É que o problema não é chegar aos "picos", é mantê-los durante largos minutos sempre na máxima intensidade de esforço.

Bom, cheguei aquele que penso ter sido o último ensaio. Foi também o mais duro pois já se experimentou o exercício em toda a sua pujança!
Tivemos direito até a reportagem filmada dentro e fora de água. Só foi pena que, a dada altura, já nem os olhos conseguisse abrir nem tivesse a noção do lado para que estava a abrir os braços ou a fechar as pernas. Em boa verdade já nem sabia muito bem se tinha braços e pernas. Só sabia que tinha de continuar aos pulos e aos empurrões à água, de forma frenética, como se estivesse completamente possuída por forças estranhas e disso dependesse o meu amanhã.
Ah, é verdade, tive também direito a ser “armadilhada” claro, mas o esforço era tal que nem conseguia ver o indicador da frequência cardíaca. Contudo, no final, a professora informou-me que tinha feito um pico de 170 e muitos batimentos por minuto mas, a mim, pareceram-me para aí 500. Contudo, aparentemente fiz uma boa média...
Só vos digo, se os treinos durassem muito mais tempo e com esta intensidade, tenho para mim que quando chegassem os dias dos testes a valer, as cobaias estariam (e vamos lá a ver se não estão) todas fora de combate!

E agora, que estou em casa, ainda um pouco embotada pelas endorfinas, o único exercício que me apetece é sentar-me no sofá na companhia dos meus gatos e do meu cão. É exactamente o que vou fazer.
Os testes finais serão nos dois próximos sábados. Se conseguir, contar-vos-ei o que se for passando.
Nota:
A publicação dos capítulos está a ser feita com algum atraso; de modo que, nesta data, já foi feito o primeiro teste a sério (sobrevivi) e o segundo e último será hoje. Se sair mais ou menos incólume, deles vos darei também conta brevemente.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Idade Média no seu melhor

(Imagem: Um dos meus gatos num momento feliz)
Nem de propósito. Ainda no rescaldo do meu mal humorado poste de ontem eis que sou alertada para uma notícia do dia 23 no Jornal de Notícias.

Segue um excerto:

«... no dia de carnaval, os organizadores "caçam" um gato na rua e metem-no num cântaro de barro, onde fica fechado até à hora da festa. Depois, no largo da aldeia, há um mastro forrado com palha, e o cântaro é elevado por cordas, até ao cimo do pau altaneiro. No fim do desfile do carnaval é lançado o fogo ao mastro, que queima a palha e depois a corda que segura o cântaro. O púcaro de barro cai e desfaz-se em mil cacos. É então que o gato, sentindo-se livre, corre desnorteado, tendo ainda à perna foliões mascarados que o perseguem, alguns de paus e tenazes na mão, tentando apanhá-lo.» ("Jornal de Notícias", edição de 23/01/2008, http://jn.sapo.pt/2008/01/23/norte/crueldade_gato_abre_polemica_campia.html ).


É assim que as “pessoas” se divertem no Carnaval em Campia, Vouzela, localidade pertencente ao distrito de Viseu.
Espectacular! É sempre do melhor quando se espancam e maltratam os mais fracos, os mais vulneráveis, aqueles que não se podem defender e estão sujeitos à nossa boa formação e sensibilidade.
Não consigo imaginar nada de mais divertido. A não ser, sei lá, partir uma perna...

Racionais!... Quem?


WE COUD LEARN

SO MUCH


WITH THEM...


(Imagens recebidas por E-mail)

Quase todos os dias,ao abrir o meu E-mail, sou confrontada com apelos à minha sensibilidade no sentido de procurar soluções para resgatar um ou vários animais de situações de abandono e maus tratos, por vezes absolutamente inconcebíveis.

É portanto frequente dar início ao meu dia com um misto de raiva e vergonha.
Raiva por ver quão maltratados são alguns animais(sobretudo cães, aparentemente a natureza dotou os felinos de melhores capacidades de defesa), sujeitos a todo o género de sevícias apenas porque confiam...
Pois é, a confiança é o que os torna vulneráveis. Vulneráveis ao abandono, ao espancamento, às queimaduras com pontas de cigarro ou outras, à cegueira propositada... E penso que é melhor não prosseguir, a raiva cresce!
Raiva por não poder actuar em relação às criaturas que tratam seres vivos desta forma.
Raiva por ver a inacção generalizada das autoridades competentes em relação ao problema dos animais abandonados, carecendo, como habitualmente, da boa vontade e da disponibilidade de alguns.

Ao mesmo tempo vem a vergonha. Vergonha por permitir que isto aconteça: com o meu silêncio, com o meu comodismo com o meu alheamento.
Vergonha por fazer parte duma espécie, dita “humana”, na qual também se incluem indivíduos capazes de semelhantes atrocidades.
Vergonha por não correspondermos, nem por alto, àquilo que os animais esperam de nós...

E a frustração! É, de tudo, o pior. Tanto que gostaria de fazer e é tão insuficiente o que me é possível.
E aqueles olhos! Confiantes, cheios de esperança e de entrega. Que equívoco tremendo! Só me apetece perguntar: Afinal quem é racional aqui? O das convenções?
Alguns, poucos, provavelmente os mais fustigados, olham desalentados. Já desistiram. Partem-me o coração.

Já entramos no século XXI! Contudo, por cá, no que concerne ao respeito que os animais nos devem merecer, sinto que continuamos em plena idade média.
Não precisamos de os amar, apenas temos que os respeitar!

Não posso nem quero terminar este poste sem deixar uma palavra de apreço pelas pessoas que, a troco de um enorme desgaste psicológico, maçadas, gastos de tempo e de dinheiro, na maioria das vezes sem apoios significativos e/ou sistemáticos, procuram diminuir o número de animais abandonados e maltratados tentando proporcionar-lhes, quando não um lar, pelo menos condições dignas de vida, livres do sadismo que grassa por aí.

Muito temos ainda a aprender com os nossos queridos animais!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Poesia para crianças que encanta os adultos


(Imagem: Midwinter Derbyshire by Andrew Macara)

Certeza

Sereno, o parque espera
Mostra os braços cortados,
E sonha a Primavera
Com seus olhos gelados.

É um mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de abrir
Em ninhos e sementes.

Basta que um novo Sol
Desça do velho céu,
E diga ao rouxinol
Que a vida não morreu.

Miguel Torga

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

"O Maçon de Viena" de José Braga Gonçalves

No domingo vi cá em casa o livro”O Maçon de Viena”. Não é muito frequente "aparecerem" por aqui livros vindos do nada mas, aparentemente este foi emprestado ao meu marido por um amigo que, penso eu, o recomenda.
Uma vez que o tempo para a leitura é algo escasso na vida do meu marido, resolvi lê-lo eu primeiro.
Devo confessar que, ao ler a sinopse, não me pareceu particularmente interessante e não estava nos meus planos lê-lo. Contudo, um pouco por curiosidade em relação à maçonaria e aos seus estranhos rituais, bem como pelo facto de documentar uma época histórica interessante, decidi fazê-lo.

Pois bem, o livro, escrito por José Braga Gonçalves, dá-nos a sua leitura acerca de uma personagem de especial relevo na nossa história: Sebastião José de Carvalho e Mello, o Marquês de Pombal.
Defende que o Primeiro Ministro de D. José, o reconstrutor da baixa de Lisboa após o terramoto de 1755, o déspota iluminado seguindo as tendências de outras casas reais europeias à época, foi o fundador de uma loja maçónica em Portugal com o nome de Fénix que tinha como objectivo manter oculta a sua qualidade de maçon. Iniciado na maçonaria em Viena, de acordo com o autor (outros autores têm outra opinião, defendem que terá sido iniciado em Londres onde esteve como embaixador antes de ir para Viena), terá formado em Lisboa uma loja provincial austríaca.

Este é o ponto de partida para uma sucessão de interpretações de documentos, obras de arte, do próprio traçado arquitectónico da baixa pombalina assim como da morte dos Távoras à luz de sinais e simbolismos maçónicos.
Não entendo nada de maçonaria a não ser aquilo que se relaciona com a sua origem histórica. Sei que tem ainda hoje uma profusão de rituais e de simbolismos, os quais desconheço. Porém a interpretação de todo e qualquer sinal como símbolo maçónico parece-me exageradamente forçada correndo o risco de ser mesmo abusiva.

Como já disse de início, não tinha intenção de o ler e, se o não tivesse feito, confesso, não teria ficado muito mais pobre...

Contudo, é sempre interessante confrontar-me com pontos de vista diversos mesmo que seja para discordar ou, pelo menos, desconfiar da sua veracidade ou da sua interpretação.

Provavelmente levar-me-á a investigar um pouco sobre a maçonaria actual e sobre a sua evolução.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

EU, COBAIA (Capítulo IV)


Chegada a casa e após algum tempo de descanso, a curiosidade pôde mais do que eu e lá vim, toda “partidinha” para a net investigar quem era esse Borg e o que representavam os diferentes níveis da escala.
Logo aí, a teclar, e tal, já estava a despender esforço de nível 6... Desculpem, mas tenho de treinar e a verdade é que os valores da escala são subjectivos...
Em relação ao Sr. Borg não encontrei nada mas em contrapartida encontrei várias escalas.
A acompanhá-las, encontrei as seguintes explicações prévias e cito:

“Apresentação da “Escala de Borg”
A tabela abaixo facilita a compreensão da alteração da Frequência Cardíaca através de nossa própria percepção corporal, durante a prática da atividades fïsicas. Ela pode ser utilizada para qualquer atividade aeróbia, sendo recomendada como uma opção prática na observação da Intensidade de esforço.
Os números de 6-20 são baseados na Frequência Cardíaca de 60-200 bpms por minuto . Sendo que o número 12 corresponde aproximadamente 55% e o 16 a 85% da
Frequência Cardiaca Máxima. “

Um bocadinho confuso e nada que me sossegue.
Depois da escala propriamente dita apareciam ainda algumas explicações adicionais que li e, diga-se de passagem, não contribuíram lá muito para me descansar. Senão vejamos:


“ Durante exercícios aeróbios nossa Frequência Cardíaca tende a subir e nosso maior temor é passar dos limites máximos suportados por nosso coração.”

Pois é, e como é que eu sei que passei os limites máximos? Quando já não respirar?
Bom, continuemos:

“Foi pensando nisso que Borg & Noble, 1974, desenvolveram esta tabela, relacionando nosso cansaço durante o exercício com o aumento da F.C., tornando fácil nosso controle da intensidade nos exercícios.”

Afinal os senhores se calhar até querem facilitar!... Vamos lá ver:

“Geralmente, quando somos sedentários e inexperientes não temos muita noção do que seja um exercício fácil , exaustivo etc... achamos que tudo está cansativo. É mais dificil no início identificarmos esta diferença , mas com o tempo e a prática vamos estabelecendo uma sensação adequada para cada um deles . Segundo AFAA, 1995, se mantivermos nosso exercício dentro da faixa vermelha estaremos nos exercitando consequentemente na Zona Alvo de Treinamento , independente da idade. Como isso ocorre?Para sentirmos que nosso exercício aeróbio está dentro de uma intensidade segura e ao mesmo tempo estamos adquirindo os efeitos positivos do mesmo, necessitamos mantê-lo dentro desta faixa, 12-16.”

Pois é, mas cá para mim, nestas aulas, eu estou sempre muito próximo do 22 ou até mais... Ou já estou muito “passada” para estas andanças ou então estou aqui enfiada no meio de um grupo que, sob a aparência de uma relativa normalidade, cultiva um requintado sadismo. O que, diga-se de passagem, deve ser extraordinariamente saudável, para eles, claro, uma vez que quanto mais nos queixamos, maior é o sorriso que ostentam bem representativo da felicidade que sentem...
Agora surgem os conselhos, vamos lá.

“Se sentirmos que o exercício está ficando muito cansativo, devemos diminuir a velocidade e intensidade de esforço no exercício e se por outro lado, sentimos que está relativamente fácil, é sinal que devemos acelerar mais ou intensificar mais nossa qualidade de esforço se quisermos obter os benefícios da atividade. Então mãos a obra e ouça seu corpo para obter saúde e segurança !”
“OBS: É importante lembrar que este teste não tem a pretensão de ser infalível por se tratar de uma medida subjetiva. Existem formas mais precisas de se monitorar a F.C como aparelhagens do tipo frequencímetros (ex: pollar) e
métodos manuais”

Dizem-nos para “ouvir” o corpo mas eu, para já, devo confessar que estou completamente mouca. Se calhar ficaria mais descansada com algo menos subjectivo, pelo menos algo que não dependesse de uma classificação baseada no meu juízo (ele é tão pouco).
A verdade é que depois de ler isto percebo um pouquinho melhor a razão de ser de parte dos treinos.
Como vos disse, irei continuar. Dir-vos-ei depois o que se passar.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

"O Enigma de Zulmira" de Vasco Graça Moura

Li ontem este livro que há já algum tempo me despertava a curiosidade. Desde o momento em que li “Por detrás da magnólia” que criei algumas expectativas em relação à leitura deste.

Baseado num caso real (Carolina Loff militante do partido comunista nos anos 30), o enredo desenrola-se em três planos distintos:
A própria vida da personagem quando acontece; alguém que a conta como a memória de algo que aconteceu há algum tempo, e a investigação actual do argumentista, sobretudo no que diz respeito aqueles pontos mais obscuros ou até desconhecidos da história de Zulmira, com vista a transformá-la em filme.

Abordando temas de grande interesse como as condições sócio-culturais do início dos anos 50 em Portugal, o fascismo e os seus podres, a PIDE e as suas “boas” práticas, a vida na clandestinidade dos militantes comunistas e uma relação amorosa entre um polícia e uma presa política, tinha ingredientes de sobra para ser uma obra de grande interesse.

Deixou-me, no entanto, com uma sensação de insatisfação. Achei-o morno. Aborda muitas coisas mas dá-nos pouco. Prende-se em anfibologias, cenas suspensas para as quais não consegui descortinar outras razões que não essa própria ambiguidade perdendo-se um pouco a história.

Mesmo “la pièce de résistence” a personagem Zulmira, é toda ela cheia de equívocos, creio que intencionais, claro, mas que a tornam pouco consistente; passa-nos pelo meio dos dedos...

O livro está extraordinariamente bem escrito, ou não tivesse sido seu autor Vasco Graça Moura, o que proporciona, só por si, uma leitura extremamente agradável.

Embora esperasse um pouco mais, vale a pena ler. São 164 páginas de excelente literatura que se lêem com imenso agrado.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

ENDORFINAS...

Tenho passado algum do meu tempo livre a fazer investigação acerca de Endorfinas. É verdade, endorfinas. E porquê? poder-se-á perguntar.

A questão é a seguinte: Já toda a gente entendeu com certeza que, ultimamente, me tenho dedicado com algum afinco e regularidade à saudável (às vezes...) prática do exercício físico em algumas das suas modalidades. Tal facto deveu-se inicialmente a recomendações médicas mas, estranhamente, agora é já por vontade, necessidade até, própria. O exercício já me faz falta!
Ora isto, para mim, não é absolutamente nada normal. Logo para mim cujo único exercício admissível até há algum tempo era a leitura de um bom livro de preferência confortavelmente sentada. Ou então, vá lá, uma boa cavaqueira com os/as amigos/as no café ou em qualquer outro local aprazível.

É então aí que, aparentemente, entram as Endorfinas.
Segundo o que apurei após um aturado trabalho de pesquisa, as ditas endorfinas são substâncias químicas utilizadas pelos neurónios na comunicação do sistema nervoso. Ou seja, são neurotransmissores.
São produzidas naturalmente pelo nosso organismo, em várias situações, nomeadamente em resposta à actividade física com o objectivo de relaxar e dar prazer, despertando uma sensação de euforia favorecedora do bem estar.

Traduzindo:
Endorfinas são uma coisa muito boa que produzimos cá dentro quando fazemos exercício e outras coisas que nos dão prazer ( hummm...) e que têm como efeito sentirmos mais prazer ainda. Ou seja é uma coisa assim do género de uma “ganza” de qualidade mas de borla e legal até porque é produzida nos nossos interiores.

Aparentemente tem um monte de efeitos, quer físicos quer psicológicos, todos eles benéficos; muito benéficos mesmo.
Têm uma vida curtinha e são eliminadas por determinadas enzimas para que não encubram eventuais problemas uma vez que também diminuem a dor.

Ora bem, pois é aí que deve residir o meu problema! Não devo ter essas enzimas e devo acumular um batalhão de endorfinas que me deixam completamente taralhouca; bem disposta, é certo, mas taralhouca mesmo.

Hoje atingi, aquilo que considero, um pico de taralhouquice preocupante: Esqueci-me de ir almoçar! Não é que me tenha esquecido de comer, não. Isso é impossível. Esqueci-me de um almoço combinado terça-feira, pasme-se, há dois dias e que, ainda por cima, se reveste de uma importância verdadeiramente especial para mim. Trata-se do encontro mensal de um grupo de amigas muito queridas que costumo designar por “Grupo cultural e recreativo das recém-aposentadas de .....”
Em boa verdade eu não me esqueci, eu sabia que era quinta-feira, do que eu me esqueci mesmo é que esta semana é das que têm quintas-feiras...

Eu sei que estou a ficar mais velhota. Sei também que estas coisa começam a ser mais frequentes com a idade, mas quero crer que nem mesmo a idade me fará nunca esquecer um almoço! Em primeiro lugar porque, mesmo mais velha, gosto de comer. E depois porque além de estar com amigas, como posso eu perder uma ocasião com um pretexto tão bom para fazer asneiradas na minha pseudo-dieta?

Pois é, por mais voltas que dê, a culpa é das Endorfinas e não se fala mais nisso!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Ecos

(Imagem: "Ecos" de Luísa Beatriz Osdoba)
É na penumbra deste dia,
Por entre o som monótono da chuva
Que me fustiga o rosto e o corpo.
É por trás do silvo forte do vento
Que assobia enquanto me empurra,
Me agride, me arrepia,
Arrojando folhas tristes
Num remoinho constante,
Que ouço os ecos de mim

Donagata em
2008/01/15

"Crónica do Pássaro de Corda" de Haruki Murakami

Acabei hoje de ler “Crónica do Pássaro de Corda” de Haruki Murakami e, mais uma vez me rendi, completamente seduzida, a este incrível romance.

Como já nos habituou, em romances anteriores Haruki Murakami pega numa personagem principal, no caso Toru Okada e, sob o calmo desenrolar de um quotidiano de aparência absolutamente trivial, leva-nos ao longo de 632 páginas, a percorrer um mundo de acontecimentos em que o real e o imaginário se confundem e interligam num nunca acabar de situações inesperadas, absolutamente mágicas. Essa ligação é de tal modo prodigiosa que se torna difícil destrinçar onde acaba a realidade e começa o sonho, o mito.

Toru Okada é o elemento central, aquele que se vai tentando descobrir à medida que enfrenta um intrincado de situações reais e/ou imaginárias. Todavia, encontra-se rodeado de um conjunto de outras personagens tão enigmáticas, tão fantásticas e, contudo, tão banais quanto ele. De grande consistência, não se destinam apenas a dar-lhe “suporte”, existem por si próprias.

O romance toca vários “tempos”, vários locais e várias situações. Apresenta porém um fio condutor: em todas as épocas, em todos os sonhos em todas as camadas da realidade, um “pássaro” que não se vê, apenas se ouve cantar, continua infatigavelmente a dar corda ao mundo.

Não posso deixar de referir as absolutamente incríveis descrições de atrocidades cometidas no fragor da guerra (II guerra mundial). Impressionaram-me sobretudo duas delas: a do massacre dos animais do Zoo na cidade de Hsin-Ching, na Manchúria, e a do dia seguinte no mesmo local. Episódios escritos com extraordinária mestria, transportam-nos ao local provocando-nos sentimentos muito reais, muito vívidos, de asco, de revolta, de horror..

Também como é já hábito, Murakami recorre profusamente à metáfora tornando a sua escrita muito mais subtil. Quanto a mim, talvez seja a do “poço” a mais significativa neste livro.

Não me vou alongar mais neste comentário, embora a vontade seja muita, ou corro o risco de desvendar mais do que o desejável (se não o fiz já).
Recomendo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

EU, COBAIA (Capítulo III)

(Imagem da net: em esforço correspondente ao 6, 7 ou até 8 da Escala de Borg)
Capítulo III

Ficamos todos um pouco perplexos olhando atentamente para a escala de grandes proporções pregada à janela e, pela minha parte, fixei os olhos e creio que todos os outros sentidos naquela parte que dizia:
Cansativo
Muito cansativo
Exaustivo
Comecei a ficar deveras preocupada. Não sei porquê mas estas quatro palavrinhas não me trouxeram grande sossego. Cá para mim, esse tal Borg, fosse ele quem fosse, poderia até ser um grande sádico (era aliás aquilo que me sugeriam aquelas preocupantes palavras).
Foi aí que a Inês, assim se chama a nossa “treinadora” nos explicou (o que para mim já era evidente) que a escala se destinava a medir, embora subjectivamente, o grau da intensidade do esforço (para mim, de sofrimento) que atingíamos em cada momento da aula.
Ou seja, o treino consistia em aprendermos a detectar em que nível de padecimento nos encontrávamos em cada momento, partindo do pressuposto que os níveis 6, 7 e até o 8 correspondem ao esforço despendido por um indivíduo sentado num sofá a fazer “zapping” (que consegue ser uma actividade deveras desgastante!).
Tecidas estas considerações, demos início à aula.
Passado o aquecimento e logo que os exercícios começaram a aumentar de intensidade, já a mim me parecia que estava muito cansada ou mesmo a passar para o “extremamente cansada”. Contudo, a intensidade foi progredindo num crescendo assustador, levando-me a redefinir o conceito de “extremamente cansativo”; afinal ainda ia conseguindo respirar de vez em quando...
Penso que só se pode considerar exaustivo, quando já não conseguimos inalar ar há pelo menos cinco minutos e a nossa cor mal se distingue da do fundo da piscina (um brilhante azul celeste...).
Finalmente, depois de alguns “picos” de esforço durante os quais considerei que deveria ter tido o bom senso de me preparar convenientemente (com testamento e actualização de seguros de vida) para o treino, lá terminou a sessão, sem baixas, pelo menos num primeiro relance.

Estou assustada, acreditem. Este foi apenas o primeiro treino, outros se seguirão.Talvez seja, pela minha qualidade de “cobaia velha”, a pessoa que mais vai sofrer nestas andanças. Mas, uma vez que não sou pessoa de desistir de nada, até porque a curiosidade não mo permitiria, lá continuarei.
Desejem-me sorte e força para aguentar o que por aí vier.
Se assim acontecer, cá estarei para novos e, talvez, empolgantes capítulos.
Agora vou descansar.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Dia muito especial

Ontem foi um dia muito feliz aqui para a Sôdonagata. É que, por uma feliz coincidência, deram-se dois acontecimentos determinantes para a vida dos meus gatinhos-júnior.
Logo pela manhãzinha, bem cedinho, a minha Kitty mais nova, embora ausente, em Tóquio, tornou-se, agora de “papel passado” e orgulhosamente assinado por mim, sua procuradora, EMPRESÁRIA.
É verdade, ela e três amigos lançaram-se no mundo da indústria do áudio-visual. Agora só precisam de muito trabalho e de muita sorte porque garra, empenho e competência têm eles de sobra.
Já agora, só para se distraírem, façam uma visitinha a
http://www.cimbalinofilmes.com/

Como se isso, só por si, não bastasse para ganhar o dia, eis que, lá mais para o final da tarde, o meu gatãozinho mais velho e a sua gatinha tornaram-se felizes promissores-compradores, também de “papel passado”, de um belíssimo apartamento aqui nas imediações.
É caso para dizer que me sinto uma mãe muito realizada, muito babada e muito inchada e acreditem que já não é das rabanadas, das filhós ou do bolo-rei.
É bom ser mãe destes filhos e só tenho que lhes agradecer os bons momentos que têm trazido à minha vida..
(Imagem: "Gatos" de Jules le Roy)

O nosso adorado Pinóquio

(Imagem: Diferentes poses do nosso Pri... ups, desculpem, do nosso Pinóquio, assim é que é.)
Depois de uma semana que se pautou pelos, já mais ou menos habituais, incumprimentos da parte de quem nos governa e como já era tempo de postar qualquer coisinha em ponto de cruz, aqui vai um motivo que entendi perfeitamente adequado.
Que me desculpem Carlo Collodi e, já agora, também Gepeto a quem não pretendo ofender...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

EU, COBAIA (Capítulo II)

(Imagem da net)
Capítulo II

Ora estava eu nisto, muito calma, claro, pelo menos o possível enquanto me ia esmifrando toda nas aulas e aguardava que me fosse indicado o dia em que iria testar a minha performance (excelente, devo dizer, se admitirmos que resmungar, cantar, falar com a vizinha de trás e outras actividades quejandas possam ser parte integrante da planificação e do bom desenvolvimento da aula) quando, a aluna que vai defender o trabalho me convocou para a primeira, atentem bem, primeira sessão de treinos!...
Espantoso! Isto de ser “cobaia”, afinal, não é o que parece. Ou seja, não nos podemos limitar a estar ali e ir fazendo, numa sessão, aquilo que nos for pedido para posterior análise e intensa reflexão.
Não! Temos de ir a treinos!
Abafando, com dificuldade, diga-se, o espanto inicial, lá me disponho a ir ao inesperado treino.
Chego à piscina, fervente de expectativa, na ânsia de saber como se treina para animal de testes.
Olho em volta e verifico haver mais umas quantas (poucas) cobaias. Umas muito jovens, outras um pouco menos e eu. Ora bem, constatei portanto que eu seria o indivíduo representativo do sector de nível etário mais elevado (neste estudo, claro), vulgo “cobaia velha”.
Estávamos todos curiosos (menos uma cobaiazinha que, penso eu, era já a segunda vez que participava em ensaios deste tipo), para ver em que consistiam os treinos mas, pela parte que me tocava, não augurava nada de muito descansado.
Chega a nossa “piloto de ensaios” e, sem grandes manifestações além do cumprimento como mandam as regras da boa educação e de algumas, poucas, palavras no sentido de saber se estávamos todos com vontade, eis que coloca um grande placard na janela onde se podia ver o seguinte:

Monitorando a Intensidade do Exercício Percepção Subjetiva do Esforço - Escala de Borg (Borg & Noble, 1974)


6 -
7 - muito fácil
8 -
9 - fácil
10 -
11 - relativamente fácil
12 -
13 - ligeiramente cansativo
14 -
15 - cansativo
16 -
17 - muito cansativo
18 -
19 - exaustivo
20 -
(Continua no próximo capítulo)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Afinal era mesmo para não acreditar!

É que hoje, logo pela manhã, o Sr. Ministro, ele próprio, no Parlamento, comunicou ter mudado de opinião no que diz respeito ao pagamento do aumento extraordinário das reformas.
Afinal o montante será pago de uma vez só até ao mês de Março!
Terá sido um rebate de consciência? Ter-lhe-á provocado uma noite de insónia?
A mim a vergonha provoca-me dessas coisas...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Se apenas me tivessem contado, não teria acreditado...

(Imagem da net)
Normalmente não abordo aqui medidas de carácter político por entender não ser uma área em que me sinto particularmente confortável, até porque me suscita apenas o interesse inerente a uma cidadã que procura estar mais ou menos informada acerca do que se vai passando.
Mas hoje, nem queria acreditar!
Ao chegar à sala, entre os meus afazeres culinários, ouvi algo tão incrível, tão surrealista mesmo, que julguei não ter entendido talvez porque fizesse parte de uma notícia maior da qual não tivesse ouvido o início.

Mas, infelizmente não. A notícia era assim mesmo: O aumento extraordinário dos pensionistas que habitualmente era recebido em Dezembro do ano anterior, não só não o foi este ano como será pago em catorze prestações juntamente com a pensão mensal, o subsídio de férias e o décimo terceiro mês.
Ou seja, para uma pensão de 400€ o pensionista receberá mensalmente a portentosa quantia de ......0,38€! É verdade, 0,38€!
É que esse mesmo pensionista receberia de uma assentada só, pasme-se, 19€ inteiros!!! A pobre criatura ir-se-ia ver completamente perdida com as dificuldades que a gestão de semelhante quantia lhe trariam!
Contudo, na verdade, numa pensão deste montante, os 19€ ainda se notam, agora os 0,36€...

Mais incrível ainda, foi a justificação avançada por um elemento do governo para tal atitude. É que, ao que tudo indica, ser pensionista é sinónimo de debilidade mental certa uma vez que, de acordo com a dita justificação, o pensionista iria receber no mês de Janeiro uma quantia superior à que receberá em Fevereiro já sem esses retroactivos e iria estranhar essa diferença no vencimento. Não seria correcto, portanto, defraudar-lhe assim as expectativas!?... (Que expectativas, pergunto eu?)

Mas será que pelo facto de se ser pensionista perde-se a faculdade de se entender o que é o quê?!!!
Francamente custa-me a acreditar que seja possível que os responsáveis por este país não vejam a mesquinhez, diria mais, a crueldade, desta medida. É que estamos a falar daqueles que são e serão sempre os mais sacrificados, os mais necessitados e, quiçá, os que deveriam ser mais amparados e alvo de alguma solidariedade!
É absolutamente inacreditável de tão absurdo.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

"O Menino de Lapedo"

(Imagem: "Menino de Lapedo" pormenor da sepultura)
Tinha os olhos grandes e expressivos, o rosto arredondado e o cabelo liso e comprido. Era assim o Menino do Lapedo, de quatro anos e meio de idade, cujo esqueleto foi descoberto no Vale do Lapedo, em Leiria, e desencadeou uma acesa discussão científica sobre a evolução da espécie humana.

E foi de acordo com esta descrição que um especialista em efeitos especiais, norte-americano, que estuda reconstituições faciais forenses na Universidade de Tulane, elaborou o rosto que será uma das principais atracções do Museu do Menino de Lapedo- Centro de Interpretação Abrigo do Lagar Velho, inaugurado anteontem, dia 5, e que constitui a primeira fase de um projecto que visa a criação de um Parque Arqueológico de nível internacional.

Foi com imenso agrado que li, no Público, esta notícia. Não tem sido muito habitual no nosso país dar especial relevo aos diversos vestígios arqueológicos, sobretudo pré-históricos, de maior ou menor importância, espalhados um pouco por todo o país.
Não é de todo incomum, quando visitamos lugares de importância arqueológica com vista a estudá-los ou apenas por curiosidade, depararmo-nos com zonas completamente abandonadas, sem protecção de qualquer espécie, para já não falar da total ausência de meios informativos.

Felizmente que algo está a mudar e verifico quer pela parte das autarquias, já mais sensibilizadas para estes assuntos, quer da parte do Instituto Português de Arqueologia (IPA) integrado no Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) uma maior preocupação com aquilo que constitui o nosso património histórico.

É claro que o “Menino de Lapedo” se trata de um caso muito especial. A sua descoberta trampolinou Portugal e os seus cientistas, nomeadamente João Zilhão director do IPA à época da descoberta, em 1998 (agora docente na Universidade de Bristol) e a sua equipa, para o meio da polémica internacional que, tradicionalmente divide a comunidade científica em duas correntes de opinião.
Uma, talvez a mais aceite pelo menos até à descoberta deste fóssil, defende que, a chegada do “Homo sapiens” à Europa teria levado à extinção pura e simples do Neanderthal sem que tenha havido entre ambas as espécies qualquer tipo de miscigenação.
A outra defende uma teoria diferente que nos diz ter havido a coexistência das duas espécies de humanóides tendo mesmo havido cruzamentos entre ambas produzindo indivíduos com características de uma e da outra espécie.

É esta última teoria que a descoberta do “Menino de Lapedo”, um fóssil com 25 000 anos, parece fundamentar. O fóssil revela o esqueleto de uma criança de 4 ou 5 anos com características de ambas as espécies.
Para João Zilhão este seria o elo que faltava para a compreensão do que se teria passado com os neanderthais após a chegada do homem moderno.
Tal opinião é partilhada também por Erik Trinkhaus, antropólogo norte-americano, professor na Universidade de Washington em Saint Louis que vai mais longe chegando ao ponto de ser peremptório nas suas afirmações dizendo que “a questão não é saber se houve mistura, mas em que grau é que ela existiu”

Francisco Almeida, arqueólogo português responsável pela investigação no vale de Lapedo, defende também a teoria da miscigenação embora, mais contido, não a considere ainda provada inequivocamente.

De salientar ainda que, embora uma das descobertas paleontológicas mais importantes do nosso país, o “Menino de Lapedo” é apenas um dos vestígios encontrados nessa zona que, pela sua geomorfologia propicia não só a conservação de eventuais fósseis pela existência de grutas calcárias, como sugere (e tem revelado) abundância em vestígios diversos dado tratar-se de um conjunto de dois vales: o do rio Lis e o da ribeira de Lapedo locais onde preferencialmente se instalavam estas comunidades pré-históricas.
A verdade é que a abundância de vestígios deram já origem a setenta estações arqueológicas.

Muito mais haveria a dizer sobre o assunto. Mas, para já, quis apenas expressar o imenso agrado com que verifico que se vai, lenta, mas inequivocamente, verificando uma mudança de atitude em relação à arqueologia e à preservação desse legado que nos leva a compreender melhor as nossas orígens.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Porque hoje é Sábado


Porque hoje é Sábado

Apetecia-me um dia diferente. Um dia que não fosse igual a todos os outros. Um dia que me fizesse esquecer as rotinas habituais, que me permitisse não responder às “obrigações”. Aquelas que, uma vez assumidas, se não cumpridas, não deixam de se fazer lembrar dando voltas e mais voltas na consciência acrescentando-lhe um peso imenso; o da culpa.

Porque hoje é Sábado, dói-me mais a ausência dos que habitualmente faziam parte dos meus dias.

Porque hoje é Sábado, ressinto-me do teu lugar vazio, ao meu lado, no sofá, ainda que apenas para assistirmos juntos a uma qualquer série dessas de investigadores fabulosos, ou de médicos fantásticos, ou de ilhas misteriosas, ou outra qualquer das que, sem nos exigirem um grande esforço nos envolvem e prendem sorrateiramente a atenção.

Porque hoje é Sábado, cuidei poder ter um dia bonito em que pudesse passear, respirando o ar frio do Inverno e não esta escuridão húmida e pegajosa que se agarra a tudo e que me abafa impedindo-me de respirar.

Porque hoje é Sábado, terei mais uma vez o aconchego do sofá, o calor reconfortante, quase hipnótico das chamas da lareira, o ronronar preguiçoso dos meus gatos ao acariciar-lhes a maciez aveludada dos seus dorsos, o olhar meigo do meu cão enquanto se deita aos meus pés e se assusta constantemente com o crepitar da lenha.

Porque hoje é Sábado, verei mais uma vez a tarde escoar-se lentamente. Escura, molhada e triste.
Também eu, lentamente, muito lentamente vou deixando escoar o meu tempo à medida que viro as páginas do livro que leio.

Porque hoje é Sábado!

Propósitos de Ano Novo

(Imagem: "A Gata" de Amadeu Mondigliani)
Não sou pessoa de estabelecer grandes metas para cada ano que começa até porque, sendo como sou, possuidora de um espírito de contradição tal que me dá até gozo contrariar-me a mim própria, estariam logo à partida condenadas ao fracasso total.

Por outro lado não acredito lá muito nesses propósitos de “emenda” que se fazem no calor da emoção que sempre se vive na quadra que acabamos de atravessar. É um momento do ano em que nos tornamos mais sentimentais, mais emotivos e em que a sensibilidade se encontra mesmo à flor da pele. Assim, tendemos a dar muita relevância àquilo que, se calhar, na realidade e analisado noutro momento, nem é tão importante assim.

Por isso, em 2008, vou continuar a fazer a minha vidinha normal, sem outras alterações que não aquelas que me forem ditadas pela vontade do momento e pela possibilidade de as executar. Continuarei a alimentar cuidadosamente a minha, já bem desenvolta, diga-se, preguiça, procurando fazer o menos possível daquelas coisas que eu não gosto, aumentando contudo a percentagem das actividades que me dão realmente prazer.
Provavelmente terei de comprar uns óculos para que a leitura se torne um exercício mais simples e... Bem, creio que é tudo.

Como se vê pelo exposto, não sou pessoa de grandes projectos até porque, normalmente, implicam grandes maçadas ou então, grandes falhanços. Por vezes até as duas coisas.

E, mais uma vez, incumprindo a tradição, lá vou dar início a um novo ano fazendo parte daquela pequena minoria que decide não haver absolutamente nada que pretenda melhorar, iniciar, retomar, acabar, sei lá!...
Serei uma doce inconsciente? Brilhante na minha lucidez? Ou apenas não estou para isso?!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

EU, COBAIA (Capítulo I)

(Imagem da net)
Prefácio

Pese embora a analogia formal que se poderá estabelecer entre o título deste poste e o de um “livro” que andou aí pelos escaparates das livrarias e (espantosamente, diga-se) pelas mãos de muita gente, tendo dado até origem a um filme... desiludam-se os mais sedentos de um bom escândalo. Não, não irei aqui desvendar fofoquices escaldantes nem tão-pouco pôr a nu a careca ou qualquer outra parte da anatomia de ninguém.
O facto é que fui convidada para ser “cobaia” num estudo que uma jovem amiga minha está a desenvolver e... aceitei!

Capítulo I

Estava eu a tentar recuperar a respiração e o controle de outras faculdades quase perdidas após uma aula de hidroginástica que frequento em algumas manhãs de Sábado, quando fui abordada pela professora (professora também na faculdade) no sentido de sondar a minha disponibilidade para participar num estudo que fará parte de uma tese de licenciatura de uma das suas alunas e colega minha ocasional dessas aulas.
Após ter conseguido recuperar a faculdade da fala o que sucedeu depois de umas boas golfadas de ar, e de o ruído dos batimentos cardíacos terem deixado de interferir com a capacidade auditiva, procurei inteirar-me em que consistiria a minha participação no referido estudo.
Fui informada de que seria uma coisa simples. Basicamente teria de fazer uma aula, de forma devotada, ligada a uns aparelhos que iriam fazer diversas medições de coisas que não faço a menor ideia. Iria também fazer uma pequena recolha de sangue para analisarem algo que nem imagino o que seja e, o resto do trabalho seria da aluna.
Fácil! Pensei eu. Porque não?
E logo naquele instante, aqui a Sôdonagata, aquiesceu toda lampeira, carregadinha de altruísmo, com vista a dar o jeito à pequena. E, cá para nós, a ver como se processam esses estudos pois ando cá um pouco desconfiada tal é o grau de “tareia” que levo dos diversos professores por quem passo…
Ou seja, foi aí que a Sôdonagata virou “Cobaia”
(continua)

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Ressaca

(Imagem recebida por e-mail)
Hoje sinto-me assim!

Depois de ter passado, inesperadamente, um reveillon incrivelmente divertido, o primeiro desde há trinta e tal anos, não admira que a minha posição favorita, hoje, tenha sido parecida com a deste lindo gatinho.
A verdade é que os sapatos não ajudavam lá muito mas lá que eram elegantes, eram. Só que depois passei toda a noite a "dançar" praticamente em pontas. Na altura, no calor da festa, nem dá para perceber, mas depois dá cá um cansaço!...
Para o ano tenho de ir primeiro aos treinos.