sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

As coisas que me acontecem!

(Imagem: "Frustration")

Só hoje me apeteceu contar-vos um pouco do que foi o meu dia de quarta-feira. É daqueles dias em que temos a sensação que nem sequer devíamos ter acordado.

Mas, como temos vida, e temos que a viver, o melhor é andar para a frente e esperar que este entupimento da sanita às 9 horas da manhã, porque eu, distraidamente (estava cheia de cólicas intestinais), despejei para lá um recipiente de feijoada que tinha sobrado na véspera, Carnaval, e já não estava em condições, tendo, seguidamente, com toda a lógica puxado o autoclismo, inundando a casa de banho, o hall, as carpetes…. Fosse o pior que me ia acontecer e, já agora tudo condensadinho num espaço de poucas horas.

Mas não! Desenganem-se os mais crentes. Muito mais me haveria de acontecer absolutamente inesperado.

Como tinha assumido o compromisso de levar a minha sobrinha ao hospital às dez horas para fazer um curativo e verificar de que forma estava a evoluir a intervenção cirúrgica a que havia sido submetida semanas antes, comecei a ficar nervosa, percebendo que, de forma nenhuma, conseguiria cumprir o compromisso do horário.

Ligo para o meu irmão, enquanto ia fazendo um café bem forte a ver se espevitava o intestino preguiçoso e o punha a funcionar em vez de doer apenas e combino com ele ir seguindo com a pequena para o hospital que eu seguiria para lá, logo que algo se desencadeasse. (Ele não suporta assistir a estas coisas – curativos, claro).

Lá venho eu de balde e esfregona para limpar o chão numa mão e com a chávena do café algo periclitante no pires para levar para cima e tomar sentada para ver se acalmava um pouco pois estava já a estriquinar.

A parte do balde e da esfregona correu bem, não tive de subir escadas. Já no que concerne ao café não fui tão afortunada.

As escadas, subi. Sento-me em frente ao computador para aproveitar o tempo em que tomava o café e ir lendo os mails mais urgentes. Dou um primeiro gole no café, o qual me provoca uma engasgadela monumental. Cuspo café para tudo quanto é sítio, inclusive o computador (julgo que ficou viciado pois a partir daí, de vez em quando faz umas piscadelas estranhas) e ponho a escrivaninha em estado de sítio.

Entretanto as cólicas tornam-se bastante insuportáveis e eu naquele impasse estranho de não saber se havia de ir à casa de banho (a outra, uma vez que a primeira estava impraticável. O balde e a esfregona, só por si, não obtiveram resultados visíveis) esforçar-me dramaticamente para que algo acontecesse, ou esperar mais um pouco e tratar de limpar todos os vestígios de café que projectei criteriosamente pelos quatro cantos do quarto onde estava.

Bom, decidi-me pela segunda hipótese uma vez que a primeira palpitava-me que ia ser longa e difícil.

Vou buscar os panos e os detergentes para limpar as manchas de café, para o que tenho de ir ao andar de baixo e passar pelo balde e pela esfregona e decido dar uma primeira limpadela ao estardalhaço que me estava a enervar. Não consigo. Desisto, subo para limpar o café, mas acabo por ir primeiro à casinha.

Por pudor vou saltar esta parte. Apenas vos digo que a coisa foi tão complicada que fiquei pejada de Petéquias, é verdade, Petéquias por todo o pescoço, colo e até zonas adjacentes.

Bom, resolvido este assunto, quiçá o mais grave, lá limpo atamancadamente o café, apanho a água que já se espraiava bem perto da cozinha, coloco os artefactos de limpeza no jardim e volto para dentro para disfarçar ligeiramente as ditas Petéquias (não me canso de repetir. Sinto-me feliz, pois não sabia que era temporariamente possuidora de tamanha raridade) e lá vou feita maluca para chegar ainda a tempo do curativo ou ainda dava algum peripaque ao meu irmão.

Cheguei rapidamente ao hospital. O parque estava sobrelotadíssimo como habitualmente pelo que estaciono à Comandante em cima de um passeio com uma lista amarela, e corro para dentro para acompanhar a minha menina.

Aí começam, finalmente as coisas a correr bem. Encontro o médico (por acaso meu primo) ainda a dirigir-se para o local do curativo e, aparentemente, as coisas estão a ficar melhorzinhas com a menina, embora ainda tenha uns tempinhos de pensos e coisas estranhas que lhe enfiam lá para dentro.

Já estava eu prontinha para me vir embora, iniciando as despedidas, quando uma senhora enfermeira, suponho, me dá uma chave para a mão, me indica um cubículo, me manda despir inteiramente, tirar, brincos, anéis, relógios piercings e outros eventuais acessórios e deixa-me apenas com uma bata daquelas que deixam o rabo ao léu, uns sapatos de plástico, muito elegantes, azuis e uma touca verde. Um ensemble extraordinário.

Eu, naturalmente, ainda lhe digo que deve haver engano, que eu não vinha para isto, deve ser alguém, que não eu, que deveria estar a preparar-se mas a senhora não foi de modas e disse que era mesmo eu “o Sr. Dr. Tinha mandado” e, eu calei-me…

Só não percebo é como conseguiram tão facilmente levarem-me assim à falsa fé para o bloco sem que eu tivesse grande reacção. Eu sei que ainda disse que não tinha tomado banho, que não tinha feito a depilação, que precisava da perna para conduzir de volta, que o meu encarregado de educação não havia sido avisado… mas nada resultou. Quando dei por ela estava deitada na mesa de operações, uma pequenita que eles lá têm e já estava o outro de seringa e bisturi em punho todo contente a tirar-me uns sinais que eu tinha combinado lá ir extrair talvez aí há uns três anos… Não sei bem…

De seguida, como se já não bastassem as (outra vez) Petéquias, ainda me tira para aí uns trinta cravinhos, ou verruguinhas, daqueles pequeninos, no pescoço, a sangue frio.

Bom, feito isto, lá me vou vestir, ainda um tanto atordoada não por nenhum anestésico mas pela facilidade com que me engramparam, a mim, que até me acho uma pessoa muito fina.

Venho ter com os outros, que entretanto esperaram por mim, ainda um pouco ensanguentada no pescoço e, após as despedidas formais mais as carinhosas, sobretudo essas, lá regresso ao carro (que entretanto tinha um papelinho no pára-brisas que eu não vi) e lanço-me a toda a brida para um local protegido em que não tenha que mexer em nada, sempre com o espectro do que me poderia vir ainda a acontecer.

As recomendações eram vir para casa e pôr a perna ao alto para que não inchasse. E foi assim mais ou menos que fiz. Depois de ir ao health club e permanecer sentadinha no jardim de Inverno a ler um livro e almoçar lá, como estava combinado com a minha filha, vim para casa.

Aqui, após ter estendido uma máquina de roupa, ter programado outra para se fazer durante a noite e ter tentado limpar realmente a casa de banho (tentado porque a minha filha quando me viu com o balde quase me batia), lá me sentei, finalmente para ficar, de perna para cima.

E, estranhamente, consegui terminar o dia sem que mais nada de anormal se tivesse passado.

Francamente, quando me fui deitar e estava a fazer a minha higiene pessoal, olhei atentamente para as Petéquias mais para as pintinhas ensanguentadas que ficaram da extracção das verruguinhas e achei até que me favoreciam bastante.

Afinal nem tudo fora mau.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Terça-feira de Carnaval!



Já que o Carnaval como festa em si não me diz nada. Pouco passa de um prazo específico e limitado para mostrar a minha folia, a minha alegria. E como eu não estou alegre ou triste, com vontade de bailar ou de chorar porque se estipulou uma data para tal, cada vez mais ligo menos a estas datas.

Contudo, adoro música brasileira. Além daqueles compositores e interpretes mais conhecidos que pulam fronteiras, gosto também de um bom samba bem da terra, de um forró e de outros ritmos que, por norma me elevam o ânimo e me reconciliam com a vida.

Postar uma dessas músicas era o mínimo que eu podia fazer hoje.

“Sem dizer adeus” de Lindood Barclay


É um livro relativamente grande (367 páginas), mas que se lê num ápice. Um misto de mistério e de thriller, no qual o autor utiliza todas as “receitas” para prender o leitor. Vai-se desenrolando uma história pejada de enigmas e segredos, de acontecimentos que, embora passados há muitos anos atrás continuam a influenciar a vida actual das personagens centrais.

Livro de escrita aceitável embora sem grandes exigências, vale pelo enredo que, de facto, prende o leitor nem que seja pela simples curiosidade.

No final (como já se esperava), os “bons” sobrevivem a tudo, os “maus” acabam mortos, claro, não nos deixando mais do que umas horas de distracção e alheamento, algo de que todos nós precisamos de vez em quando.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Mãe sem "Manual de instruções"


Se ser mãe viesse acompanhado de instruções!

Se ser mãe nos tornasse capazes de super-acções!

Já te tinha retirado as tuas tristezas,

reavivado essas horas desoladas,

arrancado todos os vestígios de mágoa,

transformado esse olhar sofrido e doce,

em brilhos fulgurantes de alegria,

e acordado desses momentos de apatia.

E acredita, faria isso, ainda que para tal,

tivesse que guardar para mim todas essas feridas

bem abertas, sem lhes vislumbrar um final.

Estaria bem mais feliz, dolorida,

do que estou assim, desta forma, marginal.


Donagataem 2009-02-23

(Imagem de Salvador Dali)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Parabéns Blue Velvet


Blue Velvet

Posso lá imaginar algo mais belo

do que uma formosa mulher

vestida da cor do céu, ao anoitecer,

com o toque delicado do veludo,

deixando seus ombros ebúrneos aparecer

bem como o seu colo que, com pudor, aludo,

iluminada por uns olhos brilhantes de fulgor?


Posso lá imaginar algo mais excitante,

do que saber esta mulher

uma mãe atenta, uma profissional lutadora,

alguém que age como e quando quer,

uma mente aberta e penetrante

e, afinal, um ser fremente, em busca de amor?


Sim, só posso imaginar, pois esta mulher, por vezes recalcitrante,

com quem vou falando, ao escrever, e que considero brilhante,

é uma amiga, virtual, das muitas que agora encontramos.

Só que destas, queremos mais, algumas, nós dispensamos.


Donagata em 21-02-2009


A Ti, Blue Velvet, já não te dispenso quase dia nenhum. És um vício que se entranha.

Um beijo do tamanho do mundo e muitos parabéns.

Desculpa a gracinha, mas é apenas isso. Uma gracinha, mas muito sentida.