quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Há dias

"Mulher na areia" de Camille Claudel

Há dias em que me apetece somente ser eu.

E soltar-me de todos os abraços obnóxios, mesmo dos outros, das raízes, das gavinhas de tudo quanto me agarra,

Agarrar todas as flores, as aves, mesmo as amarelas, as borboletas, os sonhos, os poemas que quero para mim,

Chorar todas as gotas de todas as chuvas que me queimam por não terem sido ainda choradas,

Rir todos os soluços que se arrumam no peito por não terem para onde os leve o vento.

Há dias em que não sei como ser.