domingo, 27 de dezembro de 2009

Palavras acertadas estas...


Há já muito tempo que permaneço agarrada à leitura do mesmo livro. Não é muito vulgar comigo. Contudo, atendendo ao livro em causa e aos acidentes de percurso, sobretudo psicológicos, que a minha vida tem levado, não é de estranhar.

Estou a ler “Ontem não te vi em Babilónia” de A. L. A..

Sei bem que talvez não seja a ocasião mais adequada para o ler pois a escrita de Lobo Antunes não se compadece com mentes menos atentas ou que partilhem as suas concepções com outros ruídos… É que todas as suas palavras estão lá por uma razão. Não podemos perder nada. Assim, tal como Lenine disse (Vladimir Ilitch Lenine – “Um passo em Frente dois passos atrás” 1904), tenho dado alguns passos à frente e muitos atrás.

Hoje de manhã, depois de acordar, peguei no livro e, quase de imediato, tropecei neste pedaço de escrita absolutamente fabuloso:

“….deviam chover lágrimas quando o coração pesa muito e há momentos, palavra de honra, não se compreende o motivo, mas pesa, sente-se dentro o

(ia escrever o incómodo e não incómodo conforme não tristeza, não dor, como se traduzir isto, não sei)

Deviam chover lágrimas quando o coração pesa muito e há momentos palavra de honra que pesa

(para já fica assim)…

Como são assertivas estas palavras e, contudo, como duvidam de si próprias… E, apesar das incertezas, que outra forma há, mais acertada, de exprimir algo inexprimível?

Como as entendo bem ! Como as sinto também!

E então li, reli e voltei a ler. E, sabem que mais? Não passei dessa página, hoje.


(Imagem daqui)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Foi mesmo difícil!


Bom. Tinha mesmo de ser.

Está a chegar o Natal e não tinha ainda nada alusivo à quadra que é, queiramos ou não, para todos, crentes, agnósticos, ateus mesmo, uma quadra festiva.

Se o não for por outra razão, é-o, sem dúvida, pelo avivar quase generalizado do sentimento de família e, consequentemente, pela maior tendência para apertar esses laços.

Como habitualmente o Natal será passado cá em casa onde junto toda a família. Neste momento, quatro gerações muito bem representadas.

Portanto, como já disse, tinha mesmo de ser.

Atirar para longe as tristezas, as indolências, as preguiças, as hipersensibilidades de senhora de idade e… enfeitar a casa para a tornar um local acolhedor a todos quantos virão para partilhar comigo esta festa.

Tudo isto, antes do Natal, claro.

Consegui!

E é com orgulho que vos mostro a minha árvore de Natal.

Atrevam-se lá a dizer que não está linda!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Boas Festas

Pois bem. Estamos a chegar àquele limite em que já parece mal não ter ainda abordado sequer o Natal. Quadra, na minha opinião, sobrevalorizada e que, também de acordo com a minha opinião, vai perdendo cada vez mais o seu sentido.

Contudo, dado que ninguém tem culpa deste meu cepticismo em curva manifestamente ascendente, decidi corrigir hoje essa minha imperdoável falta e, embora de forma pouco convencional, desejar a todos quantos por aqui vão passando e me vão acompanhando ao longo dos dias (e, inexplicavelmente, devo dizer que ainda são uns quantinhos) um Felicíssimo Natal gozado na companhia daqueles que vos são mais queridos e que o ano vindouro traga todas aquelas coisas boas que almejam.

Bom, essas e já agora mais umas quantinhas de surpresa. São tão boas as surpresas!

O que já não será surpresa para todos os que aqui vêm é a minha falta de habilidade. Portanto, refreiem aí as vossas expectativas.
Perceberão o que quero dizer depois de verem e ouvirem o meu postal.

Paciência. Não se pode ser bom em tudo!

É claro que deveria ser também proibido não ser bom em absolutamente nada. mas uma vez que não é...


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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Tudo tão urgente...



São momentos, estes.

Momentos em que constato

a imensa debilidade que há em mim.

Em mim!

Que surpresa! Como a desconhecia!

Em mim!

A peremptória, a assertiva, o esteio, a insensível!?


A instabilidade alastra cá por dentro

sob esta capa de superficialidade.

Balofice? Ligeireza? Distância?

que tantas vezes dói ao tentar manter-se colada ao rosto.


Porque tudo tão presente, tão perto, tão urgente,

tão vívido que não tenho como deslembrar.

sábado, 12 de dezembro de 2009


É já este fim-de-semana que poderemos contar com o privilégio de ver (e de preferência adquirir) alguns interessantíssimos trabalhos de bijutaria executados com muita arte e ainda mais gosto pela minha amiga Elsa Pedra.


Estes trabalhos, alguns dos quais têm a particularidade de reutilizar materiais diversos, sempre com um resultado delicadíssimo, irão estar expostos na Casa de Cultura de Paranhos (Campo Lindo) em conjunto com os de duas amigas mais no âmbito das Artes Decorativas.


Se puder (se não for para a apresentação do livro "Escolhas" comigo), então dê lá um saltinho.


Vai certamente encher o olho e, de preferência, esvaziar um pouco a carteira. Assim o esperam as artistas.


Dias: 12 e 13 de Dezembro.

Das 10.00 às 19.00

Local: Casa de Cultura de Paranhos do Campo Lindo, 7-Porto

Perturbação



Sentada neste banco frio, áspero, estranho,

feito de duro granito, que não sinto.

Também eu fria, áspera e dura,

granítica e alheia à gente que passa

Alegre?

Apressada?

Distraída?

Ponderada?

que não vejo,

procuro desatar este nó de perturbações

que fervilha descontrolado.

E não sei como…

Aguilhoa-me (a alma?) ferindo-a indelevelmente, irremediavelmente inexoravelmente…


E não sei como arrancá-lo…