quinta-feira, 19 de agosto de 2010

“Niassa” de Francisco Camacho


Gosto, sempre que posso, de ler os novos autores que vão surgindo pois estou em crer que é neles que irá assentar o futuro da nossa escrita (obviamente) e tenho curiosidade em imaginar o seu rumo.

Por isso, mantenho-me normalmente atenta aos prémios literários que todos os anos são atribuídos. Devo dizer que, por regra, tenho tido surpresas deveras agradáveis com o que vejo surgir.

Desta feita foi a vez do romance “Niassa” de Francisco Camacho, vencedor do Prémio P.E.N. Clube Português para a categoria “Primeira Obra” em 2007.

Já o tinha cá em casa há muito para ler mas, tal como acontece a tantos outros, ia ficando em detrimento de alguns que, por uma razão ou por outra, naquele momento, se tornaram mais apelativos ou mais necessários.

Pois bem, o livro trata-se de um romance de estrutura extremamente simples; um indivíduo na casa dos trinta, residente em Cascais com um tio, com uma vida fácil e sem grande sentido que, a dada altura, decide ir em busca do seu irmão mais velho que havia ficado em Moçambique, tal como o seu pai e um outro irmão, aquando do processo de independência do país. Ele, muito jovem, (o mais jovem dos três)foi o único que ficou em Portugal não se podendo dizer, por isso, que tinha verdadeiras raízes em Moçambique.

Não se trata, por isso, de alguém que vai em busca das suas memórias. Não. Ele vai descobrindo o país ondenasceu à medida que o vai dando a conhecer ao leitor.

Bom, mas não me vou alongar na história. Deixo isso para quem for ler o livro. Apenas acrescento que o romance descreve uma viagem através de Moçambique até ao lago Niassa em que o personagem, sempre na primeira pessoa, nos vai descrevendo as pessoas, os locais, os horrores vividos por muitos, as suas histórias, a situação mais actual (que não deixa de ter os seus horrores), à medida que vai em busca do seu irmão desaparecido.

Utiliza uma linguagem simples, directa, talvez um tanto jornalística. Por vezes parece uma crónica de viagem mas outras vai muito mais além. Sem floreados estruturais sem planos justapostos ou contrapostos embora com alguns (poucos) recuos no tempo, torna-se um livro agradável de ler, ligeiro mas cativante. Quanto a mim, não tanto pelo enredo mas pela curiosidade em relação a um país que se mantém na nossa memória coberto de um véu de mistério.

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