sexta-feira, 9 de maio de 2008

"As Paixões de Júlia" de William Somerset Maugham

Acabei de ler “As paixões de Júlia” de Somerset Maugham, livro que já estava na minha longa “lista de espera” há uns bons aninhos (!?...)

Confesso que não sei porquê, mas por uma razão ou por outra ia sendo sempre preterido em função de outros que chegavam bem depois. (Será também assim no Serviço Nacional de Saúde?) Desculpem, mas não resisti.

Bom, vamos lá ao livro. É francamente bom. Muito bem escrito ou não estivéssemos a falar de um autor que, embora fora de moda, é um nome incontornável na literatura mundial.

A história concentra-se toda ela em torno de Júlia, uma actriz de grande sucesso, considerada mesmo a maior actriz inglesa do seu tempo.

Júlia é uma profissional excelente. Manipula com grande sagacidade as suas emoções em palco de modo a arrebatar incondicionalmente o público.

Na vida real é uma mulher inteligente, algo frívola, desiludida, embora acomodada com o seu casamento, obrigada a uma disciplina rígida e monótona de ensaios, dietas rigorosas, apresentações, jantares fastidiosos e, talvez por isso, disposta agora a correr riscos (dos quais sempre fugiu) que a façam sentir-se viva.

Julga poder controlar a sua vida pessoal da mesma forma que, em palco, domina as suas personagens. Mas, sem contemplações, é traída pelos seus próprios sentimentos.

Muito bem escrito ou não estejamos a falar de Somerset Maugham que aqui, ao abordar em romance o tema teatro (o nome original do livro é “Theatre”), revela bem o seu gosto pelo drama. Devemos ter em conta que o autor, embora mais conhecido como romancista, se iniciou como dramaturgo.

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