segunda-feira, 19 de maio de 2008

Desta janela

Abro a janela
deste quarto antigo
deste enorme casarão
que me recorda a infância.
Abro a janela
e espreito a manhã.
Desponta cinzenta e branda
Mas gorda de fragrância
a rosmaninho, hortelã,
flor de giesta, lavanda
tomilho e alecrim.
Inalo com força este festim
de lembranças já perdidas,
de memórias esquecidas
bem fundo, dentro de mim.

Ao longe verdeja a encosta
pincelada por mão de artista
de vermelho, de amarelo,
de roxo, de ametista…

E aqui, bem junto a mim,
uma simples oliveira,
singela mas altaneira,
nas rugas do seu madeiro,
na prata das suas folhas
com textura de cetim.


E no seu pé…
Uma papoila nascida só para mim!

(Imagem: "Gato à janela" de A. Hiroshige)

5 comentários:

Carla disse...

Lindo!!!

Mar Arável disse...

uMA PAPOILA NASCIDA SÓ PARA MIM


LINDO

tAMBÉM PROCURO

A TUA PAPOILA

TENHO TODO O TEMPO

BJS

nuvem disse...

Tão lindo!...

Adorei, simplesmente magnífico.

Mil beijos

Donagata disse...

Obrigada a todos por serem tão amáveis.
beijos

antonio disse...

Toda uma explosão para uma papoila.