sexta-feira, 14 de março de 2008

Sonho


(Imagem: The dream by Pablo Picasso)

Por vezes sinto-me num sonho,
solto-me, deixo-me voar
dispo esta pele que exponho,
escapo de mim e suponho,
poder não mais acordar…
E fico nesta ilusão,
nesta quimera, nesta ideia,
a minha alma devaneia,
num capricho de evasão.
Fantasio – me a acostar,
em porto de águas serenas,
onde escondo as minhas penas
e retomo o meu vogar.
Mas esta fantasia, esta cegueira,
este delírio algo insano,
não é mais que uma barreira,
uma mentira grosseira,
a criar meu próprio engano.

Donagata em 2008/03/13

2 comentários:

nuvem disse...

Que lindo...

Um engano, mas um doce engano... E por vezes um princípio de acção, porque afinal dos sonhos nasce a obra.

Seja como for, deixemo-nos levar por este delírio, como lhe chama, de quando em vez, pois a vida sem um pouco de loucura não tem graça nenhuma...

E já agora, encontro aqui um paradoxo. O mesmo poema que nos diz que o sonho é um engano, faz-nos sonhar! Sra Donagata... Assim deixa-nos mesmo insanos!... Mas felizes :)

Parabéns. E mil beijinhos.

Donagata disse...

Obrigada, nuvem. Mesmo nos seus comentários (muito generosos, diga-se)derrama poesia.
Um beijo grande.