sábado, 22 de março de 2008

"O Império dos Pardais" de João Paulo Oliveira e Costa

...”Ao contemplar as aves que esvoaçavam pelos cantos da praça voltou a lembrar-se de seu pai. Enquanto os pombos tinham o seu império no centro, os pardais continuavam a dominar as zonas periféricas da praça. Em sua circulação, carregando gravetos e migalhas, eram por vezes molestados, pelas aves maiores que até chegavam a tirar-lhes a comida que transportavam. Apesar disso, os pardais não desarmavam, e numa ruela contígua a S. Domingos, tinham-se aliado aos estorninhos contra os melros, e ganhavam território, enquanto nas imediações da Rua Nova d’el –Rei, juntavam-se aos rouxinóis para afrontarem os piscos e as incursões das gaivotas. Outros refaziam alianças com as andorinhas recém-chegadas e dominavam áreas que as pegas tinham por suas e que os pombos também cobiçavam”...


Belíssima metáfora que compara os portugueses, aos pardais. Os primeiros constroem o seu extenso império além-mar enquanto outros reinos maiores e mais poderosos se degladiam entre si. Os pardais, de uma forma semelhante, aproveitam a distracção das aves mais possantes para alargarem os seus espaços.

Extraordinária obra de ficção baseada na mais apurada realidade histórica do reinado de D. Manuel I.
Através de um romance suportado por personagens riquíssimas, leva-nos a conviver com um quotidiano possível na exótica Lisboa quinhentista. Cruzam-se sabiamente as personagens ficcionadas, apaixonantes, com outras que deveras existiram. Revela-nos os jogos de intriga, de conluio, de mentiras, de espionagem, de alianças que sempre envolveram a corte.

2 comentários:

nile santos disse...

Oi amiga.Lindo comentário.Gostaria de ler o livro.bjiot.nile.

Mar Arável disse...

Pelos vistos

a história repete-se

Saiam os gatos