segunda-feira, 3 de março de 2008

"A Revolução Copernicana" de Thomas Kuhn

Como já tinha aqui referido, decidi fazer um intervalo na leitura de Sándor Márai e li um livro que me havia sido emprestado com excelentes recomendações: “A Revolução Copernicana” de Thomas Kuhn. Já num poste anterior fiz a seu respeito uma breve abordagem escrevendo acerca de alguns temas de reflexão que a sua leitura me induziu. Contudo, uma vez que já acabei a sua leitura não quero deixar de escrever aqui as impressões que ela me suscitou.

Sendo completamente diferente dos géneros que tenho vindo a ler, considerando-o talvez mais um livro de pesquisa e mesmo de estudo do que meramente recreativo é, contudo, um ensaio excelente que nos dá pistas para melhor entendermos, entre outras coisas, o pensamento moderno.

Kuhn leva-nos através do tempo, desde as antiguidades pré-clássicas (Egipto, Babilónia…), passando pela Grécia e Roma e vai-nos contando a história da evolução conceptual da astronomia (tão importante para todos os povos) e, consequentemente da evolução das outras áreas que lhe estão inevitavelmente associadas: a Filosofia, a Cosmologia e a Física. E assim, de mansinho vamos passando por Anaximandro de Mileto para quem “ as estrelas são porções comprimidas de ar, com forma de rodas cheias de fogo e emitem chamas a partir de pequenas aberturas…”, por Platão e a sua alegoria da criação: “Timeu”, por Pitágoras e pelos seus seguidores, os pitagóricos que “colocaram as estrelas numa esfera gigante, única…”, por Aristarco de Samos considerado o Copérnico da Antiguidade uma vez que para ele “…o Sol era o centro de uma imensa esfera de estrelas, e a Terra movia-se num círculo à volta do Sol…”, por Ptolomeu e o seu “Almagesto”, por Aristóteles, cujas opiniões foram o ponto de partida para a maior parte do pensamento medieval e renascentista, até que, para citar apenas alguns tentando evitar tornar-me excessivamente maçadora, chegamos a Copérnico e à sua “De Revolutionibus Orbium Caelestium”.

É claro que Copérnico, influenciado na sua pesquisa (de acordo com Kuhn) por factores que lhe eram externos como: o retomar renascentista da visão do Sol como a imagem de Deus; as viagens marítimas que alargaram os horizontes terrestres e a mudança verificada na análise da queda dos meteoros, foi só o iniciador de uma teoria que viria a ser continuada e comprovada por Galileu Galilei a partir das observações astronómicas directas efectuadas através do telescópio refractor por ele melhorado e que terá sido o primeiro a utilizar, tendo sido finalmente consolidada por Kepler e por Newton.
Mas esse início sem apresentação de provas, inseguro e, por vezes até, um pouco contraditório foi o que levou Copérnico a ser considerado por muitos o precursor das transformações que conduziriam à Ciência e à Filosofia modernas.

Como não sou, nem por formação nem por inclinação própria, muito ligada à área das ciências, receei, ao ler a breve sinopse, que esta leitura me viesse a causar algum aborrecimento.
Engano meu. Se é certo que as ciências, na sua globalidade, não são áreas que despertem o meu maior interesse, já os aspectos da evolução histórica e do pensamento filosófico bem ainda como a forma como todo este conjunto interfere na mundividência de uma época e condiciona as épocas subsequentes me deixam completamente fascinada.
E, no fundo, é isso (julgo eu, foi pelo menos essa a minha interpretação) que Thomas Kuhn nos pretende transmitir.

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