quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Talvez consiga sonhar


Anoitece lentamente.
Termina assim um dia
Tão bom, tão pleno e,
Por fim… tão triste!
Por momentos,
Procuro esquecer a angústia
E este sentimento de impotência
Que me assola,
E me subjuga.
Tento soltar a alma
Deste peso imenso e
Descanso o olhar no mar
(sempre o mar!).
Da janela não avisto praia
Apenas mar,
Esse mar inquieto,
Vasto,
Profundo,
Misterioso.
Esse mar infinito
Que se funde no infinito do céu.
Ao passear lentamente o olhar,
Paro-o.
Reparo e encanto-me:
No meio dessa vastidão,
Desse azul avassalador,
Dessa misteriosa inquietação,
Três barquinhos!
Três insignificantes barquinhos
Repousam,
Sozinhos, esquecidos,
Presos a coisa nenhuma,
Acomodados ao doce embalo
Do gigante.
Em seu redor
As sempre presentes gaivotas,
Apenas sombras fugidias,
Neste céu crepuscular
Soltam vagidos pungentes.
Mas os barquinhos
Tão pequenos
Tão serenos
Tão presentes
Quiçá esquecidos,
Mas tão grandes na sua pequenez
Dormem.
Talvez sonhem.
Talvez o sonho lhes confira essa imponência
Inexplicável mas inequívoca.
Talvez.
Talvez também eu possa sonhar.


Donagata em 25/09/2007

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