quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Sem maquilhagem


Pouso o livro que estou a ler

e já não me prende a atenção.

Estou desatenta, devaneio.

Fecho os olhos, devagar

e procuro entender-me,

dissecar o meu imaginário.

Procuro ler-me nas mais escusas entrelinhas.

Procuro escapar de mim

ao mesmo tempo que me mantenho eu

e me espreito, sorrateira, furtiva.

Vejo aquela que todos vêem,

aquela que está por cima,

que dá a cara,

que sorri,

que chora,

que todos julgam conhecer de tão transparente,

até eu.

Mas, finalmente, encontro-me.

Não sou mais essa,

sou apenas eu.

Mais real, mais crua, mais viva.

Sem comportamentos ditados pela sociedade,

sem amarras, sem pudores,

sem evasivas ou maquilhagens.

Sou a que não se reconhece.

Donagata 2009-01-06

(Imagem: Arte com livros de Jennifer Khoshbin)

7 comentários:

BlueVelvet disse...

Que engraçado. Parece que nos sintonizámos quando escrevemos os nossos últimos posts.
Ora vá lá espreitar o meu:)
Beijinhos

nuvem disse...

Muito forte este poema... Gostei imenso... Ainda estou a recompor-me!

Um beijo enorme

Donagata disse...

Estou feliz porque gostou, Nuvem. Isso é muito importante para mim.


BleuVelvet, já lá vou dar uma espreitadela.
A sintonia deve ser do tempo...

Beijos a ambas.

eu, do alto do meu salto disse...

Muito bonito e... Intenso!
Espero por mais destes :)

beijinhos

Anónimo disse...

Ola Sra Donagata :)
Fantastico ...
No minimo Fantastico !!!
Excelente , Gostei mesmo muito !

Beijo , Anibal Borges .

Donagata disse...

Obrigada. Ainda bem que gostaram.
Beijos

Mar Arável disse...

Quando nos despojamos

em palavras belas

sentidas

apetece reinventar a vida