segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

"O quinto Filho" de Doris Lessing


Mais um livro que eu li da autora e mais uma vez me conseguiu impressionar.

Sob uma aparente simplicidade, uma vez que o enredo é o menos importante no s seus livros, Doris Lessing cria em nós, leitores, um clima de inquietação, quase de assombro.

Como já disse, o que impressiona nos seus livros é a força das personagens sobretudo das femininas, talvez porque marcadas pelo “pecado original”. Explora nestas os sentimentos mais imperceptíveis, os mais inabituais, aqueles que não estamos à espera. Aborda também de forma magistral, até porque com aparente simplicidade, casos humanos limite.

Normalmente, nas suas obras (pelo menos nas que já li), de uma forma ou de outra, o “mal” acompanha sempre o enredo. O mal nasceu com a vida e com ela prolifera e cá estamos de volta à metáfora, quase recorrente, do “pecado original”. A felicidade paga-se com o desgosto. Há sempre o momento em que o mal irrompe quando tudo parece um paraíso.

No “Quinto filho” esta metáfora é por demais evidente.

É uma novela pequena (173 páginas), mas na qual estão muito visíveis um conjunto de sentimentos obsessivos que decorrem do que foi dito atrás.

A história que apresenta, começa e vai evoluindo ao ritmo de um típico romance cor-de-rosa: encontram-se, amam-se, casam, têm muitos filhos e são felizes para…

Não são felizes para sempre. E é aí que as histórias de Doris Lessing divergem. Neste caso, o nascimento deste quinto filho, diferente dos outros, vem impor uma viragem dramática, expondo, em toda a sua sordidez, o outro lado do romance cor-de-rosa.

Recomendo vivamente.

1 comentário:

Carla disse...

Fica registada a sugestão.
Beijo e boa semana