sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Isto


(Imagem:fotografia de Alva Luna)


Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

Fernando Pessoa

4 comentários:

nuvem disse...

Perfeito. Simplesmente perfeito. Para Pessoa, não existem outras definições.

Beijinhos e parabéns pela excelente escolha.

Donagata disse...

Concordo inteiramente.

Alda M. Maia disse...

Foi uma surpresa, muito agradável, descobrir este blogue.
Foi um contínuo prazer a leitura de alguns dos seu posts precedentes.
Deliciei-me com o retrato da Carlota Joaquina.
Agradou-me saber que também leu Sándor Márai.
Ri-me divertidíssima com o diálogo, muito nortenho, em Campanhã!
Permita-me que lhe envie um abraço de muita simpatia.
Alda

Donagata disse...

Agradeço o simpático comentário que me deixou e, volte sempre.
Um abraço e um bom fim de semana