domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sátira (ou talvez não...)


(Imagem da net)


Espanador na mão e calça arregaçada,
em fúrias dou a volta à casa toda
com o balde e a esfregona a andar à roda,
estou cansada, suja e desgrenhada.

O pó, esse pesadelo omnipresente
vou tentando a muito custo afugentar
espano, esfrego e aspiro, a disfarçar
numa luta que sempre perco, impotente.

É que, para falar com franqueza
eu não sou dona de casa por opção
e manejar os instrumentos de limpeza
cria em mim uma enorme irritação.

Tudo aquilo que hoje faço com desvelo,
amanhã estará de novo desfeito
e em boa verdade até suspeito
que será tema de um enorme pesadelo.

Está doente a senhora que aqui vem
normalmente desempenhar estas funções.
É sofrivel, não se empenha, não faz bem,
mas afasta-me destas grandes provações

A doença já se arrasta há mês e meio
e eu já estou mesmo a “estriquinar”,
estou cansada do difícil que é o asseio,
tão inglória esta mania de limpar...

Ocupada como ando à vassourada,
pouco tempo já encontro para as letras,
as “alfaias” da limpeza são grilhetas,
que me afastam dessa miragem dourada.

Mas, enfim, lá arranjei um bocadinho
em que a casa até parece arrumada
para chegar aqui, de mansinho
e escrevinhar esta grande patacoada.

Melhor fora que o não tivesses feito!
Direis vós, leitores, e com razão.
Mas também creio que alguns compreenderão:
É apenas um desabafo ao meu jeito!

Donagata em 2008/02/09

1 comentário:

Clara Branco disse...

Gostei muito! As lides domésticas também não não da miha preferência, aliás, tiram-me tempo para aquilo que eu também gosto de fazer, como ler, pintar, etc etc. Mas por outro lado, ver o pó a acumular-se, a roupa por passar, dão-me a volta à cabeça. O que fazer?

beijos