sábado, 2 de fevereiro de 2008

"Afonso o Conquistador" de Maria Helena Ventura

Já o tinha em casa há bastante tempo mas só agora decidi ler o livro de Maria Helena Ventura “Afonso o Conquistador”.
Um livro sem grandes surpresas, bem escrito, fruto de uma pesquisa profunda (bem patente na bibliografia consultada que a autora nos apresenta no final), que nos dá aquilo que a sua sinopse promete.

A autora apresenta-nos numa mistura feliz da história real e de alguma ficção, um romance em que Afonso Henriques surge intrépido, fogoso, excelente estratega, quase invencível, líder incontestado, ambicioso, determinado, perseguindo os seus objectivos recorrendo, para tal, à força, à astúcia e, se necessário, mesmo à intriga.

Mas, por outro lado, mostra-nos o homem que sonhou um reino ao qual queria, a todo o custo, acrescentar “chão”, o homem amante da vida, leal para com os seus amigos, personagens da sua gesta, que soube “donear” como poucos, soube ser meigo, apaixonado, amar profunda e carinhosamente os seus filhos, naturais e legítimos, e também a sua “senhor”, Matilde de Saboia (para a maioria dos autores portugueses Mafalda), donzela que foi aprendendo a amar e a respeitar.

Dá-nos também conta do seu amadurecimento, de como foi refreando os seus impulsos de jovem, por vezes irreflectidos, frutos da sua ambição, de como foi cada vez mais ponderando as suas decisões, acatando conselhos dos seus, sempre fieis, companheiros os quais foi vendo desaparecer um a um, provocando-lhe grande tristeza e alguma solidão para o final da sua vida.

O romance finaliza envolto numa aura de ternura. Termina com uma carta que Afonso Henriques, já no final da sua longa vida recheada de vitórias, alguns desaires e um amontoado de perdas, fisicamente incapacitado e saudoso, envia à sua filha preferida, Teresa, agora na Flandres casada com Filipe de Alsácia. Nela dá-lhe conta da falta que sente das longas conversas de ambos, dos seus conselhos e de como vai prosseguindo a sua vida, a sua governação ainda plena de lucidez e a de seu filho, D.Sancho.
Cito apenas o trecho final:
“De todas as maravilhas que recordo, nenhuma mais grata do que a imaginação de uma criança como tu, capaz de fazer medrar a inteligência e o afecto nos intervalos da rispidez, transformando migalhas de amor ocasional de um pai quase sempre ausente, numa tessitura de livres horizontes.
De Coimbra para o longe que eu não sei, adorada e formosa Teresa, vai o barco desta imensa saudade numa folha de choupo amarela. A joaninha, minha filha mais querida, já voou”.

Livro muito interessante sobretudo para quem se interessa pela nossa história.

1 comentário:

Manuel disse...

Um bom livro sem duvida.
Como diz no seu resumo,um pouco de história com um romance á mistura, ou seja divertimento enquanto se aprende um pouco da nossa história (nas ultimas páginas dá-nos a descrição de quem é quem)