domingo, 17 de agosto de 2008

"A Herança de Roma" de António Estrela Teixeira


Apesar da longa lista de livros que ainda não li e que pretendo ler, embora o tempo me parecer tão pouco para o fazer, está visto que estou em maré de releituras.

Na sequência de uma procura que estive a fazer acerca das origens do topónimo “Maia” surgiram-me um sem número de evidências da presença romana na região. E, passe a expressão, estas coisas são como as cerejas: cada aspecto interessante que encontro, leva-me a buscar outro, depois ainda outro num nunca acabar de demandas.

Foi desta forma que decidi reler o livro “A Herança de Roma” de António Estrela Teixeira. De início ia reler apenas os aspectos que se prendiam com a Península Ibérica, sobretudo com Portugal, é claro. Contudo, depois de iniciada a sua leitura, fui prosseguindo de capítulo em capítulo quase que esquecendo o objectivo inicial.

Trata-se de uma obra muito minuciosa, clara na forma como expõe as suas conclusões, com dados muito concretos utilizando até métodos “quantificadores”, de uso comum na área da economia mas, tanto quanto sei, inéditos na área científica da História. Muito bem documentado, denota um trabalho reflectido e muito aprofundado. Evoca um número elevado de referências bibliográficas interessantes.

Explica de uma forma inteligente e pouco habitual a união de espaços geográficos tão diversos e com ocupações demográficas e culturais tão diferentes como é, por exemplo o caso dos países que constituem a actual União Europeia, baseando-se para tal no modelo do Império romano.

Procura mostrar o grau de influência civilizacional que os povos dominadores têm sobre os dominados,”quantificando-o” para o que utiliza formulas matemáticas simples onde entra em linha de conta com: o tempo de permanência na zona ocupada, a distância e o grau de dificuldade em a atingir (tendo como referência Roma), os níveis civilizacionais da população dominada e da dominante, a coesão social interna (item muito interessante) e a percentagem de população pertencente ao povo dominador que de facto habitava as zonas ocupadas.

O estudo do Império romano e a forma como a língua latina se difundiu nas áreas sob a sua influência (que o autor subdividiu em 14 regiões de acordo com critérios baseados em aspectos geográficos, históricos, linguísticos, religiosos… para facilitar a análise), servem de ponto de partida para o estudo de outros impérios mais recentes, para o avanço para outras áreas, outros temas bem mais profundos.

Livro muito interessante, inovador na sua metodologia e que nos espicaça a curiosidade para partir para outras buscas.

11 comentários:

Carla disse...

Fica a anotação gravada. Obrigada pela partilha!
Boa semana!

Donagata disse...

Vale a pena, Carla, pela originalidade do estudo e pela sua clareza.

A.Teixeira disse...

Donagata, o autor, embevecido e vaidoso, agradece a promoçom!

Donagata disse...

Acordaste meiguinho! Não é promoçom, é o que eu penso. E, na verdade, julgo que tens razões para estares peneirento cumócarago!
Como sabes já o tinha lido em "manuscrito" (o qual tenho religiosamente encadernado!). Contudo esta leitura foi muito mais calma e, devo dizer, muito mais proveitosa. Deu para apreciar devidamente a profundidade e a originalidade do teu estudo.
Parabéns.
E, já agora, pelo que vejo, penso que já tens matéria investigada para vários livros iguais, ou melhores do que este.

Um beijo.

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Também gostei muito do livro. E concordo também com o que dizes. Para quando outro (s)?

Anónimo disse...

A verdade é que já tarda outro livro. Não está certo que os leitores de livros com interesse, nomeadamente histórico, fiquem privados de saborear muito do que António Teixeira tem reflectido sobre a realidade actual, a partir dos profundos e extensos conhecimentos que possui de acontecimentos históricos relevantes.
LS

Donagata disse...

Com tanta gente (e que gente!) a pedir, vá lá, não nos vais fazer a desfeita de, pelo menos, não tentares publicar aquelas coisas espantosas que escreves.

Beijos

Conceição disse...

Olá, provavelmente vai pensar...mas quem é esta intrometida?
Já estivemos numa tertúlia no SolMaia, lembra-se? Conversamos um pouco e logo uma empatia se gerou, como me falou do seu blogspot, tenho vindo cá fazer umas visitas!
Ao ler o comentário de "A Herança de Roma", e uma vez que afirma que este "serve de ponto de partida para o estudo de outros impérios mais recentes, para o avanço para outras áreas, outros temas bem mais profundos", permita-me sugerir a leitura de "A escrava de Córdova". Um romance histórico, (do mesmo autor de "Rosa Brava") que recua ao período anterior à formação do condado Portucalense, tempo em que, na península hibérica, os territórios eram constantemente reclamados por cristãos, muçulmanos e judeus. Todos nós sabemos da influência árabe que herdamos dos nossos antepassados, (e que ao longo da História tem sido recalcada e até esquecida por historiadores e quiça, pelo poder político) mas não tinha tido ainda a oportunidade de a entender com tanta clareza. Uma leitura que recomendo vivamente.
Bjs e parabéns pela elevada qualidade que sempre encontro nos seus textos e apresentação dos mesmos.

Donagata disse...

Obrigada, Conceição, pelas visitas e, pelas amáveis palavras que me deixou.
Em relação ao livro que me propõe, já o coloquei na lista dos "a comprar" pois aprecio romance histórico (quando bem escrito e fiel à realidade conhecida) e esse período diz-nos muito.
Este que comento aqui, como percebeu, não é romance, é um ensaio com uma abordagem extremamente minuciosa, mas clara,tendo por base uma "unidade política" muito semelhante à nossa CEE.
Beijos e mais uma vez, obrigada pela visita.

Conceição disse...

Olá!
Cá estou de novo, desta vez para corrigir um erro por mim cometido quanto ao autor de "Escrava de Córdova" - Alberto S. Santos!
A César o que é de César, o autor de "Rosa Brava" é José Manuel Saraiva. Li recentemente também deste autor o romance histórico "Aos olhos de Deus" e gostei muito... daí o meu entusiasmo em menciona-lo, mas (talvez pelo sono que já me invadia o raciocínio) baralhei os autores das obras...erro imperdoavel...do qual peço desculpa!
Também adoro romances históricos e a leitura destes três encantaram-me!
Beijinho com muita estima!
P.S. Já deu inicio às actividades desportivas?

Donagata disse...

A correcção foi registada e devidamente transcrita para a lista.

E sim, já dei início às minhas actividades.Ou melhor, nem cheguei bem a pará-las pois ainda não tive férias.

Hoje fui à aula da Susana. Boa como sempre.

Espero vê-la para a semana.
Beijos