segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Desculpem mas não resisti...


Tentei, acreditem que tentei até por uma questão de um certo nível que gostaria que o blog mantivesse, mas não fui capaz.

Li ontem, na revista do Expresso, uma entrevista com Maria Alice de Carvalho Monteiro e fiquei perfeita e completamente aparvalhada. Aparentemente é verdade que existem pessoas para as quais a vida é um verdadeiro conto de fadas. Ou seja, os contos de fadas são reais; as fadas andam por aí, quase ao nosso lado, pelo menos ao nosso alcance em tudo o que é revista de interesse…

E essas fadas contam com verdadeiros príncipes mais ou menos encantados que sucumbem fatalmente aos dogmáticos encantos desses autênticos elfos.

Se não vejamos alguns aspectos interessantes da entrevista:

Maria Alice de Carvalho Monteiro, de 64 anos, nasceu numa casa grande e confortável, na Guarda e a sua mãe sempre lhe disse que seria uma pessoa diferente pois o primeiro som que fez foi o de uma gargalhada (!) e não de um choro.

Teve uma infância privilegiada “a primeira vez que fiz uma cama foi quando me divorciei, [sic]”.

Andou no liceu de Oeiras e “tinha sempre uma corte de meninos atrás de mim, [sic]”, o que não a impressionava nada uma vez que já tinha como projecto ir para os Estados Unidos e casar com Marlon Brando. Feito que conseguiria como conseguia sempre tudo. Neste caso era apenas chegar junto do actor e dizer:

- “Tenho 15 anos, chamo-me Alice e venho do país das maravilhas para me casar contigo [sic]”! E, logicamente, o actor ficaria imediatamente rendido.

Como é que eu não me lembrei de uma coisa deste género em relação, por exemplo, ao George Clooney? Se calhar só funciona com Alice…

Passou, já na Universidade, por uma fase revolucionária estudantil, resultado de um dia ter chegado à faculdade e ter-se apercebido que “tinham retirado os sofás – que eram lindos, roxos e cinza, pareciam Phillipe Stark, [sic]”.

Finda esta fase, integrou o contingente de hospedeiras da TAP, “naquela época uma profissão de glamour, [sic]” embora hospedeira de terra porque os pais diziam que “uma menina como deve ser não dorme fora de casa, [sic]”.

Casou, obviamente com quem quis e que por acaso até tinha a nuca muito parecida com o Marlon Brando (!), que lhe proporcionou um casamento de sonho: Lua-de-mel em Saint Mauritz, Verão na Sardenha, teatro em Londres, exposições em Nova YorK, na rentrée…

Enfim, após 17 anos deste tormento, divorcia-se porque quer trabalhar (bolas, não lhe chegava esta azáfama?).

Onde? Perguntar-se-á. No mercado imobiliário. “Não era eu que mostrava as casas, porque não tinha pachorra, mas ia de limusina buscar clientes estrangeiros fantásticos, almoçávamos no Ritz…[sic].

Apesar deste trabalho deveras exaustivo debateu-se com dificuldades tais que constatou, a dada altura, que não poderia dar um bife de lombo à filha! Verdadeiramente trágico, convenhamos, já que a senhora, muito frugalmente, se contentava com uma saladinha e um champanhe que os diversos amigos nunca deixaram de lhe oferecer. Mesmo assim, viu-se compelida a vender o Alfa Romeu, com o dinheiro do qual, sobreviveu durante um ano.

Aparece diariamente nas revistas cor-de-rosa, em programas de televisão que eu nem sabia que existiam e em todos os eventos sociais de realce do Minho ao Algarve, vestida por costureiros de renome. Nunca cobrou qualquer cachet (a não ser nos programas de televisão que podemos considerar salário) e paga os vestidos que usa (assim afirma na entrevista).

Poder-me-ia estender muito mais pois a entrevista é longa e estranha, mas confesso que estou a ficar um tanto agoniada.

É que isto de divagar pelo mundo das fadas que é o mesmo que dizer pelo interior de uma mente doida, é irritante e está a deixar-me um tanto stressada.

Para finalizar só vos digo: se Shakespeare nunca foi chacoteado pela célebre frase que colocou na boca de Hamlet “to be or not to be that is the question”; Simone de Beauvoir também não consta que o tivesse sido quando afirmou que “fútil é uma futilidade”. Porque raio é que ninguém parece ter entendido a profundidade de “estar vivo é o contrário de estar morto”?????

É mesmo pura maldade.

9 comentários:

Ti disse...

eheh! mto bem apanhado, Donagata! :)

susana disse...

Querida gatinha: há coisas que não se devem ler, quanto mais tentar interpretar e, fatalidade, reflectir sobre. estamos a precisar de água, estamos, estamos.
:):D

De Profundis disse...

Pior do que tudo isto, é a Lili ter ameaçado que vai escrever...um livro!O que me deixa curiosa:a Donagata vai conseguir vencer a náusea e a agonia, e comprar o livro da Lili? E conseguirá lê-lo?

Donagata disse...

Não, seguramente não. É uma coisa que nem sequer me passaria pela cabeça.É que no meu ponto de vista há bons e maus escritores que escrevem bons livros e livros menos bons. Depois há estas coisas que têm a mesma forma, escritas por pessoas que o não sabem fazer, nem bem nem mal, para dizer coisa nenhuma.

Aparentemente vai também fazer teatro; uma peça de Tenessee Williams no Teatro Experimental de Cascais!

BlueVelvet disse...

Ainda não parei de rir, embora seja um riso nervoso: logo eu que compro o Expresso não comprei este...é que cá para mim, eles também não andam bons da cabeça: a que propósito um jornal, antes de referência, faz uma entrevista desse tamanho com uma "fada" destas?
Não há paciência.
beijinhos

Perla disse...

Grande humor!!!

Haja pachorra com essa vida de morto!

Donagata disse...

Pois é bluevelvet. Também eu me fiz essa mesma pergunta. A verdade é que, infelizmente, quer gostemos quer não, isto vende.
Agora que fiquei com menos vontade de ser assídua leitora do expresso, talvez tenha ficado.

A entrevista é estranha, porque o jornalista tenta desmontar este conto, a pequena é que vive nele de pedra e cal...

antonio - o implume disse...

Agradeço-te este post! Pois, sem o saber, estava a condenar as minhas filhas a uma infância triste e pobre: ainda hoje de manhã, a mais nova, com 4 anos, (des)ajudou o pai a fazer a cama delas...

Donagata disse...

Ainda bem que serviu para alguma coisa de útil. Mas, já agora, um conselho de uma velha: deixa-a (des)ajudar-te o mais possível em tudo. Mantém-te junto a ela ou elas ou eles o mais possível. Mais tarde vais ver que grande é o ganho.

Um beijo.