sábado, 4 de julho de 2009

“O Rapaz do Pijama às Riscas” de John Boyne


Acabei hoje de o ler e, em boa verdade, não posso dizer que me tenha causado a impressão que eu esperara.

Enfim; lê-se bem, lê-se rápido, mas é morno.

Sobretudo para quem, como eu, leu “Como o Soldado Conserta o Gramofone” de Sasa Stanisic que falava sobre o mesmo tema, os judeus (e não só) na 2ª Guerra Mundial e, curiosamente, com uma abordagem muito semelhante, não pode evitar uma sensação de defraudamento.

Esperava mais. Esperava mais não só porque o assunto o merecia mas também pela inundação de publicidade com que fomos bombardeados em relação ao livro e, posteriormente, ao filme. Eu cá tenho as minhas razões para desconfiar destas badalações…

Bom, voltando ao livro. Lê-se de um fôlego, é pequeno e sem engulhos de leitura, e não posso dizer que me tenha sido indiferente. Não foi. Acompanhou-me sempre uma sensação algo perturbadora. Não pelo que acontecia mas, precisamente, pelo que não acontecia… É que a ingenuidade do protagonista/narrador é tal que aflige.

À medida que vamos lendo, vamos sendo confrontados, ou melhor, nem isso; vamos intuindo (de acordo com a nossa capacidade para o fazer a qual, neste caso, se prende também com o nosso conhecimento acerca desta época específica) os horrores do campo de concentração, o extermínio dos prisioneiros, sem que o narrador, uma criança de nove anos, tenha disso (estranhamente) a menor consciência.

Vai procurando explicações para aquilo que vai observando sempre no contexto do mundo que ele conhece; o do lado de cá da vedação e muito limitado.

Estranho que sendo a criança filha de um oficial de alta patente, digno da visita do Fuhrer para jantar, nem sequer tenha a consciência da diferença entre uma farda e um uniforme de prisioneiro.

Ele havia coisas estranhas naquele tempo, naquele país, não havia?

Na volta não passou tudo de uma enorme ingenuidade…

3 comentários:

redonda disse...

Já tinha pensado nessa perspectiva da ingenuidade, só pelo que li sobre o filme, e por isso não comprei o livro.
Estou a gostar muito de vir aqui, até agora em silêncio, e ler as críticas sobre livros.

Donagata disse...

Venha sempre. Em silêncio, a refutar os meus pontos de vista, da forma que mais lhe aprouver. Será sempre bem-vinda.

redonda disse...

Obrigada :)