sexta-feira, 11 de abril de 2008

Escrevo!


Olho as orquídeas que florescem sob a laranjeira!
Passo-lhes os dedos, ao de leve, com cuidado.
Tão macias! Tão exóticas! De cores tão suaves,
e, contudo, tão irresistíveis!
Gritam alto o fim do tempo triste,
cinzento e frio, em que a própria natureza,
se encrespa e parece tudo castigar.
Fazem coro com os melros negros que debicam
aqui e ali, os pequenos insectos do jardim,
exibindo, orgulhosos, os seus bicos de intenso amarelo
(como gosto de os ver, altivos).
Fazem coro com as rolas que arrulham
nos galhos dos carvalhos que avisto do jardim,
cuja verdura tenra é também um alegre hino
ao renovar da alegria, ao reforço da vida.
E os pardais?
Esses, que todo o ano por aqui deambulam,
surripiando descaradamente a comida do cão,
não se atrevendo na dos gatos,
andam agora mais alegres,
mais arrojados,
disputando a fartura que já se adivinha.
E eu, dou por mim enternecida,
Espreitando quase religiosamente tudo isto
e ensaio a melhor forma de fazer parte deste mesmo hino.
Escrevo!

Donagata em 2008-04-11

3 comentários:

Sofia Loureiro dos Santos disse...

E ainda bem, porque gosto muito de te ler.

nuvem disse...

É bom este sentimento de pertença às coisas belas do mundo que nos envolve... Faz-nos sentir em sintonia com a vida, não é?

Belíssimo texto.

Mil beijos

Donagata disse...

Obrigada a ambas. Habituam-me mal! Isto é muito mimo...

Beijinhos