quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Agora quem está indignada sou eu!


E ainda a novela "Dalila Rodrigues"


Sem querer manifestar opiniões acerca de assuntos que não domino como é, sem dúvida o da gestão dos museus, não posso todavia alhear-me daquilo que leio, que vejo, que intuo e que discorro. Sou uma pessoa interessada e, raramente me distraio.
Contudo, repito, não é a minha opinião sobre o infeliz assunto que aqui pretendo deixar mas sim o meu espanto, mais, a minha indignação acerca do tipo de polémica gerada no mundo da blogosfera (pelo menos em alguns dos blogs que eu gosto de visitar) após a publicação de um post que referia um artigo do Dr. Luís Raposo saído no "Público de dia 25.
A partir daí tenho seguido com atenção os episódios que se têm vindo a suceder bem como o colorido de comentários que têm vindo a suscitar.
Concluí que o mundo dos blogues está repleto de pessoas terrivelmente democráticas, defensoras o mais possível da liberdade de expressão e, quem sabe, de outras mais (a ver).
Pessoas bem falantes, pelo menos bem escreventes, utilizando vocabulário elaborado, numa linguagem do mais erudito possível, de uma sintaxe irrepreensível, fazendo questão de evidenciar o seu nível cultural ao referir, como convém, nomes de figuras sonantes do nosso panorama cultural. Discorrem acerca de todo e qualquer assunto, sempre cheias de certezas absolutas, quais especialistas aguardando apenas o momento propício para, generosamente, partilhar connosco os seus doutos conhecimentos.
Embora sem estas capacidades brilhantes que acabei de enunciar, feita a análise dos conteúdos do que li, confesso que:
Não me revejo nem um pouco neste tipo de democracia que não sabe (nem quer saber) respeitar a diversidade de opiniões (e sim, já me explicaram os fundamentos ideológicos que presidiram ao “25 de Abril” além de que, à data, já eu os defendia também);
Não me revejo nesta “liberdade de expressão” que não respeita a expressão livre de outras opiniões diferentes, opostas que sejam;
Não me revejo na atitude de quem, provavelmente por falta de outros argumentos, parte para o insulto. Polido, é certo, pejado de riquíssima adjectivação, com recurso prolífero a artifícios literários dignos de uma “Fénix renascida”, mas nem por isso menos vulgar e de moral menos duvidosa do que se usassem o saudável, tradicional e vernáculo palavrão português.
Aguardo os episódios que se sucederem com a esperança que o tempo (que costuma ser bom conselheiro) leve a que o bom senso volte a imperar neste território dos blogues e que volte a ser um tempo bem passado, de qualidade, de aprendizagem, de saudável troca de opiniões, aquele que levo a percorrê-lo.
Imagem - Ceia de Emaús, pintura do período gótico, MNAA

1 comentário:

Sofia Loureiro dos Santos disse...

É muito mais fácil falar para um computador do que cara a cara. Daí a agressividade, muitas vezes gratuita, dos comentários bloguistas. Por outro lado, há algumas pessoas que defendem acérrimamente a liberdade de expressão, mas apenas para se dizer o mesmo que elas pensam.
Podes ir esperando, Dona Gata, mas bem recostada!
Bjs