terça-feira, 15 de setembro de 2009

"amor em minúsculas" Francesc Miralles


Como já devem ter percebido, aqueles que me vão lendo, os motivos para comprar um livro são os mais variados e nem sempre de explicação muito lógica. Eu preciso apenas de um pretexto por pequeno que seja. Às vezes compro mesmo sem pretexto nenhum; apenas porque sim.

O livro “amor em minúsculas” foi comprado assim num acto de grande arrebatamento (até porque estava com alguma pressa, a qual, o meu marido me ia recordado sem qualquer parcimónia). Assim, tive apenas tempo de ler de forma algo enviesada a sinopse, a qual me pareceu promissora e, “ créme de la creme”, não só falava de um gato como a capa exibia um exemplar belíssimo desses cativantes seres. Portanto, não há que pensar muito. Tem gato? Deve ser aceitável.

Daí até o ler foi um instantinho, até porque aquele que estava na calha foi-me arrebatado com a maior desvergonha pela minha filha.

Lê-se muito rapidamente pois é constituído por pequenos capítulos e escrito numa linguagem fácil, despretensiosa.

Contudo devo dizer que as imprudências…pagam-se!

Pois é. Para grande pena minha, pois tinha criado uma expectativa diferente, o livro não correspondeu minimamente ao que eu imaginava.

Baseado num “leitmotif” (para utilizar uma palavra do livro) muito interessante que seria a influência positiva que a entrada de um gato na vida de uma pessoa só e solitária poderia trazer, não teve, todavia, no meu ponto de vista, o desenvolvimento que a ideia em si poderia proporcionar. Penso que o autor não conseguiu tirar dela o melhor partido.

Li um livro morno, pouco exigente, de personagens pouco delineadas (estariam bem para uma novela, um conto…), de enredo enrolado, no qual, o aparecimento do gato, razão de todas as alterações, acabou por não ter a mínima importância.

É verdade que a vida sensaborona, isolada e sem outro interesse que não as suas aulas de filologia germânica na Universidade de Barcelona se modifica a partir desse início de ano.
É verdade que há um gato que, estranhamente, resolve fazer da casa de Samuel o seu lar o que provoca uma ou outra situação capaz de alterar a rotina de Samuel e de o fazer interagir com pessoas, o que não era habitual.

Porém, é a forma como decorrem essas interacções, esses encontros, as personagens com quem interage, estranhas e mal acabadas, o “amor” de infância reencontrado (um amor um tanto estranho, forçado, para não dizer extravagante), os encontros quase todos estorvados, sem dar tempo ao sentimento, à emoção, ao envolvimento do leitor, a sua própria indeterminação…

Enfim, se a tudo isto ainda adicionarmos um exagero de citações de diversos autores, por vezes com os mais prosaicos lugares-comuns, para ilustrar muitas das vezes não se sabe bem que ideia, que acontecimento, que expectativa…

Resta-nos como já disse uma prosa simples, de fácil leitura, com alguma ternura à mistura e… um fim à maneira, “feliz”.

3 comentários:

Ti Coelha disse...

Olá

Curiosamente acabei hoje de ler esse livro. Vim ter aqui a este blog quando andava à procura de informações e críticas sobre o "amor em minúsculas" e deparei-me com a sua opinião, bastante semelhante à minha. A ideia do gato foi engraçada, mas é apenas um pequeno pormenor. Todos os posts que li sobre este assunto levaram-me à mesma conclusão: toda a gente se deixou seduzir pela figura do bichano, toda a gente pensou que o personagem principal seria o gato e consequentemente tudo giraria à volta dele, mas não. O livro tem realmente um excesso de passagens de outros autores. Faz-me lembrar um escritor meu conhecido, que mesmo nas conversas informais, ilustra sempre uma opinião com um comentário de um autor e assim vai mantendo o interesse... ou pensa que mantém. Muitos personagens e pouco enredo, o que o torna leve. Por outro lado, é um livro que se lê bem. Gosto da definição dele para "amor em minúsculas". É uma teoria interessante.

Gostei deste bocadinho, hei-de voltar mais vezes.

Bjs

Ti Coelha

Donagata disse...

Ainda bem que partilhamos opiniões semelhantes acerca do livro. É sinal que não fui exageradamente rigorosa na minha opinião. Sinceramente esperava que o autor tirasse melhor partido do tema, interessante, sem dúvida, o que não fez. Tendo descambado para uma prosa ligeira, mas pouco ambiciosa. Foi pena pois creio que tinha, como se costuma dizer, "pano para mangas"...

Gostei de a ver por cá. volte sempre.

Alien Taco disse...

o pano das mangas era de alpaca?
eu também li o livro e acho um livro muito feliz e tão bonito como música de elevador mas com menos singeleza.Um livro bom para se ler ao lanche.Uma pequena pérola de sentimentos felideos e um manual de como abocanhar bocadillos.É bom para adormecer,e quando ligado é o tipo de livro onde se pode facilmente fazer umas torradas e uns ovos mexidos.