domingo, 9 de dezembro de 2007

"Uma mulher não chora" de Rita Ferro

Não sou uma grande apreciadora de um tipo de literatura actual que algumas autoras portuguesas actuais têm vindo a desenvolver. Considero que abordam temas de grande futilidade, geralmente ligados à condição da mulher moderna e emancipada, sem profundidade e de qualidade literária sofrível.
Apesar disso, é já o terceiro livro que leio de Rita Ferro e, mais uma vez, distancio esta autora do grupo das chamadas escritoras de literatura light, seja lá isso o que for.

Livro sobre mulheres na casa dos quarenta, divorciadas, modernas, descomplexadas, independentes e sexualmente desinibidas.
Muito introspectivo, desmontando constantemente (ou pelo menos tentando) os sentimentos mais íntimos de uma mulher dividida entre a incerteza do que é amor ou simples relação sexual, surgida do impulso carnal, perene e, contudo, absolutamente prevalecente.

Cheia de dúvidas acerca da dispensabilidade do homem na vida da mulher, revela alguns medos, esconde outros de si própria sem conseguir fugir ao sonho romântico. Esta clivagem traz-lhe momentos de infelicidade, sentindo uma grande insegurança em relação a si própria e cito:

“Ou começava a ser normal conceber o paradoxo de que a felicidade me poderia tornar deslocada, perdida, infeliz.”

Ou:

“O que haveria de medonho no cumprimento de mim mesma? De sinistro, na virtude? De monótono, na sabedoria? De perverso, na graça?”

De qualidade literária quer na forma quer no vocabulário escolhido que é cuidado não cedendo à vulgaridade.

(Imagem: fotografia da autora)

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