terça-feira, 26 de janeiro de 2010

“A Consciência de Zeno” de Italo Svevo Biblioteca António Lobo Antunes


Terminei hoje a leitura do livro “A Consciência de Zeno” de Italo Svevo livro que comprei por fazer parte da Biblioteca de António Lobo Antunes. É o último desta colecção que tem vindo a ser publicada pela D. Quixote.

Ora como não conhecia nada do autor e tinha sido o último a ser publicado, foi com ele que decidi satisfazer a minha curiosidade quanto às recomendações literárias, no fundo, os gostos pessoais, de A. L. A.

Pois a verdade é que, de início, me surpreendeu visto ser um livro de aparência mansa quer no tipo de escrita quer no seu enredo que em nada se parece aos que A.L.A. produz. Contudo, depressa verifiquei tratar-se de algo bem mais profundo do que aquilo que se apreende às primeiras impressões.

Basicamente o livro consiste nas confissões de um negociante, rico, já de idade que, a pretexto de querer entender a enorme dificuldade que constituía para si deixar de fumar e, por isso, se considerar dono de uma série de doenças, se sujeita à psicanálise.

O texto, daí resultante, vai-nos contando com toda a honestidade, candura e humor alguns momentos determinantes da sua vida.

Interessante é quando começamos a entender a diferença entre o Zeno das confissões e o Zeno da vida real!

Porém, mesmo sendo na realidade um homem fútil, fraco, sujeito a todas as faltas de honestidade que a vida lhe proporciona , quando as analisa, fá-lo sempre com a maior das bonomias e são sempre justificadas com a singeleza dos seus sentimentos e daquilo que pensa delas… É um bom homem. Pelo menos um homem normal como acaba por concluir já muito depois de renegar a psicanálise e o psicanalista.

Excerto:

“…É claro, não sou ingénuo, e desculpo o médico de ver na própria existência uma manifestação de doença. A vida assemelha-se um pouco a uma enfermidade: também procede por crises e por depressões. A diferença entre a vida e as outras doenças é que a vida é sempre mortal…”

Não me vou alongar mais. Apenas quero referir que Italo Svevo pseudónimo de Aron Hector Schmitz (1861-1928) foi um escritor italiano de origem judaica que viveu o advento da psicanálise, ciência criada por Freud o qual o próprio Svevo traduziu. Contudo, quer-me parecer que não era grande fã destas práticas dado o cariz satírico com que ele aborda esta ciência.

Gostei e recomendo

6 comentários:

susana disse...

E quem é que acompanha este rítmo?

Perfumes Bighouse disse...

Obrigada DonaGgta. Está anotado.beijocas . Elisabeth

Donagata disse...

Até tem sido muito lentinho, Susana!!!!

Donagata disse...

Elisabeth, um clássico que vale a pena.
beijos.

susana disse...

Lentinho... diz ela...

Chatwinesque disse...

Hei-de ler; li há uns anos Senilidade, de Svevo, e gostei muito. Não tem nada a ver com ALA, de facto!