sexta-feira, 6 de junho de 2008

Triste curiosidade...

De acordo com um breve artigo publicado numa revista de história (Historia y vida), que por sua vez refere o diário polaco Rzeczpospolita, o barracão 24 do Campo de concentração de Auschvitz, terá funcionado como prostíbulo no qual as prisioneiras, obrigadas a escolher entre a prostituição ou a morte, “ofereciam” os seus favores sexuais aos companheiros de infortúnio.

A situação, que havia sido já abordada pelo historiador Laurence Rees, foi agora confirmada por uma testemunha. Josef Szajna, professor polaco e ex-prisioneiro em Auschvitz tatuado com o número 18729, foi quem fez tão peremptória afirmação da qual o diário polaco se fez eco. Segundo o citado, terá sido Himmler, chefe das SS, que em 1942 terá decidido abrir bordéis em dez dos campos de concentração e de extremínio.

O objectivo seria o de premiar os presos que melhor colaborassem com as SS e aumentar a produtividade dos campos. Contudo, a existência de tais lugares, acabou por se tornar ainda um grande negócio pois os prisioneiros que ganhassem o direito de frequentar estes bordéis teriam ainda de pagar 2 marcos, o equvalente a um maço de cigarros, aos elementos das SS que geriam o negócio.
Os que adquirissem o direito de visitar o bordél, subiriam ao nível mais elevado do, já citado, barracão 24 onde as "meninas" se encontravam vestidas com roupas bonitas, limpas oferecendo uma impressão de normalidade a qual, sem dúvida, constituiria um atractivo intransponível para homens que viviam diariamente um profundo pesadelo.

Para além do negócio e do controlo dos próprios campos de concentração, uma vez que os implicados em qualquer acto de insubordinação perdiam o direito de frequentar o bordel, tratou-se de uma forma requintada de aumentar o opróbrio. Quer de quem se prostituía quer de quem utilizava os seus favores. Companheiros na desgraça e unidos no mais profundo da humilhação humana.

É naturalmente, graças a esse sentimento de ultraje, que a existência destes prostíbulos, se bem que seja um facto indubitável para quase todos, tenha sido sempre um tema tabu.
Silenciado pelas mulheres que se prostituíam bem como, obviamente, pelos seus “clientes”.

Quem aceita acordar o seu inferno?


(Imagem: Pintura de David Olére "Experimental Injection")

8 comentários:

Sofia Loureiro dos Santos disse...

É no inferno que todos nós podemos viver, e é em inferno que todos nós podemos transformar a pacata vida quotidiana. O bicho Homem tem esta capacidade de ser abjecto e sublime nas mais extremadas situações.

jrd disse...

Impressionante!
Há atavismos (?)que não se perdem, independentemente das conjunturas.
Não é exacamente a mesma situação, mas o post remete-nos para o universo de filme perturbador de Liliana Cavani, "O Porteiro da noite".

Pedro Branco disse...

É um prazer vir aqui aprender consigo. O Homem está carregado desse seu destino de destruição também... Por isso sinda há poetas e criadores.

Passo sempre por cá.

antonio disse...

Talvez seja importante que acordemos, uma vez que estamos, nos dias de hoje, a caminhar para um inferno social de exclusão e miséria... o caminho para o inferno á mais curto do que imaginamos.

Carla disse...

Não seria dificil imaginar que para além das torturas por todos conhecida, muitas outras tivessem acontecido. E tantas outras terão, porventura ocorrido sem que sonhemos. São crimes hediondos, fruto a maquiavelez do homem e da sua tendências e sonho megalomano.
Bom fim de semana

Donagata disse...

Agradeço a todos os que aqui deixaram um comentário, sofrido, certamente.
E de facto, o que mais me assusta, é, em qualquer momento, nós, as pessoas, sermos capazes de actos tão aviltantes e continuarmos a apelidar-nos de pessoas...
Um beijo a todos.

Clara Branco disse...

As pessoas são capazes de coisas tão hediondas! Obrigado por ter partilhado este post connosco. Nunca é demais relembrar crimes como estes.
Bom fim de semana
Bj

Ti disse...

Estamos sempre a aprender... obrigada pela partilha, donagata.