terça-feira, 1 de março de 2011

Crónica de terça “O sorriso da Alexandra Malheiro”

E afinal não é que o fotógrafo passou por lá!!!! E nada mais nada menos do que o prestigiado Carlos Romão. Obrigada, amigo, pelo momento.

Em primeiro lugar quero aqui deixar bem explícito que não sei escrever crónicas. Nem à terça, nem à quarta, nem à quinta… em dia nenhum. Na verdade, mesmo a minha capacidade de escrever no seu sentido mais estrito me deixa muitas dúvidas, à segunda, à terça, à quarta… todos os dias.

Mas hoje não pude deixar de reagir e responder, ou acrescentar algo à crónica que podemos ler aqui.

Foi tudo verdadinha e tal e qual como lá está.

Coube-me a mim, já que estava sentada na esplanada do tal “quartel-general da macro-editora a quem pertencem os títulos” de Lobo Antunes, controlar o movimento em torno deste a fim de proporcionar o autógrafo pretendido pela Alexandra desviando-a o menos tempo possível dos seus fãs.

Depois de eu própria ter visto os meus livros com uma grossa assinatura e ter até - pasme-se, ele fala normalmente - tido uma pequena conversa com o autor na qual se falou das mulheres do norte, da guerra, de Angola, de escrita, constatando que a longa fila já não estava tão longa pus-me a abanar freneticamente a écharpe que nesse dia me complementava a toilette. Era o sinal para que a Alexandra pudesse deixar o “quartel-general” da sua editora e trazer o tão raro livro para ser gatafunhado por ALA.

Giro de observar foi o espanto do autor quando viu na frente um livro que não contava ver. Não fazia parte do conjunto dos seus best-sellers, era um livro de poesia, belíssimo, digo eu, editado nem sei por quem.

Primeiro disse que já nem se lembrava dele, depois que nem sabia se o tinha e, finalmente, virou-se para a Alexandra que o fitava com o seu ar absolutamente impávido e, como quem pergunta, disse-lhe: - É uma merda, não é!?

Ao que a Alexandra, acto contínuo respondeu: - Para mim, é o seu melhor livro!

Ele sorriu com um sorriso garoto de cumplicidade e a Alexandra devolveu-lhe uma sugestão de sorriso, muito sua. O dele, como podem ler na crónica, a Alexandra, com a sensibilidade de poeta que lhe sobeja, agarrou e guardou junto àquele livro e, quiçá, bem junto a si.

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