terça-feira, 31 de julho de 2007

Recordações de um tempo já muito antigo

Ao passar os olhos pelos habituais bloggers (habituais de muito pouco tempo dado que sou ainda marinheira de águas pouco profundas nisto da "blogomania"), deparei-me com um post da Sofia Loureiro dos Santos intitulado "Tempo do Tempo".

Aí, ela, de uma forma primorosa como habitulmente, recorda alguns dos livros que fizeram as delícias da sua adolescência nas intermináveis férias grandes.

Foi então que me vieram à memória lembranças de um tempo já muito distante. Nesse tempo, em casa dos padrinhos do meu pai com quem ele sempre viveu, escondia-me tardes inteiras debaixo da escrivaninha do escritório para, autenticamente, devorar livros que sorrateiramente retirava das prateleiras mais escondidas (achava eu) do enorme armário dos livros.

Esses padrinhos, que sempre considerei avós, eram pessoas cultas e dadas às letras. Eram ambos professores e, desde muito novinha, me incentivaram a ler, a decorar, a recitar...

Contudo, os livros eram sempre cuidadosamente escolhidos para serem lidos por uma menina da minha idade; onze, doze e talvez ainda treze anos. Não esqueçamos que aos doze/treze anos há quarenta anos atrás e ainda por cima menina não se lia propriamente o mesmo que hoje...

Mas como sempre tive um pouquinho (nada que se note) de espírito de rebeldia a que aliava alguma (quase indetectável) teimosia, lia muito rapidamente esses, os recomendados, dos quais já nem me lembro mas que tinha de "provar" que tinha lido, para ter tempo de ir lendo os outros, os não permitidos mas, para mim, sem dúvida os interessantes.

E foi assim que muito novinha, certamente sem idade para os apreciar ou mesmo até entender, pelo menos alguns, que eu li: "O retrato de Ricardina", "Carlota Ângela", "Amor de perdição" "A queda de um anjo" todos de Camilo, "A relíquia" do Eça, "A velhice do Padre Eterno" de Guerra Junqueiro e certamente outros dos quais já não tenho memória.

Certamente, como já referi, não os entendi verdadeiramente mas ainda hoje recordo e sinto o enorme prazer que foi lê-los. Claro está que já os reli todos, alguns mais do que uma vez, mas nunca a sua leitura me deu tanto prazer e me prendeu tanto como essa que fiz, desconfortavelmente sentada no chão, bem escondida, debaixo de uma pesada mesa.

Tudo isto se passava também nas intermináveis férias grandes passadas em Vila Pouca.

1 comentário:

Inês Torres disse...

É estranho nao é ? O tempo passar tao rapido.