quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Pôr do Sol no bar da praia

Já é Setembro.
Mais uma vez me encontro no bar da praia. É fim de tarde de um dia em que o calor nos faz recordar que ainda é Verão. O sol, agora quase no seu ocaso, vai abrandando a intensidade do seu brilho perdendo um pouco da inclemência com que nos afogueou todo o dia. Parece até corar um pouco envergonhado pela sua rudeza, tingindo de tons rosados o horizonte à medida que se vai escondendo. O mar, hoje de águas excepcionalmente mansas, parece um espelho em que a prata da superfície reflecte o azul do céu, já com alguns matizes de cinza num prenúncio inequívoco da noite que se aproxima. Lá ao longe, na linha do horizonte, os últimos raios de sol teimam em salpicar de reflexos rosados esse espelho, dando os retoques finais de cor, pinceladas de verdadeira mestria, no quadro belíssimo que se estende à minha frente. Ao longe vislumbram-se, ainda hesitantes, pouco nítidas, as luzes de pequenas embarcações pesqueiras que iniciam agora a sua faina.
No vasto areal que antecede e completa esta preciosa paisagem, vêem-se ainda uns quantos retardatários que, muito preguiçosamente, se vão retirando talvez com pena de deixarem de ser protagonistas de tão belo cenário. Junto da água, um cocker spaniel dourado corre incessantemente para um lado e para o outro, feliz na sua liberdade, sem ouvir (ou fingindo não ouvir) os, também um pouco dolentes, chamamentos do seu dono para regressarem.
As gaivotas, sempre presentes, espalham-se; umas pela areia dourada debicando aqui e ali e outras vogando ao sabor da água aproveitando esse doce embalo.
Hoje não peço café. Hoje janto aqui. Vou usufruir do luxo de dois prazeres simultâneos; uma refeição agradável contemplando uma paisagem indescritível.
Também hoje não preciso de um livro. Hoje não irei perder-me nas descrições de nenhum local maravilhoso que alguém visitou e onde viveu momentos de intensa felicidade, ou dor, ou emoção, ou medo, ou mera contemplação. Não irei apreciar a prosa mais ou menos real, mais ou menos filosófica, mais ou menos pragmática, mais ou menos bem escrita de um qualquer autor.
Hoje não preciso de nada que tenha surgido da imaginação de outros, porque hoje sinto-me personagem de algo grandioso. Hoje, também eu faço parte deste poema.

2 comentários:

Mar Arável disse...

UM DIA HAVEMOS DE SER CRIANÇAS

PORQUE HOJE NÃO PRECISAMOS

MAS O MAR MEU AMOR INFINITO
ESTÁ SEMPRE NOS NOSSOS OLHOS

Donagata disse...

Para MAR ARÁVEL
É verdade, o mar estará sempre nos nossos olhos. Fará sempre parte da face bela da vida, do que nos estimula, do que nos faz sonhar, do que nos eleva à condição de crianças.
Obrigada pela visita e pelo comentário.
Parabéns pelo seu blog que é de visita diária obrigatória para mim.