terça-feira, 5 de abril de 2011

“O Gato e o Rato” de Gunter Grass

Foi o terceiro livro que li deste autor e, seguramente, foi também aquele que menos me entusiasmou.

Tal como os outros, também este fala no passado. Também este refere os sinais da guerra, os couraçados, os aviões, os submarinos. Talvez seja a forma de o autor o expiar (ao passado, caso tenha algo a purgar).

Dentro do seu magnífico estilo de escrita que balança entre o pragmático mais absoluto e o incontestável poético, o autor conta-nos uma parte da sua infância, enquanto estudante, na sua terra natal; a Danzing dos tempos da guerra.

Mas conta-nos sobretudo a vida de um amigo seu Mahlke que, senhor de uma série de aspectos anatómicos e outros, deveras incomuns, o tornam uma figura à parte. Admirado por uns e repudiado por outros, luta para se entrosar socialmente com os seus colegas de turma.

Os anos vão passando e este ser à margem é amado, admirado, estranhado, invejado até por uma série de idiossincrasias que fazem dele uma pessoa diferente; a sua maçã-de-adão exageradamente proeminente, a sua relação com a religião sobretudo com a Virgem, a sua eterna chave de parafusos ao pescoço…

E é nessa luta diária de Mahlke e nos seus sucessos e insucessos que podemos encontrar também uma semi-velada crítica social à Alemanha da guerra.

Enfim, Mahlke ganha a admiração dos colegas mas será mesmo uma vitória?

Como disse não me entusiasmou de sobremaneira mas, dada a qualidade literária que possui, considero um livro a ler.

3 comentários:

anne cotillard disse...

Gostei do post e sobretudo do blog :)


obrigada pelo conselho de leitura. Já estive para ler um livro desse autor mas depois hesitei, qual achas melhor?


:D

Donagata disse...

Obrigada pelo comentário tão gentil.
Deste autor gostei muito de "O Tambor". Achei fantástico. Acho que também escrevi algo sobre ele aqui no blogue...
Beijo.

charlles campos disse...

Gostei muito de Anos de Cão (não sei qual o título para a tradução portuguesa). Grass compensa por sua densidade e qualidade da escrita. Estou a ler sua autobiografia, matando a saudade de quase uma década distante desse autor.