segunda-feira, 8 de novembro de 2010

“O Tigre Branco” de Aravind Adiga


Pois bem, mais um livro que comprei por indicação de Valter Hugo Mãe e que faz parte de uma lista de obras a debater nos encontros da Comunidade de Leitores da Biblioteca Almeida Garrett.
Se, de uma forma geral, como já disse, não sou grande apreciadora de orientações em relação ao que devo ler – gosto de escolher e decidir o que leio – a verdade é que me vou afeiçoando à ideia de não ter que pensar no assunto e ir a reboque de outros. Estou a ficar uma preguiçosa!!!!
Bem, pelo menos posso sempre responsabilizar outros se achar que foi tempo perdido.

A verdade, porém, é que isso ainda não aconteceu.
Desta vez li “O Tigre Branco” de Aravind Adiga que foi Man Booker Prize 2008. E gostei muito.

Sob a forma de carta endereçada ao primeiro ministro chinês (está tão na moda, a China…), um “empresário” indiano vivendo em Bangalor faz um relato impressionante da sua vida que mais não é que a vida de um lado da Índia que nada tem a ver com o brilho do desenvolvimento de tecnologias de ponta que é bandeira dessa cidade. Aquilo que o autor chama de “escuridão”. A Índia rural, miserável, paupérrima, das castas, da sordidez mas também a de Deli, não menos miserável, não menos sórdida, de uma classe dominante rica e profundamente corrupta e do abismo profundo que separa estas duas “Índias”.

Sob uma forma irónica por vezes aparentando ingenuidade assistimos a uma análise profundamente mordaz da sociedade indiana.
Sem grandes subterfúgios literários, escrito com aparente simplicidade, não deixa, contudo, de impressionar o leitor e de o obrigar a um exercício de reflexão acerca do que são, ainda hoje, sobretudo hoje, as profundas assimetrias sociais que grassam por todo o mundo. Provavelmente mais evidentes nuns poucos países em grande desenvolvimento(?) que correm o risco de ser as grandes potências mundiais (económica e financeiramente falando) dentro de muito pouco tempo.
Dá que pensar.

1 comentário:

Tiago M. Franco disse...

Concordo, os políticos de quem Adiga fala serão dentro de poucos anos os políticos mais influentes do mundo. Grande obra este livro.