quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

“O mar em Casablanca” de Francisco José Viegas


Terminei hoje a leitura do livro de Francisco José Viegas “O mar em Casablanca”.

Como já tinha acontecido com os outros, gostei.

Sempre fiel ao inspector Jaime Ramos da polícia Judiciária do Porto (o verdadeiro anti-herói), vai desenvolvendo a sua trama de cadência suave, quase indolente em aparência, até que, assim mesmo, sem darmos bem por isso, já estamos irremediavelmente enredados.

Com o inspector e os seus ajudantes, percorremos as terras do Vidago, de Chaves e do Douro. Deambulamos pelo Porto, pelos seus locais mais escondidos, mais genuínos e, por isso, mais nossos, ao mesmo tempo que, através das lembranças e até de sonhos, vamos fazendo um périplo pela vida do inspector .

A sua presença em África, a sua vida passada, a sua vivência política e o que daí adveio. A sua actual doença, a sua solidão, a idade… Curiosamente, as recordações biográficas e os dados que vão apurando do caso que têm em mãos vão-se tocando até criarem momentos de forte entrosamento em que já é um exercício destrinçar o que pertence à vida de um e o que é fruto da investigação.

Muito bem escrito, o que não constituiu novidade, este livro vai-nos levando, de forma mansa, por mundos de corrupção, de clandestinidade, de viagens, tudo distribuído no tempo e por vários espaços, culminando com o encontrar de um cadáver no Palace, em Vidago.

A ler.

4 comentários:

Brain disse...

Ao tempo que ando para ler este livro
(desde que saiu)
A quantidade de vezes que estive inclusive já com ele na mão...

:)

Donagata disse...

E lê-se bem e depressa. Gosto do tipo de escrita do autor. E gosto do seu anti-herói....

Agora só volto a ler lá para o ano que vem. Comecei a ler "2666" de Roberto Bolaño com as suas 1030 páginas de letras de tamanho de pulguinhas....

susana disse...

Tenho o Caim... É hoje, começo hoje! Boa sorte com o Bolaño. Já leu algo mais dele, ou vai estrear-se, como eu? Eu acabeio-o ontem e já pus uma crítica na "água". Fico em pulgas, como as letrinhas, à espera da sua opinião.

Donagata disse...

O Caim lê-se rapidinho. Do Bolaño já li "Os detectives selvagens" e gostei. Aparentemente estou a gostar mais deste...
Mas dir-lhe-ei lá para o ano.