quarta-feira, 25 de março de 2015

Envelheço com as horas


Em dias assim
em que não sei o que te dizer,
estendo as mãos.
E no vento que delas se desprende
procuro palavras em estado translúcido.
Mergulho em rios que não são rios
e busco intensamente metáforas
que também não são metáforas…
procuro nas raízes das pedras uma silhueta,
uma penumbra,
o brilho de uma cor com que esboce a palavra
que não será palavra…
De olhos fechados mudo a direcção do silêncio.
Procuro ouvir para lá das vozes
que acordam o fundo das páginas.
Agito as mãos.
Acordo o gato

e envelheço com as horas.

6 comentários:

ruth ministro disse...

Muito bonito, este poema.

Um beijinho :)

Donagata disse...

Obrigada Ruth. Ainda bem que gosta. Beijinho.

Brain disse...

GREAT!!!!

Donagata disse...

Thank's Brain. A Kiss.

Suzete Brainer disse...

Belíssimo...

Após várias leituras, fecho os

olhos e deixo este poema

ecoando em mim...

Magistral! Bjo.

Donagata disse...

Muito obrigada Suzete Brainer. Fico feliz por ter gostado.