sábado, 17 de novembro de 2012

Um poema



Nem imaginas como hoje
gostaria de escrever um poema.

Mas está a chover e
as pedras estão molhadas e tristes.
Desbotadas pelas levadas de pés anónimos
que as percorrem apressados.

Está a chover, sabes?
E assim, o poema não quer sair.
Faltam-lhe os melros, as rolas, as libelinhas
e as poucas flores choram grossas gotas de hálito azul.

Há gaivotas.
Estão em terra todas juntinhas  e arrumadas para o mesmo lado.
Mas gaivotas não são a mesma coisa…

Nem imaginas como hoje gostaria de escrever um poema…