domingo, 3 de outubro de 2010

“A Febre” de Le Clézio


Era um livro que eu já tinha em casa há pelo menos dois anos e que ainda não havia lido. Na realidade o livro é da minha filha e foi-lhe oferecido exactamente no ano em que Le Clézio foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, em 2008. Provavelmente por essa mesma razão. E foi exactamente essa a razão que me levou a lê-lo. Isso e o facto de ter gostado de “A música da fome” julgo que o único livro que já havia lido do autor.

Devo dizer que não me deixou tremendamente impressionada. Longe disso.
É um livro de pequenos contos que, logo à partida, não fazem o meu género de leitura preferida. Têm de ser mesmo arrebatadores para me entusiasmarem. Julgo eu que, pelo facto de serem tão curtos, não me dão tempo para me entusiasmar. Fico sempre com algum desconsolo, à espera de mais. Manias…

Bom, como disse é um conjunto de nove contos que abordam o fantástico ou o fantasioso. Não o fantástico, tão em voga actualmente, povoado de seres mais ou menos imaginários e imaginados (vampiros, fadas, duendes, super-heróis e quejandos), seres que povoam a fantasia num plano que nos é extrínseco.
Não. É o nosso próprio fantástico. Aquele que habita em nós e que é despoletado por um factor “sem importância” tal como um episódio de febre... ou qualquer outro.
É toda a fantasia que povoa o nosso íntimo (que nos é intrínseca) embora muitas vezes não nos demos conta da sua existência.
Ela existe e é despoletada através dos nossos pensamentos, sonhos, emoções, sentimentos mas também da nossa pele, olhos, ouvidos, boca, nariz, enfim, das nossas sensações. E, uma vez despoletada lá vamos nós vogando em viagens que mais não são do que fantásticos delírios febris.
E é precisamente desses delírios que nos dão conta os nove contos que constituem este livro que evidencia uma excelente qualidade literária no que respeita à forma da escrita.

Desses nove destaco dois dos quais gostei particularmente: “Martin” e “Um dia de Velhice”

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