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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Agora sou água do mar

Aguarela de Maria Manuela Silva

Agora sou água do mar

Sou o silêncio de que são feitos os sonhos.
Sou grito rouco de palavras de calar
e guardo em mim todos os segredos da areia.
Não preciso mais de certezas,
nem de fingir percursos,
e tampouco embarco em derivas inúteis
que mais não são que
patéticas geometrias do absurdo.
Não sofro já de futuros incertos
e guardo a saudade aqui mesmo,
no cós do imaginário sem limites.
Vogo na franja da onda
e adormeço no regaço da minha própria intimidade.

Agora sou água do mar.

2016-05-11


Nota: poema construído sobre uma aguarela de Manuela Silva

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Hoje é Abril

Aguarela de Maria Manuela Silva


Hoje é Abril!

E está sol.

Hoje, as pessoas como eu
pensam em cravos.

Rubros, os cravos.
Rubra a memória que se aviva
e que escorrega na saudade.

E, para as pessoas como eu,
acorda-se ainda
uma esperança muito redonda
muito rubra,
muito cega de sonhos urgentes.
Um quase imaginário sem limites
preso no rigor do sonho.

E os cravos continuam rubros e silenciosos.

Abril é o nosso sortilégio.




2016-04-25

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Amanhã



Conta comigo amanhã.
Não hoje.
Não saberia o que te dizer
como te olhar
ou como encostar de mansinho
a cabeça no teu ombro.
Não saberia sussurrar-te
os lagos de sonhos que
trago presos nas lágrimas
nem contar-te dos
infindáveis segredos de areia que
se prendem à
incoerência ignorante dos tais sonhos.

Espera por mim amanhã.
Vem sentar-te comigo.
Traz-me um café e vamos juntos
tentar alisar estas dobras sujas
que me sobram do dia.
Abraça-me de todas as cores.
Talvez se desamarrem estes nós.
Talvez eu chore uma gota de delírio.
Uma gota apenas.

Talvez.

Amanhã.


2016-04-18