segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Ensaio sobre as rabanadas.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Jubilada!!!!!
E sim, dói.
Comecei por reagir à dita compulsão mas, a verdade, é que não tive outra alternativa senão fazer a vontade ao quinto andar ou não teria mais sossego.
E eis-me, então, a reflectir!
Sobre o quê?!
Pois, esse é o segundo passo. Sobre o quê…
Depois de aturado momento de introspecção ( e, sem querer, vejam só, já estava a pensar…) decidi-me por efabular sobre a minha condição de aposentada, jubilada, reformada (whatever) e as diversas situações associadas à condição referida.
A verdade é que isto de uma mulher (quanto ao sexo oposto, não sei, falta-me o “saber de experiência feito”) ser aposentada tem muito que se lhe diga. É uma condição algo ingrata pela enorme trabalheira que dá.
É verdade que já não exercemos a actividade profissional que nos absorveu uma boa parte da vida (nunca menos de 35 anos). Levou-nos tempo, pensamentos, energia. Trouxe-nos preocupações, tristezas, alegrias, sucessos, fracassos…
É verdade também que podemos organizar os nossos horários da forma que melhor nos convém não estando amarradas a relógios de ponto, livros trancados e outras coisas simpáticas que nos podem acontecer quando obrigadas a um horário que não se compadece com atrasos de transportes, furos de pneus, febres de filhos, dores de barriga medonhas, enjoos matinais, preguicinhas inesperadas e inconvenientes, compras inadiáveis no supermercado porque a família exige refeições (o desplante!) e sei lá que mais.
Nada disso. Somos livres! Finalmente!
E é aí que então alguém (todos) pensa: - Ai são livres?! Oh p’ra elas ainda cheias de genica e sem nada para fazer!
Portanto há que lhes arranjar ocupação. Passar todo o tempo possível com os familiares idosos ou/e, nem que apenas hipoteticamente, doentes (que passa a ser uma obrigação e uma vergonha se incumprida), tratar com rigor de todos os assuntos domésticos dado que já não há justificação para esquecer nada, acompanhar, educar e obviar outras necessidades dos netos caso existam, ajudar os filhos em início de vida providenciando refeições, roupa passada e o que for necessário...
Parece-me bem referir aqui que a aposentação não inclui as actividades de dona de casa, mãe, esposa e outras afins. Essas, depois de adquiridas, acompanhar-nos-ão, tal como uma tatuagem, até ao leito de morte.
Ora bem, se a aposentada tiver ímpetos de escrita, de leitura, de dança, de se divertir até cair para o lado (tadinha! Já não sabe bem o que faz!), de ir beber uns copos com outras amigas aposentadas, está bem. Aceita-se (desde que cumpridas as tarefas atribuídas...). Afinal têm de fazer alguma coisinha ou não tarda nada é vê-la numa corrida ao Prozac…
Até inventaram umas instituições muito apelativas “Universidades Sénior”, locais onde aposentadas, juntamente com outras ainda mais aposentadas do que elas, podem concluir, complementar ou até iniciar estudos em diversas áreas (pintura, dança, teatro…) ou, somente divertir-se matando tempo antes que esse, o tempo, as mate a elas (sempre, nunca é demais referir, no intervalo das atribuições inerentes).
Há ainda aquelas que são excêntricas, desalinhadas e se colocam fora de todo esse circuito decidindo-se por actividades que sejam do seu agrado, com gente com quem lhes apraza estar, colaborando, (à maluca tantas vezes) com pessoas que trabalham e necessitam de apoio, procurando utilizar as suas ainda razoáveis competências de forma produtiva (não necessariamente remunerada), desenvolvendo outras que nem suspeitavam ter (ou suspeitavam mas faltava a coragem )…
Estas, de uma forma geral estão-se nas tintas para aquelas ocupações que outros acham tão importantes e lhes imputam.
Enfim, essas são as que gerem sozinhas (!!!!) a sua vida e, por vezes, tendem a dar um passo maior do que a perna e ficam atoladas de trabalho até ao pescoço.
Devo dizer que me insiro nesta estranha categoria. E, dou por mim com o tempo de tal modo ocupado que nem dá para acreditar.
Pois é. Lá se vão, por vezes, as obrigações domésticas que se colam a nós que nem carraças e todas as outras que já enunciei que nos vão acrescentando dada a nossa situação de aposentadas (afinal estamos ali sem nada fazer, é até uma obrinha de misericórdia dar-nos uma ocupação).
Pois meus amigos. Digo-vos eu que sei:
- Entre o que fazemos porque queremos e o que nos atribuem como função pelo facto de estarmos desobrigadas (?!),
não há nada mais cansativo do que ser jubilada….
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Os Nabateus

Ora como ontem comprei uma revista, a National Geographic, que vinha acompanhada de um DVD sobre Petra (que ainda não vi), achei por bem falar sobre… os NABATEUS.
Ora os Nabateus, segundo ouvi dizer, eram um povo semítico. Isto porque, tal como outros, se diz descenderem de Sem filho de Noé, o tal da Arca, lembram-se?
Mas vou começar pelo princípio que me parece ser sempre uma táctica apropriada nestas coisas.
Isaac, filho de Abraão, tinha dois filhos gémeos. Esaú e Jacob. Ora, como é do conhecimento geral, Esaú zangou-se com Jacob por uma niquice de nada, coisas de irmãos, a progenitura, que Jacob açambarcou para si.
Mesmo assim, Esaú não esteve para modas e pôs-se a andar tendo fundado uma cidade só para si a qual, mais tarde virou reino (era normal naquele tempo. Os reinos pululavam por cada canto e esquina), neste caso o dos Edonitas.
Como vêem estes desacatos entre irmãos ocorrem mesmo nas melhores famílias!!! Vejam só a linhagem desta!!!!
Às vezes não têm um resultado tão feliz, é verdade. Mas, paciência, não se pode ter tudo!
Os Edonitas eram ricos em costumes e rituais religiosos. O seu deus principal era, segundo parece, Dhu Shara que, de acordo com as más línguas, era uma cópia fiel de Yaweh (e deste não me digam que nunca ouviram falar…) adorado em Israel, reino (outro…) governado por Jacob, hã!!!! Fabulosa coincidência.
Bom, continuando.
Meus amigos, o amor faz coisas que nem a progenitura consegue! É verdade. Dizem, que eu cá não gosto de contos, que Esaú se apaixonou por uma das irmãs de Nebaiote (outro príncipe de Israel…) com quem veio a casar (que era tudo gente muito séria,e nesta época não havia cá "ajuntamentos", vá!) acabando o seu reino por se vir a fundir, ao longo dos anos (muitos, que isto da história é uma coisa que avança muito devagarinho) com o dos Nabateus.
Por volta do ano 312 a. C instalam-se no privilegiado enclave de Petra estabelecendo aí a sua capital.
Enquanto os povos (reinos) que os circundavam andavam à chapada entre si sempre à procura da hegemonia, os Nabateus, pelo sereninho, ganham o controlo do comércio entre a Arábia e a Síria.
Petra, a sua capital, torna-se assim o principal eixo do comércio de especiarias (essas mesmo que mais tarde nós também andámos por lá à procura…).
Entretanto, ricos e sem muito que fazer (há coisas piores do que o comércio), foram-se dedicando à construção tendo criado uma cidade magnífica.
De inspiração quer oriental quer greco-romana, a arquitectura dos edifícios revelava o cunho cosmopolita que caracterizava a cidade.
Olhem e foram muito espertos, porque se o não tivessem feito não tinham podido candidatar-se, dois mil e não sei quantos anos depois ao concurso das “Sete novas maravilhas do mundo” uma vez que as outras, as antigas já estavam muito usadas ou até estragadas de vez.
Pois é. Candidataram-se e foram um dos sete ganhadores.
E foi aqui, em Portugal, mais propriamente em Lisboa, no Estádio da Luz (isso é que era dispensável até porque o dragão é uma figura muito mais mítica…) que receberam o cobiçado galardão.
E mais não digo pois já estou bastante melhor depois de expurgados uns quantos estados de ansiedade na forma de disparate.
Fica a promessa: Depois de ver o DVD procederei às respectivas correcções.
domingo, 23 de maio de 2010
Homenagem ao Carlos e aos seus 40 anos
Não é que quase me esquecia de publicar esta homenagem, de tão fino recorte literário, que escrevi para ti!!!!
Mas como vale mais tarde do que nunca, aqui vai.
Carlos e os seus 40 anos
Por vezes, ao longo deste último ano, dou por mim embebida em reflexões filosóficas de carácter existencial.
E não. Não são daquelas de pacotilha, qual Paulo Coelho montado nas suas Valkírias ou sentado, chorando “À beira do rio de pedra”.
Nada disso que eu não sou para meias medidas. São reflexões das boas. Daquelas mesmo boas (que nem as outras, as de Ermesinde), equiparáveis apenas às de um Platão, de um Aristóteles, de um Santo Agostinho, até de um Abul-Waleed Muhammad Ibn Rushd, isto já para não falar de Descartes , Kant e Hegel ou então dos mais do que vulgares Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud e Karl Marx ou mesmo, vá lá, Gilles Deleuze, Félix Guattari e Michel Foucault.
Bom e agora que já derramei aqui algum do meu conhecimento ao nível da filosofia (pelo menos demonstrei que conheço de nome muitos (bastantes, não poucos, vá), filósofos vou tentar explicar a razão de todo este meu arrazoado.
Em primeiro lugar acordei hoje com um torcicolo e um mau feitio indescritíveis.Uma vez que não me dava jeito, nem me apetecia fazer grande coisa, decidi escrever algo que fosse bem indigesto.
Em segundo lugar porque, efectivamente, sou um tanto dada a devaneios e, muitas vezes, dou por mim a conjecturar acerca dos mais variados assuntos. Uns mais pertinentes do que outros, é certo, mas todos merecedores da minha mais apurada atenção.
Aquele que ultimamente tem sido alvo da minha mais aprimorada reflexão é, nada mais nada menos, minhas senhoras e meus senhores, “A EXISTÊNCIA DO CARLOS NA MINHA VIDA”
Perante a premissa “será que poderia viver sem conhecer o Carlitos?” eis que me quedo arrebatada e sou forçada a responder :
- Lá poder podia que até vivia muito sossegada até há cerca de ano e meio atrás, mas que não era a mesma coisa, isso, não era. Que pena!
É que, queira eu ou não, já me habituei às ordens dadas de forma sub-reptícia com que o Carlos nos brinda, sempre com um sorriso deslumbrante nos lábios; às imposições dissimuladas da sua vontade sob a capa (elegante, diga-se) do respeito absoluto pela vontade do outro; às suas preparações cuidadas (sem ironia!) dez segundos antes do evento (tal como este texto, diga-se)…
Mas também me habituei, e não dispenso, à sua boa-disposição apenas ensombrada pelo seu dentinho maroto ou por umas vértebras, julgo eu, mal alinhadas; à sua força de vontade e determinação em perseguir os objectivos que traça e, quanto a mim, tender sempre a ultrapassá-los; à sua capacidade de ser amigo de todos, de estar presente quando necessário sem parecer estar a fazer um frete, de atender o telefone, sem insultos, as vezes todas que resolvemos moer-lhe o juízo e, last but not de least à sua capacidade alquímica de esticar o tempo. É que para o Carlos o dia não tem 24 horas. Tem, no mínimo, 48 mas, por vezes, estou em crer, que ainda consegue repetir essas mesmas 48 horas de modo a atender tudo e todos.
Portanto, Carlos, hoje que completas quarenta aninhos (tão querido), desilude-te. Se toda a vida procedeste como te vi fazer nestes último tempos, completas 40 anos, é certo mas, na verdade tens pelo menos 80 já para não ser exagerada e chegar mesmo aos 120…
Cuida-te, mas continua igual a ti próprio. E, já agora, desculpa-me esta parvoíce (ai de ti que o não faças) que mais não quis do que prestar-te a mais singela (e mais parva, também) homenagem neste dia.
Parabéns!
quarta-feira, 24 de março de 2010
"Clube de Escritores"
Foi já no passado Domingo que se deu início ao “Clube de escritores” uma iniciativa da Edita-me.
Perante um mote, as pessoas deveriam produzir um texto que não poderia ultrapassar uma folha A4 o qual viria a ser lido, pelo próprio ou por outrem, no dia do encontro.
Para este primeiro encontro o mote era “Tu e o meu bolo de chocolate”.
Bem palerminha, é verdade!
O encontro sucedeu no carismático bar portuense "Labirintho" que serve, por tal sinal, um fabuloso bolo de chocolate.
Eu, ia para ler, a minha função de sempre. Mas à última da hora, deu-me uma febre de escrita e há que meter a mão num bolo que não é meu (não o de chocolate, o da escrita) e toca a produzir uma pequena parvoíce para me divertir um pouco e aguilhoar o evento que, diga-se de passagem, foi bem animado mesmo sem a minha modestíssima contribuição.
Pois aqui vai o que saiu. Divirtam-se se conseguirem…
Tu e o meu bolo de chocolate
É hoje, pensava Carlota para com os seus botões (que, por acaso nem tinha nesse dia).
É hoje! Dizia ela alto e bom som para quem a quisesse (ou não) ouvir (talvez por não ter os tais botões com quem pensar…).
É mesmo hoje que me vou atrever. Dar o grande salto. Deixar de ser o elemento a mais; a que vai compor o ramo; a que tem por missão realçar a beleza do trabalho de outros.
Chega, Bolas!
Também quero ser artista!
Subir ao plateaux e ser apresentada com honras e fanfarras como vejo outros serem!
E tudo porquê? Porque aqui a menina Carlota sempre foi mais de falar…
É verdade que sim. É verdade que falar se não bem, pelo menos muito, é um dom que tem. Mas com os diabos! Será que não conseguirá sair desse gueto em que ela própria se enfiou até às cordas vocais??
Claro que sim. Claro que vai sair. E é hoje!
Come os kivis apressadamente, faz o café e arranja o pão já com as ideias a fervilhar que nem uma panela de sopa. Dá instruções à funcionária para ficar mais liberta podendo desse modo dar asas à eventual criatividade, faz festas aos gatinhos, mas poucas e explica-lhes porquê, atira um piropo ao cão que fica surpreendido com semelhante coisa antes mesmo do café e corre para o computador.
Esfrega as mãos, estica os braços (exercícios de aquecimento, para quem não tenha entendido) e prepara-se para o acontecimento mais importante, mais emocionante, mais degradante que é escrever algo que lhe impõem!!!!
E então, lentamente, premindo conscientemente cada tecla do computador escreve:
- Tu! E o meu bolo de chocolate!
domingo, 7 de março de 2010
Vamos esquecer a chuva e dar voz ao "ROUXINOL"
E haverá lá coisa melhor do que um "Rouxinol" para nos alegrar numa manhã cinzenta e triste de Domingo?
Boa sorte!!!!
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Parabéns Susana!!!!!!!
Pois decidi (ainda estamos suficientemente próximos do Carnaval para o fazer) disfarçar-me de Tolentina de 3ª categoria e satirizar a Susana à má maneira oitocentista. Perdoe-me Susana mas, a verdade, tenho que o confessar, é que não sei o que faço!!!!
Ah! A Carlota é, naturalmente, a minha musa...
As Susanas *
Carlota, pois cuidas que é mal
A sanha de alguns professores
Só porque lês no jornal
Uma panóplia de horrores
Dignos de um Juvenal???
Mas tu, de minar não cessas,
Qual é a tua intenção?
Impossíveis, não me peças,
Pois que queres que faça então,
Se a Susana é mesmo dessas?!
Dizes que uma aula da Susana
Te faz esconjurar piedade
Seja qual for a alma humana
Que caia em tal iniquidade
Por descuido, ou por insana…
Dizes tu, como animal,
Que o instinto proíbe a dor
E que surda a esse mal
A Susana é um terror
Para com o seu igual.
Carlota, não discorres bem:
É que em vós, os animais,
O instinto intervém!
E nós, humanos, mortais,
Desprovidos desse bem
Somos mauzinhos, viscerais.
As Susanas precisas são!
São boas para nos moer!
Até têm a consideração
De não nos deixarem morrer
No decurso da lição!
É também uma, a verdade:
Ficavam as águas vazias!
E a Susana, ao fluir a idade,
Iria contar os seus dias
Consumida de saudade…
Com um beijo GRANDE e desejos de um dia muito bem passado, aquela que, como sabe, a estima muito e não a considera de todo “the ogress” que aqui descreve:
Donagata
* plural majestático, hã!!!
"O nosso amor é verde"
Aproveito para o dedicar, como primeiro presente, à minha amiga Susana que faz hoje anos.
Parabéns!!!
(É só o primeiro....)
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Armadilhada!
Meus amigos, encontro-me armadilhada. Tenho uma cinta no braço, uns fios colados entre o peito e as costas e um aparelho à cintura que apita a intervalos regulares. E é nessa altura que o meu braço começa a inchar drasticamente por sob a camisa e a produzir ruídos estranhos até que, num sopro lento, volta a diminuir o volume, terminando por fim os zumbidos.
É também nessa mesma altura que, embora dissimuladamente, pois finjo (e tento, a sério, tento mesmo) que não tiro os olhos do livro que mantenho aberto em frente a mim, muito bom por sinal, “A consciência de Zeno” de Italo Svevo, que observo os vizinhos de viagem (venho de Metro), sobretudo o que se senta a meu lado.
É de ir às lágrimas e, só com muita dificuldade e a ajuda do tal livro consigo não me desmanchar. É que o senhor fixa os olhos no braço os quais se vão arregalando ao mesmo tempo e na mesma medida que se vai produzindo o já referido inchaço. Julgo que, num acto reflexo, chega-se mais para junto da janela ou seja, distancia-se o mais possível de mim. Calculo que por momentos lhe passa pela cabeça que eu irei explodir. Sei lá… um qualquer elemento da Al Qaeda, em loiro, agindo contra o imperialismo norte-americano em pleno Metro do Porto. Porque não? Assim, tudo faz para aumentar a distância que nos separa o que consegue aí cerca de 6 a 7 cm.
Convenhamos que não é lá muito para quem, na minha imaginação, se julga em tão grande risco. Na certeza, porém, que foi o suficiente para me proporcionar uma posição mais cómoda…
A verdade é uma só. Embora visivelmente desconfortável, não perdeu a pose e não deixou o seu lugar até à estação onde, presumo eu, deveria sair. A qual, por acaso, apenas por acaso, foi logo a primeira onde parámos após o extraordinário fenómeno por ele observado.
Já da porta, ainda me lançou uns olhares desconfiados mas não teve qualquer outra atitude que me pusesse em risco.
Devo ter-lhe parecido pessoa de confiança embora…armadilhada, pronto!
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Coisas que me acontecem não sei bem porquê.
Há já uns dias que ando com uma ligeira impressão na vistinha esquerda associada a uma sensação de desconforto e com sinais evidentes de derrame nos capilares da dita bistinha (sou do norte!). Nada de muito aflitivo mas que me levou, en passant, a consultar um daqueles médicos que julgo não serem oftalmologistas mas dão consultas em algumas ópticas.
Ora se estão a ver olhinhos alguma coisa devem entender do assunto…
Depois de devidamente esquadrinhados os dois olhos o senhor concluiu, em relação ao derrame, que não fazia ideia do que seria mas aconselhou-me a ir lavando o olho com soro fisiológico para não estar a colocar pomadas ou gotas que poderiam ser agressivas para o tal isso que ele não sabia o que era.
Contudo não vim de lá assim a seco!
Não!!!
Descobri que sofria de hipermatropia e também já não via muito bem ao perto pelo que iria necessitar de óculos progressivos dado que já estava a esforçar a vista.
Claro que não fiquei muito satisfeita com as novidades mas, na verdade, eu tinha a consciência que algum dia teria de ser.
Dado que eu tenho um oftalmologista que conheço há mais de 20 anos e é o que trata das bistinhas cá de casa, decidi que não tomava qualquer decisão sem o seu aval.
Ora, entretanto, no fim de semana, esta coisa do derrame piorou muito e fiquei francamente assustada.
Assim, 2ª feira, telefono para o meu médico e apreciem o diálogo que se desenvolveu entre mim e a assistente do consultório (uma anta há já muitos anos), digno de qualquer filme para “os apanhados”.
Ora vejam:
Ligo e quando a senhora atende:
- Está? É do consultório do Dr. ########?
- É
- Bom dia! Olhe, eu queria saber se seria possível ser vista pelo senhor doutor dado que me surgiu um derrame que tem vindo a piorar o qual gostaria que ele visse e me dissesse o que deveria fazer. Julgo que será uma coisa rápida.
- É cliente do senhor doutor?
-Sou. Há vinte e muitos anos.
-O nome!
- Donagata (não foi nada este!!!!)
-Só um momento!.........Pois. Está aqui a sua ficha. Não vem cá desde 2006!!!!
- Pois não. Não tenho tido problemas nem de visão nem nos olhos!!! Só agora é que estou a ter…
- Então só um momento que lhe vou marcar a consulta.
Em Janeiro, depois do dia 6, qual é o dia que lhe dá mais jeito?
- …………… Qualquer um. Não tenho nenhum tipo de restrição. Mas já agora seria possível informar-me pois deve saber isso melhor do que eu; como levo o olho?
Em formol, dentro de um frasquinho?
Deixo secar e levo-o mumificado?
Vou-o segurando com fita adesiva?
É que vejamos: Estamos no início de Novembro. Ora se isto calha de piorar é certo que o olho vai cair. E depois como é que o Sr. Dr. me faz o diagnóstico?
- Minha senhora. A consulta fica marcada para dia … de Janeiro. Do resto não sei nada nem estou para brincadeiras.
- Com certeza. Está muito bem. Tirando o facto de depois do que eu lhe disse me marcar uma consulta para Janeiro ser, na minha opinião, uma grande anedota só por si, admito que não esteja para brincadeiras. Em boa verdade nem a imagino com capacidades de raiar as fímbrias do sentido de humor mais incipiente.
Então muito boa tarde e tenha um bom Natal!
Julgo que ainda ouvi um resmungo de boa tarde mas, na verdade, nem disso tenho a certeza tal era a minha indignação.
Ora agora digam-me lá!!! Será que estas coisas acontecem a toda a gente ou sou eu que tenho uma propensão algo especial para que aconteçam comigo?




