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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Os Garamantes


Todas as imagens são de Garama a cidade antiga


Pois bem. Hoje, porque está mais um dia de calor acordei a pensar como seria viver no Sahara. É verdade. Dá-me assim para estas coisas vá-se lá saber porquê.
Ora, nada melhor para explorar um assunto do que falar com ou dos seus especialistas. Por isso hoje decidi falar acerca dos Garamantes.

E quem eram os Garamantes? Perguntarão os mais distraídos.

Aparentemente e juntando umas coisitas de que ainda me lembrava com outras que procurei para não sair uma grande asneirada uma vez que apenas pretendo efabular ligeiramente e não permitir-me a grandes desvios, tratou-se de um povo descrito quer por historiadores (Heródoto, por exemplo) quer por viajantes (Alexandre e os seus emissários…), que , há muuuuuiiito tempo (foram atacados pelo proconsul de África, Cornélio Balbo nos anos 21 e 20 a.C. a mando de Caius Iulius Caesar, vulgo Júlio César, ou teria sido Marco António? Bom, não interessa! Muito tempo, portanto.) habitou a África sahariana.


De origem berbere o povo Garamante estabeleceu-se, desde tempos imemoriais (diz-se que durante o primeiro milénio antes da era cristã) na área de Fezan e construiu, apesar das condições climatéricas adversas, um reino que constituiu a única entidade política sólida, reconhecida e prestigiada, no deserto sahariano entre o Egipto e a costa atlântica.
A sua capital era Garama e, daí, o rei controlava um extenso número de tribos que se espalhavam por um também extenso, se bem que desértico território salpicado de alguns oásis.

Embora considerado pelos romanos um povo de guerreiros do deserto, as evidências arqueológicas mostram-nos algo diferente.
Revelam-nos um povo adaptável às condições que se lhe ofereciam, próspero, que dependia, essencialmente, da agricultura.
Diz-se que também do comércio de bens que transportavam entre a Líbia e o Mediterrâneo. Contudo esta teoria não tem grande suporte em termos de documentação histórica ou de vestígios arqueológicos. Baseia-se apenas naquilo que, séculos mais tarde, aconteceu com os povos muçulmanos que aí se instalaram.

Sabe-se, porém, que cultivavam quase todo o tipo de cereais, vinha, oliveira, palma, algodão e vegetais. Desenvolveram também capacidades como o fabrico de cerâmica, metalurgia, vidro, extracção de sal e de pedras semi-preciosas.

Se é certo que esta zona, agora tão árida, o seria bastante menos no dealbar da era cristã, a verdade é que este povo construiu um sistema de irrigação, baseado em poços e condutas subterrâneas digno da mais moderna engenharia.


Procuravam lençóis de água subterrâneos e, a partir deles, canalizavam a água por um elaborado sistema de túneis, até onde necessitassem dela. Neste sistema conhecido por foggara os túneis iam tendo uma cota cada vez mais baixa do que a do lençol de onde provinham e a água era “empurrada” pelo próprio desnível.
Gente esperta! É que nem aquele sol todo a queimar a moleirinha lhe retirou ou afectou os neurónios…
Com este sistema, apesar da terra à sua volta ir secando cada vez mais, conseguiram aguentar uma evidente prosperidade julga-se que, pelo menos por mais um milénio…

Mas, tudo tem um mas, como os recursos hídricos não são eternos, também estes lençóis de água acabaram por esgotar e, com eles, a prosperidade evidenciada por este povo.


É até provável que, quando os romanos lá chegaram e, com dificuldades, acabaram por conquistar este povo, ele já não fosse mais do que uma pálida sombra do que tinha sido séculos atrás. Julga-se que os recursos hídricos terão esgotado próximo do final da era a.C. e, assim, serem descritos apenas como povos guerreiros do deserto…

E, tenho dito embora muito mais houvesse a dizer sobre este povo. E outros, claro. Só que agora não me apetece.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Os Nabateus


Hoje acordei com uma vontade incrível de escrever um daqueles textos muito parvos que já não escrevo há bastante tempo mesmo. Refiro-me aos mesmo muito, muito parvos porque dos outros lá vou escrevendo.

Ora como ontem comprei uma revista, a National Geographic, que vinha acompanhada de um DVD sobre Petra (que ainda não vi), achei por bem falar sobre… os NABATEUS.

Ora os Nabateus, segundo ouvi dizer, eram um povo semítico. Isto porque, tal como outros, se diz descenderem de Sem filho de Noé, o tal da Arca, lembram-se?

Mas vou começar pelo princípio que me parece ser sempre uma táctica apropriada nestas coisas.

Isaac, filho de Abraão, tinha dois filhos gémeos. Esaú e Jacob. Ora, como é do conhecimento geral, Esaú zangou-se com Jacob por uma niquice de nada, coisas de irmãos, a progenitura, que Jacob açambarcou para si.

Mesmo assim, Esaú não esteve para modas e pôs-se a andar tendo fundado uma cidade só para si a qual, mais tarde virou reino (era normal naquele tempo. Os reinos pululavam por cada canto e esquina), neste caso o dos Edonitas.
Como vêem estes desacatos entre irmãos ocorrem mesmo nas melhores famílias!!! Vejam só a linhagem desta!!!!
Às vezes não têm um resultado tão feliz, é verdade. Mas, paciência, não se pode ter tudo!
Os Edonitas eram ricos em costumes e rituais religiosos. O seu deus principal era, segundo parece, Dhu Shara que, de acordo com as más línguas, era uma cópia fiel de Yaweh (e deste não me digam que nunca ouviram falar…) adorado em Israel, reino (outro…) governado por Jacob, hã!!!! Fabulosa coincidência.

Bom, continuando.
Meus amigos, o amor faz coisas que nem a progenitura consegue! É verdade. Dizem, que eu cá não gosto de contos, que Esaú se apaixonou por uma das irmãs de Nebaiote (outro príncipe de Israel…) com quem veio a casar (que era tudo gente muito séria,e nesta época não havia cá "ajuntamentos", vá!) acabando o seu reino por se vir a fundir, ao longo dos anos (muitos, que isto da história é uma coisa que avança muito devagarinho) com o dos Nabateus.

Por volta do ano 312 a. C instalam-se no privilegiado enclave de Petra estabelecendo aí a sua capital.

Enquanto os povos (reinos) que os circundavam andavam à chapada entre si sempre à procura da hegemonia, os Nabateus, pelo sereninho, ganham o controlo do comércio entre a Arábia e a Síria.

Petra, a sua capital, torna-se assim o principal eixo do comércio de especiarias (essas mesmo que mais tarde nós também andámos por lá à procura…).

Entretanto, ricos e sem muito que fazer (há coisas piores do que o comércio), foram-se dedicando à construção tendo criado uma cidade magnífica.
De inspiração quer oriental quer greco-romana, a arquitectura dos edifícios revelava o cunho cosmopolita que caracterizava a cidade.

Olhem e foram muito espertos, porque se o não tivessem feito não tinham podido candidatar-se, dois mil e não sei quantos anos depois ao concurso das “Sete novas maravilhas do mundo” uma vez que as outras, as antigas já estavam muito usadas ou até estragadas de vez.

Pois é. Candidataram-se e foram um dos sete ganhadores.
E foi aqui, em Portugal, mais propriamente em Lisboa, no Estádio da Luz (isso é que era dispensável até porque o dragão é uma figura muito mais mítica…) que receberam o cobiçado galardão.

E mais não digo pois já estou bastante melhor depois de expurgados uns quantos estados de ansiedade na forma de disparate.

Fica a promessa: Depois de ver o DVD procederei às respectivas correcções.

domingo, 25 de abril de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Civilização!!!!!


(Assim,sim! Pode ser que terminem os sismos erupções vulcânicas, cheias, inundações, secas e todos os outros cataclismos de que se possam lembrar. Apenas não resolve a estupidez...)

Só porque, como disse quem me alertou para a notícia, é algo absolutamente extraordinário que não podia deixar de referir aqui.

Já agora atrevo-me a acrescentar: inacreditável e demasiado mau para ser verdade…

Mulheres acusadas de serem culpadas pelos terramotos no Irão

Um líder religioso iraniano não tem dúvidas: As mulheres pouco modestas espalham o adultério na sociedade e isso faz aumentar os terramotos no país.

Os constantes tremores de terra no Irão têm uma explicação: "Muitas mulheres que não se vestem de forma modesta, desviam os jovens do caminho justo e espalham o adultério na sociedade, o que faz aumentar os terramotos ". Quem o afirmou foi o líder religioso Hojatoleslam Kazem Sedighi num sermão pfeito na Universidade de Teerão, na semana passada.

Na sessão transmitida pela televisão, o destacado clérigo defendeu que as mulheres se devem manter fiéis à modéstia para evitar este tipo de catástrofes naturais. De acordo com a imprensa local, são muitas as jovens que usam a forma de vestir para confrontar os limites impostos pela sociedade iraniana. Usar roupas que revelem os contornos do corpo ou mostrar uma parte do cabelo debaixo dos lenços são algumas das formas mais comuns.

Hojatoleslam Segdighi relembrou que nos últimos dez anos milhares de iranianos morreram em sismos, sendo que a religião deverá ser a chave para evitar tais catástrofes: "O que podemos fazer para evitar sermos soterrados pelos escombros? Não há outra solução senão tomarmos refúgio na religião e adaptarmos as nossas vidas aos códigos morais do Islão".

Segundo os especialistas, Teerão está localizada sobre várias falhas tectónicas, o que a expões à possibilidade de um "terramoto devastador" a qualquer momento. O Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, já fez saber que tem em curso um plano para construir uma nova capital perto da cidade santa de Qom.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Antígona


(Imagem: Alexandra Lucas Coelho e Sr. General Loureiro dos Santos, os conferencistas)

Hoje apetece-me falar da Antígona. Porquê? Podereis perguntar-vos até algo aflitos, quem sabe.
Mas haverá alguma coisa a dizer sobre a Antígona que ainda não tenha sido dito?
Tendo Sófocles escrito esta tragédia há cerca de 2500 anos é muito improvável, pensareis, que haja ainda algo de novo a extrair do seu conteúdo, do seu significado.
Eu também pensava assim.
Contudo, na passada sexta-feira, tive o raro privilégio de ter sido convidada, não só para assistir à representação da citada peça no Teatro Nacional de S. João (na mais prestigiante das companhias, não posso deixar de o referir), como de poder ter acompanhado a Conferência que , tal como outras, antecederão e antecederam a referida representação e têm por tema “Análises ao Fado e ao Sangue”.

Confesso que quando vi o tema fiquei bastante curiosa de saber a forma que os dois conferencistas iriam utilizar para “descalçar esta bota”. É que, assim à primeira vista e sem lhe dedicar muito tempo de atenção parecia algo pouco relacionado com a peça…
Mas, com um pouco de reflexão, entendi que não era assim tão distante como me parecera à primeira vista. Porém, embora tenha vislumbrado um elo de ligação não deixava de considerar um tema difícil de abordar sem se tornar maçador, ou então, repetitivo.

Os conferencistas em causa eram:
Alexandra Lucas Coelho e o General Loureiro dos Santos moderados por Amílcar Correia

Dispensam ambos apresentações. A primeira pelo seu brilhante percurso enquanto jornalista (actualmente, colaboradora do Público), bem como pelo seu conhecimento acerca dos assuntos do Médio Oriente em relação aos quais é uma verdadeira especialista com aquele saber de experiência feito.

O General Loureiro dos Santos porque, além de ter sido Ministro da Defesa nos IV e V Governos Constitucionais, foi actor de uma carreira militar brilhante, autor de inúmeros livros sobre estratégia, artigos em diversas publicações, professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas é, neste momento um conferencista requisitado bem como o analista de assuntos militares (nacionais ou internacionais) por excelência. Não é incomum vê-lo num qualquer canal televisivo a comentar acontecimentos do foro do seu vasto conhecimento.

Feitas, como convinha, estas brevíssimas apresentações, passarei a dizer o que a conferência me suscitou.

Alexandra Lucas Coelho deu por título à sua intervenção “As Guerras da Honra”. Abordou o tema de forma brilhante tendo-o ilustrado profusamente com casos verídicos com que ela se deparou em países vários do Médio Oriente, em que a “honra” do homem ainda se lava com sangue ainda que, muitas vezes, com o da mulher…
Falou-nos da honra colectiva: de uma casta, de uma aldeia, de uma religião. E falou-nos dessa “honra” e da sua defesa de uma forma que poderíamos perfeitamente, num momento de distracção, julgarmo-nos ainda a viver o tempo de Antígona . Não o estaremos?
Aliás, parafraseando A.L.C. que por sua vez parafraseia Antígona, temos que “não há pior sofrimento do que viver sem honra”.

É dona de uma escrita (a sua intervenção foi lida), interessantíssima, apaixonada e apaixonante que não nos deixa perder um som de tudo quanto diz.
Francamente muito boa a sua intervenção a qual instigou em mim a vontade de ler os seus livros.

Depois desta intervenção de tão alto gabarito seguiu-se então a do Sr. General que tinha por tema “O Tempo de Sófocles: Os Conflitos (Internos ou Externos) na Antiguidade e no nosso tempo.

Numa perspectiva diferente, dentro do que é a sua área de conhecimento, mimoseou-nos (pelo menos a mim fê-lo) com uma espantosa lição de história em que esteve sempre presente, também, o conceito de “honra” como geradora, moderadora, ou causa de desfecho de conflitos.

Falou-nos, naquele seu tom coloquial de quem está a dizer coisas banais(!), da ordem internacional, dos sistemas militares e da forma de fazer guerra há dois mil e tal anos em plena fase de hegemonia do sistema das cidades-estado. Relembrei as guerras do Peloponeso, relembrei os sistemas autocrático e democrático de Esparta e Atenas. Aprendi algumas das características que diferençavam os exércitos apeados dos que usavam cavalos ou carros que os tornavam tão mais eficazes….
Estabeleceu também um paralelo, se assim pode ser considerado, entre os conflitos na Antiguidade e os do Nosso Tempo. E, espantem-se! Não é que nada mudou?
Nem as causas, nem as diversas formas de exercer o poder ou de a ele reagir nem, tampouco, os diversos tipos de comando ou direcção.
Pelo menos assim o entendi. Mais uma vez, em quase tudo, nos poderíamos reportar a Antígona, ao seu tempo histórico…

É mesmo caso para dizer, e vou tentar parafrasear João Luís Pereira o comissário para a organização deste evento que, ao jantar dizia:
“Mas afinal o que é que temos andado a fazer durante estes dois mil e quatrocentos anos? Sófocles já dizia tudo. Era perfeitamente actual”

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Viva a República!

Ora hoje é feriado !

Que bom, dirão a maior parte das pessoas. Ainda por cima uma “ponte”!!!!
Contudo, se formos perguntar a uma parcela significativa desta população agradecida, não saberão, estou quase certa, a quem deverão agradecer esta pausa tão bem-vinda.

Pois é. Hoje comemoram-se os 99 anos da implantação da República no nosso país.

Há já muito tempo, escrevi aqui um post bem sério sobre o assunto; nada mais nada menos que a notícia que o “Século” difundiu no próprio dia da revolução.

Mas hoje não estou com disposição para estas coisas, assim, sérias. Até porque, neste momento, tenho alguma dificuldade em encontrar seriedade em tudo o que se refere aos aspectos políticos. A História, se calhar, encarregar-se-á de me dar razão, ou então, não…

Bom, mas adiante.

(Praia dos pescadores - Ericeira)

Mais uma vez vou recorrer ao “meu amigo” Luís de Mascarenhas Gaivão e reproduzir alguma da riquíssima prosa, além de muito esclarecedora se estivermos atentos, que construiu com a ajuda dos seus alunos. Esta será extraída do livro “História Desatinada de Portugal” e, podemos dizer, que tem partes que são mesmo um autêntico desatino…

Então, o capítulo dedicado ao dia de hoje embora em 1910, reza assim:

5 de Outubro de 1910
- Instauração da República

A situação era final. No dia 4 de Outubro de 1910 os republicanos começaram a revolução que terminou no dia seguinte.

Relatemos os factos e as circunstâncias:

«As forças militares que apoiavam os republicanos foram: Infantaria 16 e Artilharia marinha» bem como «os militares populares».
«Intrancheiradas na Avenida da Liberdade», as forças republicanas foram decididamente apoiadas por muitos populares, uns estariam armados e outros não: «o povo que não tinha armas procurava comida para os combatentes que carregavam munições» ou «tratava dos feridos e procurava comer».

Foi, portanto, instaurada a República em Portugal, no dia 5 de Outubro de 1910 enquanto a Monarquia desaparecia, depois de quase oito séculos de existência, ou de modo diferente e filosófico: «A 5 de Outubro de 1910 terminou a Monarquia e foi proclamada a Revolução».

Torna-se necessário, neste momento, fazer a destrinça entre estes dois regimes políticos, para se compreender bem o fundo da questão desta época agitada da vida nacional.

As principais diferenças entre a Monarquia e a República são:

«Na Monarquia é o rei que manda e na República é o 1º ministro».
«Na Monarquia não se pode votar e na República pode-se»
«Na Monarquia o rei durava muito tempo no trono e era hereditária»
«Na monarquia o rei era descendente e a República vota-se».
«Na Monarquia passa de pai para filho e República era em eleições».
«Na Monarquia o rei mandava muito tempo e na República o rei mandava menos tempo».

Num resumo destas considerações, podemos, então, declarar que «no dia 5 de Outubro de 1910, o republicano português proclamou a revolução da República».

Algumas opiniões não são coincidentes. Defendem elas posições um pouco estranhas, como, por exemplo, «a instauração da República deu-se na seguinte data e com o seguinte acontecimento: no dia 5 e Outubro de 1910, na luta entre os Monarquitos e os Republicanos, adoptou a bandeira vermelha e verde, o hino nacional e o desenvolvimento» (e mai’nada, digo eu…)*.

Por outro lado, há quem não esteja de acordo com a data, «a República deu-se em 28 de Maio de 1911», «1919» ou com outros factos históricos, «através de uma manifestação».

* Não consegui não meter este pequenina colherada. É apenas uma colherzita de café, desculpem-me.

domingo, 16 de agosto de 2009

Há 40 anos!!!!



E foi assim há já quarenta anos!

"Uma Exposição Aquariana", festival de música organizado numa fazenda de Max Yasgur situada na cidade rural de Bethel, New York de quinze a dezoito de Agosto de 1969.

O Woodstock!

sábado, 15 de agosto de 2009

Passeio de Sábado



Hoje o dia amanheceu excelente e logo pensámos ir à praia.

São tão poucos os dias que o podemos fazer…

Mas, foi aí que me lembrei que o “Gatão”, no domingo passado, tinha-se descuidado a ler o jornal ao sol e tinha apanhado o escaldão da sua vida.

E agora parece uma serpente na época da troca de pele; escama por todos os lados. Ora, como o novo revestimento é ainda muito mimosinho e, em alguns locais, ainda se mantém a pele queimada que já perdeu a tonalidade de “presunto de Lamego” (curado com muito colorau) mas ainda se mantém encarniçada quanto baste, resolvemos pôr em prática um plano de contingência e rumarmos ao topo norte de Portugal, à belíssima localidade de Vila Nova de Cerveira, ou apenas Cerveira como também é conhecida. Estaríamos perto da praia, poderíamos olhar para ela se quiséssemos mas também podíamos não o fazer e contentarmo-nos com ir à feira (hoje era o dia da grande feira de Cerveira que mobiliza resmas de forasteiros que aqui chegam de carro, de camioneta e sei lá de que outras formas) e admirar, extasiados, o belíssimo rio Minho.


É claro que a primeira impressão que temos é que chegámos à Galiza tal é o número de “nuestros hermanos” que por lá deambulam. Devo-vos dizer que a dada altura já perguntava preços em gallego assim como pedia desculpa e agradecia na mesma língua. Quando não se pode vencer o inimigo (salvo seja, que até me gustam los gallegos…), já diz o ditado, o melhor é juntarmo-nos a ele…


Em boa verdade, é mais ou menos o inverso do que acontece quando chegamos em Agosto a S. Xenxo, por exemplo, parece que estamos em Portugal. Mal pomos o pé fora do hotel encontrámos logo os vizinhos, os amigos, os colegas de trabalho… Enfim, um ambiente deveras familiar. E português, é sem margem para dúvida, a língua dominante o que, convenhamos, não acontece numa parte do nosso país no mesmo período…


Mas regressemos a Cerveira. Vale a pena. O dia foi de intenso calor. Mesmo assim nada me impediu de ir à feira, como já disse, e apreciar embevecida as inúmeras barracas de malas e carteiras, pólos, perfumes, óculos Gucci, Prada, C.K. , David Jones, Burberry and so on, and so on…

Em suma, o sonho de qualquer gata que se preze. Gata com pedigree, claro. Assim ao estilo pseudo-intelectual da linha (já fui elogiada desta forma, aqui).


Bem, mas regressemos a Cerveira essa belíssima Vila que merece ser citada por muito mais do que pela sua feira.


À medida que nos vamos aproximando apesar de ainda algo distantes, podemos avistar, no cimo de uma colina denominada de Alto do Crasto, uma enorme escultura do Cervo, da autoria do escultor José Rodrigues.

Nesse local existiu nos finais do século XI, quando da autonomização do Condado Portucalense, um castelo que servia como protecção fronteiriça das terras de Cerveira. Não esquecer a importância que o rio Minho passou a ter como fronteira natural e, consequentemente, as necessidades da sua defesa. Neste caso, a maior parte das vezes, das investidas dos galegos mas também dos mouros e dos normandos.


Mais tarde, em 1297, 157 anos depois do reconhecimento de Portugal como nação independente, D. Dinis e D. Fernando IV de Castela assinam o Tratado de Alcanices, que vem pôr fim aos confrontos com Castela e delineiam, finalmente, a fronteira entre os dois reinos. Este tratado de paz, uma vez que estabeleceu a fronteira no Minho, tornou mais do que nunca imprescindível a sua fortificação. Assistiu-se, a partir deste momento a um renovado esforço de repovoamento da região.

Assim surgiu a “Vila Nova” de Cerveira com a atribuição da Carta de Foral por D. Dinis, corria o ano de 1321, e a construção de um novo castelo, destinado a proteger a vila em desenvolvimento.

Deste castelo são ainda hoje, bem evidentes os vestígios.


Mais tarde, no século XVIII e ainda com as guerras da Restauração, procedeu-se a um reforço das fortificações já existentes, medievais. Foi construída uma fortaleza que envolveu a vila apoiada por outros dois pontos fortificados: a Atalaia do Alto do Lourido, e o Forte de Lovelhe.

De tudo isto podemos ver vestígios bastante bem conservados.


Além disso, a presença humana neste local remonta à pré-história havendo diversos vestígios, de grande importância para o estudo da pré e da proto- História em terras do norte de Portugal. Entre os vários elementos detectados, merece destaque o tesouro da sepultura da Quinta de Água Branca, cujo espólio está integrado no Museu Nacional de Arqueologia.


A grande expansão demográfica que está na base do povoamento actual deu-se com a multiplicação do número de castros, já sob uma forte influência da romanização.


Bom, mas chega de paleio histórico. Quem gosta, aproveite o verdadeiro manancial que a região nos oferece. Quem passa bem sem andar a espreitar calhaus e, além disso, não é coscuvilheiro suficiente para andar a investigar a vida dos outros, antepassados ou não, tem sempre a feira, um must, e a beleza natural da região. Isto já para não falar na excelente gastronomia que podemos (os que podem) saborear.

Local a não perder.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Porque recordar é preciso....



Victor Jara (28 de Setembro de 1932 - 16 de Setembro de 1973)

Músico, compositor, cantor, encenador, professor universitário e, sobretudo, paladino internacional da música de intervenção e protesto.

O golpe de estado perpetrado por Augusto Pinochet contra o governo de Salvador Allende (democraticamente eleito), no dia 10 de Setembro de 1973, apanha-o desprevenido na Universidade como a outros professores e alunos.

É levado para o Estádio Chile (hoje Estádio Vítor Jara) que havia sido provisoriamente convertido em campo de concentração, onde, durante quatro dias sofre sevícias várias (inclusivamente mutilaram-lhe as mãos), até ser assassinado no dia 16.

É bom que uma vez por outra nos venham à memória casos como estes que convém não esquecermos NUNCA!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Viajando um pouco pela História...



(Imagem daqui)

Nestes tempos em que a memória das pessoas parece andar tão falhada e em que os direitos adquiridos com a democracia parecem ser algo que cada um utiliza e interpreta da forma que entende passando pelo “não tenho nada a ver com isto” até ao insulto curto e grosso a quem tiver a ousadia de manifestar pontos de vista diferentes do meu, entendi oportuno recordar, embora ao de leve, a razão porque se comemora hoje o Dia do Trabalhador. É que os acontecimentos foram já há tantos anos… E a memória, como já disse, anda tão curta…

Tudo começou, efectivamente, no dia 1 de Maio de 1886, em Chicago, cidade, como muito bem sabemos, norte-americana.

Nesse dia um conjunto de quinhentos mil trabalhadores saiu à rua em manifestação pacífica, reivindicando o limite máximo de 8 horas para os seus dias de trabalho. A manifestação foi dispersada violentamente pela polícia, tendo daí resultado dezenas de mortos e feridos entre os operários.

Mas quando a vontade é muita e o sofrimento também, a “derrota” não dissuade, dá novas forças. Assim aconteceu. No dia 5 de Maio, apenas quatro dias depois, os trabalhadores voltaram a sair à rua com a mesma reivindicação. Estas manifestações foram novamente reprimidas pela polícia, dando origem a oito líderes presos, quatro trabalhadores executados e três condenados a prisão perpétua.

Notícias da época: "a prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social", escreveu o ‘Chicago Tribune'; "estes brutos só compreendem a força, uma força que possam recordar por várias gerações", escreveu o New York Tribune.

Contudo, o movimento aí iniciado deu origem a um maior, de solidariedade internacional, pressionando o governo americano a anular o falso julgamento e a organizar um novo com um júri adequado.

Tal julgamento teve lugar em 1888. Os novos jurados consideraram os trabalhadores inocentes, culparam o Estado e determinaram que este soltasse os três trabalhadores que se encontravam ainda presos.

O Congresso Operário Internacional (a Segunda Internacional Socialista), um ano mais tarde, em Paris, decreta o dia 1 de Maio como o Dia Internacional do Trabalhador, cito “um dia de luta e de luto”.

No ano seguinte, em 1890, finalmente, os operários americanos conquistam o direito ao dia de trabalho de 8 horas.

Antecedentes:

No final do século XIX, vivia-se o auge da Revolução Industrial quer na América quer na Europa. Os trabalhadores eram sujeitos a condições desumanas de trabalho em prol do máximo de produção ao mais baixo custo. Tanto fazia serem homens, mulheres, crianças ou velhos. O horário de trabalho ia, por vezes, até às 17 horas diárias, sobretudo em unidades fabris. E regalias como descanso semanal, férias ou reformas não existiam.

Foram criadas aquelas que viriam a ser os primeiros embriões dos sindicatos, as “Caixas de Auxílio Mútuo” para acautelar momentos mais difíceis dos trabalhadores. Mesmo assim, esses incipientes sindicatos que posteriormente se organizaram, tinham uma função muito ineficaz dadas as constantes perseguições da polícia.

Foram, portanto, estas condições insustentáveis as causas próximas dos movimentos operários que tiveram lugar, não apenas na América, mas também na Europa.

Como, de acordo com o que já referi, apenas três dos presos, das ocorrências em Chicago, beneficiaram do novo julgamento incitado pela comunidade internacional, todos os restantes ficaram conhecidos pela designação de “Os Mártires de Chicago”.

Foram mártires, sem dúvida, mas foram sobretudo um enorme exemplo de coragem o qual desencadeou uma onda de protestos e de melhoria de condições dos trabalhadores em todo mundo.

Também em Portugal se desencadeou uma onda de greves que ocorreram essencialmente entre 1852 e 1910 e que acabaram por ter como efeito uma efectiva melhoria das condições dos operários.

Durante a Primeira República festejava-se o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador o que deixou de acontecer após o início da ditadura. Havia comemorações nesse dia, que deixou de ser feriado, mas apenas aquelas que eram simbolicamente organizadas pelo Estado.

O primeiro 1º de Maio a seguir ao dia 25 de Abril de 1974, foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa manifestaram-se mais de meio milhão de pessoas, o mesmo acontecendo em todas as cidades do país (não com o mesmo número de pessoas, está visto).

Eu estive nesse 1º de Maio do Porto e, ainda hoje me sinto saudosa do ambiente que se viveu nesse dia. Não se questionavam cores, partidos, tendências, nada. Era aquela mole de gente que, com imensa alegria, dava as boas-vindas à democracia que, apenas uma semana antes, nos havia sido devolvida.

sábado, 25 de abril de 2009

Porque hoje é dia 25 de Abril



Porque hoje é dia 25 de Abril!
Porque é preciso não esquecer!
Porque a História se faz de lembranças!
E, sobretudo, porque estas poderão impedir que incorramos nos mesmos erros...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Coincidência Histórica? Ou o senhor era bruxo?


Thomas Jefferson


Algumas curiosidades sobre este grande homem que foi o 3º Presidente dos Estados Unidos.

Nasceu na Virgínia, filho de um topógrafo e cartógrafo, auto-didacta e de uma descendente de ingleses de boa posição social o que, desde logo lhe granjeou um estatuto apreciável. Ainda maior se associarmos ao facto dos pais, cedo se terem estabelecido na futura região de Albermarte tornando-se também lavradores de grandes posses (possuidores de terras e de escravos).

Começou os seus estudos numa escola paroquial, seguindo-os depois num colégio anglicano onde foi alertado para a importância das ciências. Porém optou por estudar direito, tornando-se um advogado conhecido. Iniciou a sua vida política em 1769 quando foi eleito para a Câmara dos Burgueses de Albermarte.

Entre outras coisas, sem qualquer pretensão de ser exaustiva, em 11 de Junho de 1776 é eleito para uma comissão, constituída por cinco pessoas, encarregues pelo Congresso Continental de preparar uma Declaração de Independência.

Embora nessa comissão se pudessem encontrar nomes como Benjamim Franklin e John Adams, é Thomas Jefferson que “pela sua peculiar facilidade de expressão, citando Adams, a pessoa que redigirá a referida Declaração.

É um seguidor do Iluminismo europeu e do racionalismo científico, fundamentos do seu pensamento, já bem definidos em 1776.

A sua visão filosófica já não se limitava a reflectir sobre o mundo; já tinha por objectivo transformá-lo.

O Iluminismo levava a que defendesse o aperfeiçoamento ilimitado do espírito humano bem como da moralidade inerente a todos os homens, adoptando um deísmo que não era mais do que uma religião natural (herética).

É embaixador em França entre 1784 e 1789 tendo-se envolvido entusiasticamente nos primeiros acontecimentos da Revolução francesa, não se sabendo ao certo qual a real medida da sua intervenção.

Foi coleccionando um vasto conjunto de obras literárias sendo possuidor de uma biblioteca com 6 487 exemplares (!), os quais vendeu, mais tarde, para a Biblioteca do Congresso.

Como arqueólogo, que também foi, utilizou um método inovador (à época) de escavação. Escavava em cunha em vez da habitual escavação apenas em profundidade, permitindo-lhe assim ir “caminhando” por dentro e observar as diversas camadas estratificadas tirando assim, mais rapidamente, as conclusões que se impunham.

Recapitulando; homem iluminista, progressista, defensor da perfectibilidade humana, do conhecimento racional, da superação do preconceito e das ideologias tradicionais, filósofo, arquitecto, arqueólogo, político revolucionário, principal autor da Declaração de Independência Americana, Presidente dos Estados Unidos da América entre 1801 e 1809 e ainda…..

Visionário, ou profeta.

Senão leiam:

"I rest my case"