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sábado, 25 de abril de 2015

Afinal


As minhas glicínias em Abril

E, mais uma vez, chegou Abril e
o cheiro das cores frescas
acabadas de nascer e
o viço de asas macias que
esvoaçam e me desarrumam
as memórias e os silêncios.
Cresce a estridência das flores que
espreitam mansinho das árvores com
brilhos de água fresca e que
eu quase não vejo de serem tantas.
Ah!
E as gaivotas.
Tantas as gaivotas.
De mais as gaivotas.
Já não trazem tanto mar no coração e
o vento nas asas endureceu e
agora comem as pombas nos Aliados…
Mas é Abril
inevitavelmente Abril
e também inevitavelmente
a saudade escorrega devagar
pela lembrança de outros dias, de
outras gaivotas de esperança, de
cravos com muita gente
a dizer vontades, de
olhos rasos de brilho de
nós a sermos nós
livres
felizes para sempre.

Afinal é só Abril que
mais uma vez

chega.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Verões da minha infância

Chaves. Verão de 1958

Recordo os verões da minha infância.

Eram verões em que o tempo era enorme e as brisas nos penteavam sorrisos grandes.

Verões que carregavam muitos perfumes bons e muito maduros. Traziam também as libelinhas, as andorinhas, muitas andorinhas nos beirais com ovinhos e filhos pequenos de bico muito aberto. E eu podia brincar ao ar livre até ao pousar da noite que era muito à noite mesmo. Traziam as papoilas, as talhadas de melancia, os figos e os pêssegos, as abelhas, as cobras, os sardões… O medo que a minha mãe tinha das cobras!!!! E dos sardões. Não tanto mas também tinha. Quando precisava de sair, nas tardes desses verões, chamava-se o caseiro que vinha com uma enxada afugentar as que se estendiam sobre o muro, ao sol. Só depois a minha mãe ia até ao portão.

Havia pintainhos pequeninos, amarelos e às cores, que eu gostava de ver correr com passinhos miudinhos atrás da mãe gorda e de penas tufadas.

Havia muito feno que eu adorava cheirar e palheiros onde ia escorregar e buscar comichões incómodas e persistentes. E ralhos de mãe e banhos e roupa fresquinha. E havia ervas muito verdes que eu colhia para brincar às casinhas, E eram o arroz, os bifes, as saladas… havia ervas e vontades para tudo.

Havia passeios à azenha, ou ao açude, mais raramente, onde tomávamos banho no rio de águas muito frias e muito limpas com maillots que a minha mãe tinha tricotado e que ficavam muito duros e muito tesos. E lanches que comia sentada no liteiro com a pele muito arrepiada e muito fresca depois desses banhos que tentava fazer durar por todos os tempos do mundo.

Havia ainda as longas tardes com o avô. Sentados numa fraga aprendi que o granito era bordado com grandes pontos de quartzo, de feldspato e fios brilhantes de mica. Aprendi a reconhecer o xisto, o calcário, o basalto e a desenhar nas pedras. Aprendi a gostar muito dos malmequeres e de papoilas. A separar as pétalas das sépalas e a passar os dedos nos estames para ficar com eles pintados de pólen.  Aprendi a assobiar em palheiras, a apanhar grilos a reconhecer poupas e cucos e melros e pardais, são lindos os pardais, e ouriços-cacheiros e toupeiras.

À noite adorava esticar muito o pescoço e alargar o olhar para um céu muito grande que costumava haver nesses verões e, ainda com o meu avô, tratar pelo nome a Ursa Maior, a Menor, a Cassiopeia, a Orion… E depois, pendurada nas estrelas, adormecer ao seu colo.


Tenho saudades dos verões da minha infância. É que as noites, agora, não são tão demoradas, o céu é bem mais pequeno e já não encontro estrelas onde
me pendurar.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Crónica de uma ida para a praia nas férias grandes (1958)

Aviso:
O texto é grande. Quem não se achar com coragem será melhor nem começar. Mas como eu não gosto de ler textos fraccionados, fico em ânsias, entendi por bem colocá-lo todo de uma vez. Não vos quero ansiosos/as...


Estação dos caminhos de Ferro à época. Agora já não há comboios desde 1990, altura em que encerrou a "Linha do Corgo"


Pois é. Vou-vos falar do tempo em que era pequenina mas tinha umas férias grandes. E não eram apenas grandes, eram algo de muito especial que requeria uma preparação e uma cumprimento rigoroso e, para mim, infindável.

Tudo começou aí pelos meados de Julho, quando o Verão já ia quase a meio. E que Verão! É que em Trás-os-Montes, lá diz o ditado, são nove meses de Inverno e três de inferno. Aqui em Chaves a coisa era mais amena. Nem os invernos eram tão rigorosos, nem os Verões tão infernais. Mesmo assim eram muito quentes. Lá íamos até ao açude refrescar, ou para outros locais do rio como a azenha. A água do rio, apesar do calor, era sempre gelada. Mas nós, os pequenos, não dávamos por isso.

Bom, mas isto era apenas enquanto não íamos de férias.

A dada altura começaram as preparações. E lá saiam as malas do sótão (do terrível e escuro sótão), cheias de pó e teias de aranha, para serem limpas e lá serem colocadas todas as roupas e outros artigos de que iríamos necessitar no tempo em que estaríamos no Porto. Mais propriamente em Matosinhos.

Cheias as malas e eram daquelas que não tinham rodinhas (acho até que eram em cartão), no dia seguinte lá apareceu a Lurdes, uma empregada (criada, assim se dizia) nossa, que ajudou a transportá-las para a Estação dos caminhos-de-ferro. É que nessa altura não havia automóvel e a viagem era feita de comboio.

Nesse ano o meu pai foi connosco pois a minhae estava grávida do meu irmão do meio e lá fez coincidir as férias dele com a ida para a praia.

Foi a vez de ficarem os meus avós.

Para mim começou por ser uma aventura muito agradável e muito excitante. Porém, com toda aquela azáfama, não sei se iria terminar muito bem aqui para o meu lado.

Acordámos ainda a manhã prometia chegar.

A minha avó, como habitualmente, quando ficava, tinha sempre uma grossa lágrima no canto do olho, melhor dizendo, um rio delas, e abraçava-nos muito enquanto ia deitando uma mãozinha tentando ajudar (conseguindo só complicar) porque a minha mãe se atrasava sempre.

O meu avô, que ouvia mal, andava por ali e ia repetindo compassadamente: - Disseste alguma coisa, Alice? Eles já viram as horas? O comboio não espera!

Lá fomos numa grande pressa para a Estação, que era longe, sempre com medo de perder o comboio (só havia um, nem sei bem se todos os dias). Cada um lá se ia lamuriando à sua maneira e pelas suas razões. A minha mãe sempre maldisposta pois detestava (e ainda detesta) ter de se levantar cedo e, se calhar, penso agora, aquelas indisposições próprias da gravidez também não ajudavam lá muito... A

minha tia ia de cenho franzido pois não tinha conseguido levar todas as toilettes que queria exibir perante as primas. E o meu pai cheio de paciência…Bem, só vos digo, era um cortejo digno de ser visto. Claro está que sobrava sempre para mim, a mais pequena. Ora porque não andava suficientemente depressa, ora porque já levava a trança sem laço, ora porque já tinha as mãos todas sujas de as passar nos muros… Sei lá! As razões eram tantas! Mas o que eu queria era ver-me dentro do comboio. Aí sim, começaria a aventura.


Chegámos à estação e o comboio lá estava. Uma máquina preta e fumegante à qual se atrelavam umas carruagens, julgo que pintadas de verde, se não me falha a memória.

Lá içaram as malas todas, também me içaram a mim, pois não chegava aos degraus. O meu pai ajudou a minha mãe e lá nos acomodámos nos bancos de madeira que as carruagens ostentavam. Eu queria ir à janela. Mas, à janela, era em cima do banco com a cara do lado de fora da janela que era de guilhotina. Começaram por não me deixar, era até perigoso, mas depois de bem massacrados todos os familiares, o meu pai lá me colocou exactamente como eu queria agarrando-me bem as pernas. É claro que não tardaram cinco minutos já eu estava aos berros pois tinha-me entrado uma faúlha num olho provocando uma sensação muito incómoda e até dolorosa. Os comboios eram a carvão!

Eu berrava e contorcia-me enquanto a minha mãe tentava com a pontinha de um lenço, retirar-me o corpo estranho do olho, ao mesmo tempo que ia resmungando com o meu pai dizendo-lhe que tinha menos juízo do que eu; que se estava mesmo a ver que era isso que iria acontecer. E eu, cada vez berrava mais. A minha tia tentava o mais possível fazer de conta que não tinha nada a ver com semelhante rebuliço.

E assim fomos, devagarinho, devagarinho, levando horas que a mim me pareceram dias até chegar à Régua. Penso que devemos ter levado farnel para comer pelo caminho pois a estopada era longa. Mas, a verdade é que não me lembro.

A Régua já era outra coisa!

Para mim, uma imensa confusão de pernas, barulhos, locomotivas diferentes, malas a serem retiradas dos suportes por cima dos bancos e eu sem saber muito bem o que fazer.

Tínhamos que fazer transbordo passando para outro comboio muito mais moderno. O primeiro só podia ir até ali porque era para andar em via reduzida (e muito lenta, devo acrescentar). A partir dali era já via larga o que exigia máquinas com outros requintes tecnológicos.

Fiquei fascinada com o aspecto daqueles comboios o que me distraiu um pouco de toda aquela balbúrdia. É que eram mesmo muito maiores e bem mais bonitos.

Lá vai a família de malas e bagagens. O papá a arrastar umas, a mamã outras e a titi com a dela de um lado e eu, pela mão, do outro, não fosse perder-me no meio do tumulto. Finalmente lá nos transferimos para uma carruagem do comboio onde iríamos prosseguir. Muito maior e mais confortável.

Entretanto eram as vendedeiras de rebuçados da régua que deambulavam em torno dos passageiros apregoando as cobiçadas guloseimas e era eu a pedir à minha mãe que me comprasse daquilo. Não sabia se gostava, mas era doce…

Havia também mulheres com bilhas de barro a oferecer água fresca. E se era fresca… E eu sempre a querer de tudo!

Depois de muita confusão, lá se ouve o apito da partida e lá demos início à nova etapa. Aí, devo confessar que já ia tão exausta que acho que adormeci a maior parte do tempo.

Lembro-me, vagamente, de ouvir, em Valongo (sei-o agora), o pregão das vendedeiras de regueifa, que comprámos e, quando dei por mim, era de noite e estava a minha mãe a acordar-me pois estávamos a chegar a S.Bento, a última estação já em pleno coração do Porto. Íamos sair.

Saímos todos, com um ar bastante amassado, devo dizer, e, no que me dizia respeito, já sem metade da excitação que me movia pela manhã. Tinha sido um dia inteirinho no comboio e sentia-me cansada e cheia de sono.

Agora era apenas necessário chegar a Matosinhos.

Íamos para casa da minha avó Alice. A que tinha ficado em Chaves. Tinha aqui nascido e aqui mantinha a casa onde ainda vivia uma irmã. Era lá que ficaríamos e que sempre ficávamos todos os anos.

Saímos do comboio. E mesmo completamente sonolenta, ainda consegui ficar deslumbrada. Quantas pessoas! Tantas como eu nunca tinha visto! E os comboios?! Tantos! Quando eu julgava que havia apenas aquele em que viajara! Era o tamanho da Estação. Nunca tinha visto um edifício tão grande e tão bonito! Era toda aquela confusão que me deixava entontecida. Era eu a querer manter os olhos abertos e eles a fecharem-se enquanto repousava a cabeça no ombro do meu pai que me levava ao colo…


E aí, de repente, já estava sentada na areia dourada da praia, com o meu baldinho e a pá feitos em lata e pintados com lindos bonecos. Na cabeça usava um chapéu lindo e comigo estavam os meus primos, que não conhecia, e que comigo usufruíam da liberdade de estarmos soltos na areia e podermos fazer absolutamente tudo o que nos apetecesse sob o olhar atento das nossas mães.

Era um sonho, é certo. Mas no dia seguinte que chegou sem que eu desse conta, tornou-se a mais alegre das realidades. Estava na praia.


domingo, 12 de abril de 2009

A Páscoa da minha memória

Aviso aos leitores: é muito grande, preparem-se ou desistam.

Nasci e vivi durante a minha infância em Chaves. Aí aprendi a brincar sozinha, a correr pelos grandes espaços, a conhecer os animais, desde os domésticos, aos que surgiam pelo monte e me assustavam embora me despertassem a curiosidade.

Aprendi a reconhecer os sons da natureza, do melro, da rola e do pintassilgo a cantar, da rã a coaxar, do gado que se deslocava para o pasto fazendo um ruído compassado enquanto batiam com os cascos nos caminhos de terra batida e rocha e baliam, docemente; do porco que gritava aflitivamente no dia da matança provocando em mim uma angústia indescritível que se iniciava logo que me apercebia dos preparativos…

Aprendi a reconhecer o cheiro da terra lavrada, da terra molhada, da erva cortada, do sangue fresco que as mulheres mexiam em alguidares, das flores silvestres, do feno e do sol…

Aprendi também a ver um céu cheio de estrelas, onde eram perfeitamente distinguíveis as constelações (que o meu avô, era eu muito novinha, me ensinou a reconhecer) e as outras estrelas, as que andavam em terra e tinham uma luz fraquinha, os pirilampos…

Enfim, são memórias que guardo teimosamente neste meu baú de recordações.

Mas hoje, até, pela quadra em que estamos, vou retirar desse baú apenas as lembranças das Páscoas.

Começava logo na véspera pela azáfama, das mulheres, claro, no fabrico do tão famoso (com toda a razão) folar de Chaves. Normalmente, juntavam-se várias pessoas para fazerem vários folares e vinha a nossa casa uma especialista na matéria que os fazia todos. Cada interessado trazia os ovos, o azeite, a farinha, o leite, as carnes (muitas e variadas) e era tudo junto e amassado numa masseira de madeira. A massa tinha que levar umas voltas específicas, uns dizeres tradicionais, umas cruzes estranhas para levedar caso contrário, não ficava com o mesmo aspecto nem paladar.

Entretanto era aceso o forno de lenha o que também não podia ser feito com uma lenha qualquer. Isto era trabalho para uma tarde inteira e passava-se normalmente na chamada “cozinha velha” que era forada casa propriamente dita. Era raro que a minha mãe e a minha avó me deixassem ficar por lá muito tempo. Creio que, pelas gargalhadas que as ouvia soltar, tinham receio de que eu ouvisse algo menos próprio para a minha idade no meio das piadas maliciosas que a mulher do folar tinha o hábito de contar.

Ao mesmo tempo,iam sendo preparadas com o devido tempero as carnes para serem assadas no almoço de Domingo de Páscoa e batidos muitos ovos (que vinham a ser guardados desde há muito tempo em potes cheios com uma solução de cal, julgo eu) com alguma farinha e açúcar para o esperadíssimo e fofíssimo pão-de-ló. Eu, com a pouca idade que tinha, não fazia nada, mas observava com atenção e curiosidade o que ia sendo feito. Por vezes, permitiam-me untar muito bem uma forma que eu tinha, mais pequena mas em tudo igual às outras, colocar-lhe um pouco de massa e fazer o meu próprio pão-de-ló. Que alegria!

Antes de chegar a semana de Páscoa a casa tinha levado uma barrela de cima a baixo onde o chão era esfregado com sabão amarelo, em alguns aposentos encerado, as paredes limpas ou até pintadas, as cortinas lavadas e repostas.

As mesas já ostentavam as toalhas mais brancas e com os bordados mais finos, havia arranjos de flores por todo o lado; tudo resplandecia.

Enfim, dentro de casa não podia fazer nada para não sujar, pelo que ia andando da cozinha “velha” para a “nova”, espreitava aqui, bisbilhotava acolá, enxotavam-me mais além e o tempo que nunca mais passava…

E, finalmente, eis-nos chegados ao Domingo de Páscoa! Que frenesim! Éramos todos à uma a arranjarmo-nos para ir à missa; Eram os vestidos novos, ou pelo menos os mais novos, que saíam do armário muito bem engomados e a cheirar a alfazema; Eram a minha mãe e a minha avó aflitas para deixarem tudo guiado para quando chegassem da missa não atrasar muito o almoço. E então lá íamos todos à missa. A Igreja estava particularmente bonita nesse dia embora o que eu melhor via eram as pernas das pessoas. Era tão pequena!

As Páscoas melhores eram aquelas em que os meus tios iam lá a casa. A minha avó chorava muito antes de eles chegarem, chorava depois quando eles chegavam e voltava a chorar quando eles se despediam. Naquela altura não percebia muito bem. Mas hoje, como eu a entendo!

Contudo, enquanto eles estavam era um constante divertimento.

Éramos uma verdadeira família.

Regressados da missa lá tínhamos o belíssimo repasto à nossa espera. Para mim era tudo mais ou menos normal. A diferença estava nas toalhas, mais bonitas; nos pratos que se iam buscar, aqueles que estavam sempre guardados e na alegria que emanava daquela quantidade de gente a rir e a sentir-se feliz.

Brevemente chegava a hora de arrumar e deixar na sala em cima da mesa, coberta com uma bela toalha bordada, uma laranja e um envelope, juntamente com folar, pão-de-ló, amêndoas e confeitos. Estava na hora em que se aguardava o Compasso, momento fulcral do domingo de Páscoa. Eu não percebia bem porquê mas a verdade é que também o aguardava com ansiedade.

Enquanto era muito novinha não percebia a preocupação dos enfeites das entradas dos portões, ou portas, por onde o compasso deveria entrar. Mais velha um pouco, já eu também entrava naqueles despiques saudáveis, se bem que renhidos, de quem enfeitava com mais primor a sua entrada.

Quando começávamos a ouvir a sineta a badalar apossava-se de mim um nervoso que ainda hoje não entendo até porque, como já disse, era suficientemente nova para não entender o significado daquilo. Penso que era mais ou menos por contágio pois acho que toda a gente se encontrava em movimento a arranjar uma coisa daqui, a endireitar a toalha dacolá, era a flor que estava já meia tombada…

Até que, finalmente, lá chegava o Compasso. Todos os figurantes engalanados nas suas vestes pascais, transportando uma cruz com um Cristo, mito enfeitada, a qual todos devíamos beijar ajoelhando-nos ao mesmo tempo que levávamos um borrifo daquilo que hoje sei ser Água Benta mas que, nem por se benta, lhe achava muita graça.

As pessoas paravam um bom bocado, conversavam, comiam, bebiam um vinhinho fino, daquele que não é para comercializar, e lá seguiam para a próxima casa levando consigo o envelope e toda a magia daqueles dias.

Hoje, continuo a juntar toda a família na minha casa. O ambiente continua a ser de festa e de alegria, não posso dizer que não seja. Mas perdeu-se a magia das coisas que não entendemos e, sobretudo, perderam-se as crenças que nessa época, afinal, ainda nem tinha…