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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Reposição da verdade (espero eu)


Imagem daqui


Recebi há dias um e-mail que me deixou imediatamente empolgada e curiosa uma vez que gosto de tudo o que se refere aos fenómenos astronómicos. Encantam-me pela sua magnitude e, quiçá, pela minha incapacidade de a abranger! Além disso vinha em momento deveras oportuno ou não estivéssemos no Ano Internacional da Astronomia.

Agora atentem. A mensagem rezava assim:

Duas Luas no Céu

No dia 27 de Agosto, a meia noite e meia, olhe para o céu,

O planeta Marte será a estrela mais brilhante do céu, e será tão grande quanto a lua cheia, e estará a 55,75 milhões de quilómetros da terra.

Não perca!!

Será como se a terra tivesse duas luas, e este acontecimento só se produzirá no ano de 2287.

Divulgue esta informação, pois nem

todos terão a oportunidade de rever.

Pois desiludam-se meus amigos eventuais apreciadores destes fenómenos.

Dada a curiosidade que me suscitou procurei mais informação e, bastou-me um pequeno percurso pelos sites de astronomia, pelos sérios, para perceber que realmente o fenómeno existe, ocorre, ou seja ocorreu no dia 27 de Agosto de 2003!!!

Além disso, embora Marte fosse aparecer (tenha aparecido) maior e mais brilhante, nenhum site dizia que se confundiria com a lua cheia (e não confundiu).

É um acontecimento, de facto muito raro. Desta forma, já não acontecia há quase 60 000 anos, pelo que presumo que quem não o observou em 2003 irá ter escassas oportunidades de o observar. Isto sou eu a dizer, claro…


Estas oposições, nome que tem este fenómeno porque, visto da Terra, Marte se encontra em oposição ao Sol, acontecem com frequência mas sempre com distâncias variáveis e não tão favoráveis quanto em 2003 em que Marte se encontrou "apenas" a 55.780.000 quilómetros da Terra.

Tão pertinho! É verdade. É que a distância média entre os dois planetas é de cerca de 56 milhões de quilómetros...

Os cientistas prevêem que a aproximação mais próxima (desculpem esta espécie de pleonasmo mas não me apetece reformular a frase) em distância e em tempo seja no ano de 2729 em que Marte ficará a uns escassos 55.651.000 quilómetros da Terra!

Fantástico! Mais perto ainda! (Quem me disse que pretendem extinguir os pontos de exclamação? E depois, hein? Como é que faço?!!!)

Bom, voltemos à vaca fria. Estas “notícias”, como tantas outras que deambulam ciclicamente pelas nossas caixas de correio servem apenas para nos fazer perder tempo que poderíamos utilizar de forma mais agradável e, neste caso concreto, ao criar falsas expectativas em leigos, como eu, acabam por desacreditar os astrónomos que nos "teriam iludido" com as suas “previsões incorrectas” e, consequentemente, uma Ciência tão importante e mãe de algumas outras, a Astronomia.

Oh meus amigos, tenhamos critério e contenção nos e-mails que difundimos!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

"Clair de Lune" de Claude Debussy



Ainda a propósito.
Deleitem-se!

A propósito do Ano Internacional da Astronomia

Fotografia tirada pela sonda "Mars Express" à região de Cydónia conhecida como "A face de Marte" (ver mais).

Comemoraram-se ontem os quarenta anos da chegada do Homem à lua! Que feito prodigioso! Lembro-me de estar no liceu e, professores e alunas, seguirem de forma compulsiva, as notícias a que íamos tendo acesso.

Há quarenta anos, todos vimos Armstrong descer do Eagle, dar uns quantos passos, “saltitantes” no impoluto solo lunar e, num momento emocionante, colocar a sua bandeira, na lua, deixando assim, para a posteridade, a marca humana.

Como estamos no Ano Internacional da Astronomia entendi oportuno deixar-vos aqui um dos muitos links, onde podem informar-se sobre as afirmações proferidas pelos pioneiros da Lua, em Washington, numa conferência comemorativa do feito.

E que tal seguirmos agora para Marte?

Eu, para já, sigo e levo-vos comigo, para este belíssimo poema de António Gedeão que tão bem espelha esse dia.

“Poema do Homem Novo”

Neil Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade inteira saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.

Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até os pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.
A cobrir tudo, enfim, como um balão de vento,
um invólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.

Numa cama de rede, pendurada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.

Cá de longe, na Terra, num burburinho ansioso,
bocas de espanto e olhos de humidade,
todos se interpelavam e falavam
do Homem Novo,
do Homem Novo,
do Homem Novo.

Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.
Caminhava hesitante e cauteloso,
pé aqui,
pé ali,
as pernas afastadas,
os braços insuflados como balões pneumáticos,
o tronco debruçado sobre o solo.

Lá vai ele.
Lá vai o Homem Novo
medindo e calculando cada passo,
puxando pelo corpo como bloco emperrado.

Mais um passo.
Mais outro.
Num sobre humano esforço
levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.
Com redobrado alento avança mais um passo,
e a Humanidade inteira,
com o coração pequeno e ressequido,
viu, com os olhos que a terra há-de comer,
o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira da sua Pátria,
exactamente como faria o Homem Velho.

António Gedeão; 1970

segunda-feira, 23 de março de 2009

Cosmos. mais um episódio



Como prometido, neste ano dedicado à Astronomia, um pouco mais de Carl Sagan na série "Cosmos" que, embora muito antiga (tem 29 anos, se não estou em erro), continua a ser muito boa e bastante actual na maioria dos conceitos que de uma forma tão simples nos transmite.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Cosmos "A harmonia dos mundos" - parte 1



No âmbito das comemorações do Ano Internacional da Astronomia, dou hoje início à publicação de uma série de filmes da série "Cosmos", de Carl Sagan, quanto a mim ainda o melhor que se fez até hoje pela divulgação de um modo perceptível dos fenómenos astronómicos.

O de hoje procura explicar a diferença entre Astronomia e Astrologia apesar da sua origem comum.

Recomendo. Vale a pena.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ano Internacional da Astronomia



Dá-se início, hoje, ao "Ano Internacional da Astronomia".

Este é o trailer oficial português.