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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ainda sobre a "Dagon"


Esta é a contra-capa da revista, com desenho também da responsabilidade de Miguel Ministro, e que constituirá o símbolo de uma colecção dedicada ao fantástico que a Editora pensa publicar sob o nome YGGDRASIL (pelo menos julgo que foi o que foi dito na apresentação mas eu, por vezes, distraio-me um bocadinho...).
Seja como for, como é bonita, merece ser mostrada!

Li-a ontem. A revista, claro.

E, devo confessar, que aquilo que li ultrapassou bastante as minhas expectativas mesmo depois de ter ouvido a intervenção dos autores aquando da apresentação. Uns, naturalmente, deixaram-me mais curiosa do que outros. A verdade, porém, é que todos me surpreenderam.

Havia já bastante tempo que, por norma, não era consumidora de literatura de ficção científica e, mesmo da literatura fantástica, tão na moda actualmente, só tenho lido autores “clássicos” em relação aos quais sei (ou julgo saber) com o que posso contar. As incursões por autores mais actuais ( e refiro-me sempre a literatura traduzida), revelaram-se uma grande seca. Perdoem-me a vulgaridade do vocábulo mas é, sem dúvida, o que melhor ilustra o valor do que li; fraquinho, fraquinho, fraquinho….

Julguei eu que tal afastamento se devia um pouco à idade que, à medida que aumenta, vai-nos alterando os gostos e as disposições para.

Mas afinal, se calhar, não! Não é uma questão de idade. É, sim, uma questão de qualidade!

Pois, para espanto meu, fiquei presa aos contos, pequenos é certo, que a revista traz. E até para ser inteiramente franca, o que menos apreciei (talvez porque não tenha sabido fazê-lo e precise de o reler) foi o de Nir Yaniv, escritor/editor/músico israelita que aparece com provas dadas.

Por isso, a partir de agora vou andar muito mais atenta em relação ao que se produz neste campo no nosso país pois o pouco que li foi francamente encorajador.

Já agora, apenas um reparo.

Fiquei deveras zangada não sei bem com quem (mas para já leva o editor que o fez e o autor que o permitiu) com o facto de o conto “Um dia com Júlia na necrosfera” estar truncado. Apenas se encontra transcrita uma parte. E agora, Sr. João Barreiros, o que é suposto fazer, com este nervosismo e esta ansiedade pela continuação, até à próxima revista? Ah? Não me dizem?

Até a minha mais recente aquisição felina, o Black, do qual não tinha nenhuma indicação que fosse apreciador deste ou de qualquer outro género literário (ao contrário dos gatos que vivem comigo que são bons apreciadores de poesia, sobretudo se declamada), ficou em tal estado de excitação que se agarrou à revista e há que mastigá-la em atitude de protesto.

Compreendo a sua atitude! Até a mim me apeteceu fazer algo no género.

Mesmo assim levou uma valente corrida pois livro, aqui em casa (com a excepção do da Carolina e de alguns outros parecidos), é coisa quase sagrada. E por muito arreliados que estejamos não podemos nunca, mas nunca mesmo, tentar sublimar as nossas frustrações mastigando livros ou revistas sobretudo QUANDO AUTOGRAFADOS PELOS RESPECTIVOS AUTORES!!!!

Entendido Black????

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

"Vacilantes rostos do passado" Crónica de hoje de António Lobo Antunes


Geralmente gosto bastante das crónicas de A.L.A. É quase ponto assente.

Contudo, ao ler a que saiu na Visão, hoje, mais do que gostar senti um arrepio.

Pela sua beleza, pela forma como fala dos “vacilantes rostos do passado” com aquela franqueza despudorada que o caracteriza,mas também pelo carinho que deixa transparecer. Pela confissão que faz acerca da forma como encara e analisa um livro, como o desmonta, interessantíssima. Pela antevisão de como será recordado quando ele, também, um rosto do passado…

Comovi-me, confesso, com esta leitura.

Como todas as outras, não percam também esta. É um pedacinho de ouro que temos oportunidade de manusear…

Ler aqui

terça-feira, 19 de maio de 2009

Apeteceu-me mesmo....


Mudam-se os tempos..... Mudam-se as vontades..... Mudam-se as realidades.....


Que mais mudaremos ainda para termos uma geração futura que nos vai fazer amargar bem os nossos erros, as nossas demissões, as nossas inversões de papeis?????

E se julgam que é só cá, desenganem-se, aliás o cartoon é ilustrativo disso mesmo.

Eu não concordo com toda a carga negativa implícita na primeira situação. Mas, como mãe, também não compreendo a segunda. Desresponsabilizar os jovens e os adolescentes, sinceramente, nunca me pareceu um caminho aceitável. Se não aprendem o que é responsabilidade, nunca mais conseguirão ser cidadãos completos.

Será que nunca seremos capazes de encontrar a atitude de bom-senso?!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Ainda sobre o sismo em Abruzzo


(Do lado esquerdo, casa que cumpre inteiramente as normas anti-sísmicas e permaneceu intacta embora sobre uma falha . Do lado direito...as outras)

Ainda ontem ao final do dia, ao ler um post sobre o incumprimento da legislação anti-sísmica no que diz respeito à construção, obrigatória sobretudo em lugares, como este, de alto risco (o qual terá agravado as consequências do fenómeno), comentei-o dizendo que, naturalmente, tudo permaneceria impune como já estamos habituados a que aconteça.


(Também os animais sofreram com tudo o que se passou. estes, foram dos que tiveram sorte, não perderam a vida nem os donos.)

Portanto, imaginem o meu espanto ao ler, hoje de manhã uma notícia que dizia estarem a ser investigados os construtores da região…

Dizia mais, e cito:

Todos os construtores que forem suspeitos serão interrogados e se forem culpados "serão todos presos, afirmou, determinado, o responsável do Ministério Público de Áquila, a capital da região de Abruzzos, no centro de Itália. Adriano Rossini, que falava ontem ao diário La Stampa - uma semana após o terramoto que fez 294 mortos na região em causa -, está apostado em levar às últimas consequências as investigações sobre os responsáveis indirectos pela derrocada dos edifícios e, portanto, pela perda de vidas.

Rossini quer saber quem não cumpriu as normas anti-sísmicas na construção ou recuperação dos edifícios, quem, por exemplo, não utilizou a quantidade de ferro exigida ou o tipo de areia adequada para o fabrico de cimento.



(mais dos que tiveram sorte...)

É claro que serem investigados não significa serem culpados. E se houver culpados (que infelizmente imagino não vá haver nenhum), também não significa serem penalizados, não é?

É que, não tenhamos ilusões, os jogos de interesses são tantos no que concerne à construção civil, que para se aplicar justiça, haveria que investigar muito mais do que os construtores. Provavelmente não dará em nada e continuará tudo como dantes e, estes criminosos, porque é isso que são, criminosos, continuarão impunes e a proceder da mesma forma até à próxima catástrofe.

Todavia, fiquei satisfeita. Dê no que der, é sempre um começo e as coisas começam a bulir…




(E este, será que encontrará algum dia o seu dono?)
Para ler a notícia toda pode ir aqui

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Comêço de manhã divertido...

Antes de começar quero, desde já pedir desculpa aos meus familiares e amigos militares ou simpatizantes. Não considerem isto uma ofensa. É, tão só, uma brincadeira.

Sorry!

Hoje de manhã, como habitualmente, iniciei ao dia com o cimbalino (por acaso agora o n’expressino, já que cimbalino, vem da marca de máquinas de café expresso “La Cimbali”e eu agora tenho uma N’Expresso) e a ler os títulos dos jornais diários.

É, quase sempre, pouco mais do que os títulos, aquilo que me apetece ler. Por um lado, não tenho vocação para masoquista, e tanta desgraça deprime-me, por outro não me apetece ser o alvo crente dos rearranjos e, até por vezes invenções completas, com que os jornalistas fazem questão de nos presentear sem a mais pequena cerimónia.

Porém, hoje li uma notícia que achei engraçada. Creio que será verídica, não vejo o objectivo de inventar o seu conteúdo, e permitiu-me ao lê-la, imaginar as figuras mais caricatas sob uma farda…

Logo depois de ler o título, esquecida por momentos de que há um sector feminino já significativo nas forças armadas, dei uma bruta gargalhada.

Ora sigam-me. O título é este:

Defesa: Novas regras de apresentação e atavio

Militares proibidos de usar tatuagens e maquilhagem

Pois logo aí imaginei um garboso capitão com sombra azul nos olhos e pestanas alongadas com rímel, ostentando no antebraço uma elegante tatuagem “Caldas da Rainha 2008” ou até “Teu para sempre Cátia Vanessa”…

Não riam se forem capazes!!!

Logo de seguida lembrei-me dos elementos femininos e pronto. Perdeu a graça. Continuei a leitura até me deparar com o seguinte:

"Não é permitido o uso de qualquer tipo de maquilhagem." Esta é uma das normas destinadas aos militares do sexo masculino, expressa no documento a que o CM teve acesso, e onde nada foi deixado ao acaso. "As unhas devem apresentar-se limpas e cuidadas, não podendo ser pintadas e não devendo, em comprimento, exceder três milímetros, medidos desde a ponta dos dedos."

Afinal, voltei a rir à medida que ia imaginando cenários possíveis: um marinheiro de farda imaculadamente branca, cabelos negros sobre o comprido, olhos rodeados de negro, unhas “pretas”, e batom a condizer, com um piercing uma argola, fininha, discreta no nariz, um gótico discreto…

Ou até um oficial da Força Aérea, com madeixas loiras nos seus cabelos em tom de castanho suave caindo sobre o azul (julgo eu que é azul!) da camisa e com um lindo coração tatuado perto do pulso com “Ota para sempre”…

Vá lá! Não se ofendam! É que estas coisas ocorrem-me mesmo sem querer e a notícia espicaçou este meu lado chatinho. É que a certa altura também se lê:

O Exército proíbe ainda tatuagens, piercings ou outras formas de arte corporal que sejam visíveis

quando uniformizados…

(Devo dizer que até estou um pouco perturbada. Foi pouco mais ou menos assim que eu imaginei o gótico da Marinha, embora mais discreto e ainda não tinha visto semelhante imagem! Bolas, que medo. Até me assusto com a própria imaginação...)

E ainda:

Cabelo. Quando pintado, deve apresentar uma cor natural e discreta, não sendo permitido o uso de madeixas…

Bom, vou terminar. Não quero ser ofensiva para ninguém e até concordo que sejam quais forem as Forças Armadas ou Militarizadas a que nos possamos referir Têm de se apresentar com aprumo e sem qualquer tipo de exagero visível na sua indumentária. Enfim, o objectivo é o de serem considerados como autoridade, serem entidades respeitadas e credíveis para todos os cidadãos. Mas serão necessárias este tipo de normas? Tão específicas?

A mim parecem-me um pouco ridículas. Afinal estamos a falar de pessoas habituadas a cumprir aspectos disciplinares muito mais complicados do que este e que, supostamente possuem bom senso. Ou não?

Enfim, mas que sei eu?

Se quiserem ler a notícia toda vão aqui.