Já agora, o que eu escolhi, não foi este. Foi também de Piazzolla mas o "Libertango". Esta composição tem o nome de "Panic".
Linda!
E lindos os dançarinos!
ao vivo
apresenta:
Sin esquinas
novo CD
Sábado, 18 de Abril - 21.30h
Bailarinos:
Fernando Jorge & Alexandra
Inês Tabajara & Fernando Leal
Auditório Mário Rodrigues Pereira
Centro Social Padre Ramos
Lavra, Matosinhos
Reservas pelo: 96 9746779/ 91 9851618
Eu vou, claro. Se puder, não falte também.
Acredite que vai ter uma excelente surpresa!...
Origens do Tango Argentino
Pelos finais do século XIX, devido a misturas das diferentes formas musicais levadas pelos imigrantes com a dos crioulos, descendentes dos antigos conquistadores espanhóis e certamente, algumas outras influências, nasce um tipo de música, quase que como a expressão folclórica da população mais pobre que se juntava nos subúrbios de Buenos Aires.
Inicialmente era apenas instrumental e destinava-se apenas a ser dançada, embora, por vezes, o povo se encarregasse de lhe juntar letras jocosas.
Como naquele tempo era considerado obscena a dança de homens com mulheres, uma vez que tinha que existir abraço entre ambos, era apenas praticada nos bordéis.
Como os bordéis eram caros e o dinheiro pouco, em público dançavam homens com homens com vista a aperfeiçoarem cada vez mais as suas performances sem que para isso tivessem de gastar dinheiro.
Grupos de homens começaram a treinar, a improvisar e inovar, criando movimentos novos que permitiram um grande desenvolvimento desta dança. Se um dançarino era bom, atraía as atenções das mulheres… surpreendendo-as. Certamente que dançar entre homens, nada tinha a ver com homossexualidade.
Foi assim durante muitos e longos anos. O tango era dançado por gente humilde e do povo, nos bordéis, já que famílias decentes não se expunham.
Por volta de 1910 o Tango é “exportado” para Paris que vivia a febre do modernismo. Rapidamente é aceite e difundido pelos outros países, inclusive a alta sociedade argentina, dado que Paris à época, era o epicentro cultural. É claro que havia também as alas conservadoras que o condenavam como haviam feito já com a valsa, por exemplo…
É aí por volta de 1917 que começam a surgir os tangos cantados; tangos feitos para musicar uma letra. Consequentemente surgem os cantores de tango e converte-se num tipo de música já não exclusivamente para dançar.
Carlos Gardel era já um sucesso estrondoso em 1928. Na década de 50 Astor Piazzola rompe com o tradicional, adicionando influências de Bach, Stravinsky assim como de Cool Jazz. O tango passa a ser executado com um elevado grau de profissionalismo embora seja aceite apenas por uma parte da sociedade, sendo até ridicularizado pelas camadas mais jovens inebriadas pelo Rock’Roll.
Assiste-se, actualmente, a um recrudescimento do interesse pelo Tango argentino nas suas diversas vertentes: a milonga, o vals…
Vocês sabem o que é uma milonga?
Pois bem. Até há relativamente pouco tempo, para mim, milonga era, em gíria, uma aldrabice dita por quem se queria “armar”. Quando alguém contava um feito algo, digamos que, prodigioso para a pessoa em questão, a tendência natural, aqui pelo norte, era que outro alguém que estivesse a ouvir respondesse:
- É pá, deixa-te lá de milongas! Vai mas é “arrotar postas de pescada” (expressão belíssima) para outro lado!
Mas a verdade verdadinha é que uma pessoa, mesmo da minha idade está em constante aprendizagem. É que uma milonga tem também, e principalmente, julgo eu, outro significado.
Ora bem: Milonga será o baile onde se vai especificamente para dançar Tango. Por extensão também é chamado Milonga ao local onde se realizam os referidos bailes.
Tradicionalmente numa Milonga baila-se o Tango, a milonga, e o vals cruzado ou vals argentino (variante da valsa vienense). Outros ritmos típicos que se podem encontrar numa Milonga são a chacarera e a salsa.
E agora perguntar-se-ão que raio têm a ver com isso?
Nada. Rigorosamente nada, mas como eu vos queria contar que fui ontem pela primeira vez a uma Milonga, entendi por bem informar quem tiver coragem de ler do que se tratava.
É um baile muito giro. Muito formal. A sala estava rodeada de pequenas mesas redondas com camilhas vermelhas de acordo com a cor dos pesados reposteiros que cobriam completamente uma das suas maiores paredes. Em cada mesa tremeluzia apenas uma vela e todo o ambiente era envolvente, quase sensual.
As músicas iam-se sucedendo e os pares revoluteavam pela pista, uns mais arrojados nos seus passos, outros mais titubeantes, mas todos eles respingando algo de voluptuosamente ousado.
Fiquei a saber que o convite à senhora para dançar é sempre feito pelo cavalheiro de forma discreta; através de um olhar, de um gesto dissimulado… pelo que a resposta da senhora deve acompanhar também essa discrição e o encontro de ambos (quando aceite o convite) verifica-se já na pista.
Ora, no meu ponto de vista, esta regra é muito favorável às senhoras pois, quando não lhes interessa o convite, podem sempre fingir que não vêem bem ao longe, que não estavam a olhar naquela direcção embora até parecesse e muitas outras desculpas semelhantes mas que agora não me ocorrem. Por outro lado, se caem no erro de ter muitas “faltas de visão” também pode ocorrer que fiquem toda a noite a tomar um bom banhinho de assento pois, se isso se nota, nenhum cavalheiro de juízo se sujeitará a ser rejeitado.
Enfim, foi a minha primeira Milonga. Destinou-se a aprimorar a teoria e, como podem verificar, resultou. Quando ou se irei algum dia passar da teoria à prática e passear-me pela pista ao som daqueles belíssimos tangos…. Isso não sei.
Mas fazendo aqui umas contas (não sou muito boa a matemática) e se continuar a ter aulas num ritmo certinho, penso que daqui por uns dez anitos já conseguirei titubear uma “caminhada” decente e, quiçá, alguns “oitos” (isto se o andarilho não estorvar muito).
Este vídeo foi-me enviado pela minha professora de Tango Argentino, Inês Tabajara (e dançarina também), como sendo o seu par preferido neste tipo de dança.
Obviamente que se refere apenas aos profissionais, porque no que diz respeito aos amadores, eu e o meu Gatão, sem margem para dúvidas, estamos verdadeiramente muito à frente. É que é mesmo já outro nível.
Qualquer comparação é francamente desnecessária (inconveniente, até) pois não queremos colocar em risco o ganha-pão de ninguém.
A única coisa em que eu estou disposta a admitir que é melhor no vídeo, é o vestido. Francamente tenho descurado um pouco esse pormenor. Contudo, face à evidência da sua importância, irei brevemente providenciar no sentido de obviar essa situação menos cuidada até agora.