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terça-feira, 29 de junho de 2021


Estive impossibilitada de publicar neste espaço alguns anos sem perceber muito bem porquê. 

Eu tinha um domínio próprio que entretanto não consegui renovar apesar do muito empenho que coloquei nessa renovação. 

Por outro lado, mesmo não renovando, era suposto o espaço reverter automaticamente para o domínio "blogspot". Assim eram as condições iniciais tal como as entendi. 

Mas nada disso aconteceu e eu fiquei impedida de entrar no meu blog.

Durante muito tempo fui tentando, mandei emails que nunca foram respondidos, tentei outras formas de comunicação sempre sem qualquer sucesso.

Desisti. Se calhar nem era assim tão importante com as novas formas de comunicar que se abriam com os facebook, twiters, instagrams e por aí fora

Hoje, tinha no email a notificação de um comentário para um texto que tinha escrito em 2010....

Fiquei curiosa e tentei (até já nem sei muito bem como se faz) entrar no blogue. 

Consegui, acho eu. Agora vamos lá ver se consigo publicar o que estou a escrever. 

Confesso que fiquei contente. 

E, num dia que é tremendamente triste para mim, esta pequenina alegria aqueceu-me a alma.

É que eu gosto mesmo 
do meu blogue. 



quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Parabéns Miguel



Estreei-me contigo nessa difícil arte de ser mãe.
Eras apenas uma pequenina gota de delírio,
uma promessa de futuro, 
um rosário de horas molhadas de luz.
Estreei-me contigo nesse jogo de incertezas
que se penduram no tempo
e nos fazem sentir saudades
de um futuro sonhado
e exacto      e bom.
Construímos juntos pedaços de mundo
que colorimos de risos,
de cabelos pouquinhos e loiros
e de outras pequenas felicidades
que mantêm ainda o cheiro do espanto.
Inauguraste em mim esse amor ferino
que repuxa a alma, que fere
e, todavia,
acaricia como o calor de um sopro,
abriga como abriga a casa que é minha
e está cheia de sonhos muito antigos. 
Cresceu então em mim uma lucidez nova,
um romper de receios,
uma inquietação de folhas,
um tropeçar no assombro de ti,
uma mão cheia de caminhos por andar
com contornos de ternura e cheiro a mar
E os amanheceres nascem limpos
2016-08-10

sábado, 6 de agosto de 2016

Mamã e titi em 2016-08-06


À medida que o tempo avança
(ou que vais avançando no tempo)
e o cabelo embranquece, a pele enruga,
as pernas ganham pesos que não tinham,
as distâncias perdem o sentido,
as trivialidades se agarram à carne das palavras
e os tempos não são mais o que eram

surgem assim, ao de leve,
numa semântica de acaso
momentos de uma candura pueril
e feliz

E sorris com as flores, com os raios de sol
nas paredes pintadas de fresco
e com as bolachinhas de chocolate.
O horizonte fica mais breve mas não importa
encharcas o ar de cenas miudinhas,
de palavras ao rés da pele,
inventas pequenas malícias ingénuas,
por vezes doces,
outras nem tanto
e sorris.

E desgostas das tuas mãos engelhadas.
Mesmo assim arriscas um afago prolongado
no gato que dorme a teu lado
e sorris
e sorri também o gato.

Olhas-me com esses olhos gordos de tempo
e és de novo criança.




2016-08-04

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Não sei


Não sei se é porque hoje é Junho
se é por estar sol e calor
e os melros trinarem  
numa estridência cheia de luz
e de cores bonitas
se é porque comi cerejas
e elas são macias e doces
e sabem a Verão
se é porque hoje
como todos deveriam ser
é dia de lembrar as crianças
os seus risos coalhados de cheiros bons
o brilho que transportam no colo
as suas cores
que se agarram às pregas das nossas almas
e as tornam redondas e delicadas

não sei porquê
mas hoje as palavras surgiram-me assim
mansinhas e frescas
a cheirar a Verão e a riso de criança




2016-06-01

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Dizem


no meu jardim

Mais uma Primavera,
dizem
e com ela procuro despir-me
deste desespero nu.
Procuro suster a vida
que se escoa brandamente
levando os sonhos,
a angústia dos sorrisos,
a música dos amores-perfeitos,
as limalhas de cor.

Mais uma Primavera,
dizem
e as nuvens vestem-se
de uma luz nova
espantada
e tingida de rosas e anis.
Fecho bem os punhos
onde aperto os sonhos.
Empurro as paredes,
as cores, os sons,
os cheiros que me afogam.


Mais uma Primavera,
dizem
e a vida escorre devagarinho
rolando sílabas frias,
descobrindo palavras
numa incoerência sábia,
desvendando segredos
naquela lentidão possível
de quem desfaz quimeras antigas

Mais uma Primavera,

dizem




Abril 2016